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Mercado Futuro do Boi Gordo e Commodities: 7 cuidados básicos

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Pôr do Sol com boi
Foto: BOY Fotógrafo.

Existem 7 cuidados básicos no Mercado Futuro do Boi Gordo e Commodities Agrícolas que os produtores e agentes da cadeia devem ficar atentos. Muitas pessoas têm utilizado a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) para proteger suas operações agrícolas. Porém, observamos com frequência certa confusão em seus objetivos. A BM&F é um mercado com potencial de gerar ganhos/perdas significativas e de alto risco, quando utilizado como especulação. É muito comum as pessoas entrarem nestes mercados com o foco em utilizar sua intuição comercial no setor para buscar lucrar com a especulação. Muitos acabam se frustrando, pois o mercado futuro nem sempre reage da forma esperada e acaba gerando perdas, medo e receio.

Antes de abordarmos o objetivo deste artigo, vamos esclarecer o que é uma operação especulativa e uma operação de hedge

Especulador: é o agente (pessoas físicas/fundos de investimento/empresas) que procura utilizar o mercado futuro para buscar resultados com o movimento direcional do ativo. Estes agentes não estão buscando proteger o resultado de um ativo físico (boi, grão, etc.), mas apenas lucrar com a direção do ativo. Exemplo: se alguém compra um contrato de boi na Bolsa, espera que os preços subam e ele possa vender este contrato mais caro alguns dias depois, lucrando com este movimento. Ele não possui investimentos reais no setor. Não possui bois no pasto e não está interessado no mercado do boi, e sim na direção dos preços.

Hedger: são agentes (empresas, trading, produtores rurais, etc.) que possuem conexão com a cadeia produtiva da commodity. Estas pessoas buscam a Bolsa com o objetivo de proteger a rentabilidade de seus negócios das oscilações do mercado. Elas não estão focadas apenas na direção dos preços, mas em proteger a rentabilidade das suas operações físicas de compra e venda da commodity. Elas produzem e têm uma mercadoria que estará pronta em determinado momento no mercado físico e serão compradas/vendidas pelo elo seguinte da cadeia produtiva. Estes agentes possuem investimentos reais no setor (fazendas, gado, indústrias, armazéns, etc.) e que devem ser rentabilizados pelas operações físicas, sendo este o principal foco.

Neste artigo, iremos explicar por que é tão comum cairmos nestes erros e quais os riscos envolvidos com estas ações.

7 cuidados básicos no Mercado Futuro do Boi Gordo e Commodities.

1. Entrar no Mercado Futuro para fazer hedge e virar especulador.

Este é o primeiro dos 7 cuidados básicos ao utilizar no mercado futuro. É muito comum encontrarmos pessoas buscando a BM&F para fazerem operações de hedge, mas acabam atuando com mais características de especulador do que de hedger.

Uma das características do mercado futuro é o ajuste diário das posições, através de um depósito em conta corrente da corretora. Trata-se de um ajuste de posição ganho/perda entre os agentes, que devem depositar a diferença da posição assumida na Bolsa, no dia seguinte após o fechamento do dia.

Exemplo de ajuste diário: comprou-se um contrato de boi gordo a R$ 100/@ no dia 1. Se o mercado subir para R$ 105/@ no dia 2, este agente receberá em sua conta da corretora R$ 5 /@ no dia 3. Temos que lembrar que para todo contrato comprado existe um vendedor. Portanto, outro agente vendeu este contrato e precisou depositar R$ 5/@ na corretora para cobrir a sua posição.

Este movimento é comum e também ocorre no físico, porém sem a transferência do dinheiro. As arrobas do produtor/indústria/trading também oscilam com a variação do mercado e a perda/ganho por parte destes agentes também ocorre no dia a dia. A diferença é que ela só ocorre financeiramente no ato da comercialização e não no dia a dia como nas operações de futuros.

Esta simples característica financeira, afeta o fluxo de caixa dos hedgers, que já possuem um caixa comprometido com a operação e precisam disponibilizar caixa para cobrir os ajustes. Isto causa dois efeitos rápidos para quem não está preparado para atuar como hedger.

Risco das pessoas que não se prepararam para fazer hedge:

a) se transformar em especuladores; pela característica destas operações de gerar resultado de uma forma muito rápida e sem investimentos, facilmente transforma os hedgers em especuladores.

b) desistir de operar no mercado futuro; como há uma demanda por caixa e a necessidade de um planejamento e preparação para atuar no mercado futuro, muitos potenciais hedgers da cadeia, acabam ficando fora desta ferramenta. Não usufruindo de seus benefícios e se expondo às oscilações do mercado.

2. Acreditar que o Mercado Futuro é uma ferramenta de previsão de preços.

Muitas vezes, ao palestrar ou em nossos Webinars, somos questionados sobre as expectativas do mercado futuro como se fossem uma certeza do mercado e, poucos dias depois, o mercado futuro assume uma nova tendência e as pessoas ficam perdidas com estas oscilações.

Temos que entender que o mercado futuro não é uma ferramenta de previsão, não há um modelo de análise por trás das cotações apresentadas. Elas são simplesmente uma reação a uma expectativa dos agentes que estão atuando naquele momento ou novos entrantes. É preciso lembrar que para a mesma quantidade de pessoas que conseguiu capturar a tendência dos preços, há outras pessoas que estão apostando contra ou erraram em suas análises.

Para exemplificar o potencial de erro das análises, vamos olhar estes exemplos, lembrando que já se repetiram muitas vezes ao longo dos anos.

1° Exemplo

Ao observarmos a figura abaixo, verificamos que no dia 17/03/2020 o mercado futuro (linha azul) apontou uma arroba de R$ 176 para o vencimento outubro de 2020. Em menos de 6 meses, esta previsão subiu para R$ 254/@. Observe também que durante todo este período, ele não pagou prêmio sobre o Índice Esalq (linha verde), ou seja, não há benefício engordar o boi para outubro. Praticamente, as projeções feitas por Bolsa foram empurradas pelo Índice Esalq do Boi Gordo durante todo o ano.

Mercado Futuro Out/2020.
Mercado Futuro Out/2020.
Fonte: Cepea

2° Exemplo

Outro exemplo bem característico pode ser verificado na figura abaixo. Veja que em 21/10/2019 o mercado previu para o vencimento maio de 2020 uma arroba de R$ 165,85. Em menos de 20 dias, a previsão mudou para R$ 230/@, sendo novamente empurrada pela mudança dos fundamentos do mercado físico. Estas previsões continuaram apresentando grandes erros até o fechamento do vencimento em 31/05/2020 a R$ 204,95/@.

Mercado Futuro Maio 2020.
Mercado Futuro Maio 2020.
Elaboração: Agromove.

Como comentamos anteriormente, estes fatos ocorrem porque o mercado futuro é uma ferramenta movida a expectativas. E grande parte do mercado não trabalha com projeções fundamentadas e sim com intuição. Para cada expectativa positiva existente no mercado futuro, há uma expectativa negativa. Quando ocorrem estas grandes mudanças de preços, os perdedores saem correndo do mercado e para isto, precisam inverter a posição, reforçando ainda mais a nova tendência. Ou seja, se você estava vendido e o mercado subiu, para sair da posição você precisará comprar um contrato e irá reforçar a tendência de alta. Este movimento é conhecido como “stop de perdedores”, vamos falar sobre isto no próximo item.

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Este não é um fato novo. Há vários exemplos ao longo da história do mercado futuro que demonstram que esta não é uma ferramenta para prever preços. No entanto, é uma excelente ferramenta para gerar oportunidades de negócios bem fundamentados. Basta imaginar uma pessoa que fez uma operação de compra no início da virada de mercado e este assumiu uma tendência de alta gerando ganhos na operação.

3. Seguir o movimento de massa sem estar fundamentado em boas análises.

O movimento em massa é conhecido no mercado de ações, futuros e opções. É aquele movimento que um ativo da Bolsa (ações, mercado futuro, etc.) reage a uma nova tendência (alta/baixa) com grande força, provocando a entrada de vários especuladores buscando se beneficiar do movimento. Ele também é reforçado pelo “stop de perdedores” comentado acima.

Este comportamento pode gerar grandes lucro para aqueles que se posicionaram na tendência correta, antes dela disparar. E pode ser aproveitado por quatro tipos de agentes do mercado.

Agentes do mercado

a) os oportunistas

São os agentes mais bem informados do mercado. Normalmente, estão equipados de boas análises e fundamentos. Buscam constantemente por ativos com grande potencial de reação e começam a se posicionar lentamente no mercado, quando os fundamentos de uma tendência anterior começam a enfraquecer e assumir uma nova direção de grande potencial. Estes agentes têm objetivos claros de perda/ganho. Não se incomodam em perder um pouco, desde que suas premissas continuem se confirmando. Eles também são os primeiros a começar a realizar os ganhos, normalmente no final do movimento da massa, quando os perdedores estão entrando.

b) os espertos

São pessoas que têm bons relacionamentos e conseguem perceber o movimento dos oportunistas. Muitas vezes, são analistas gráficos com grande experiência e intuição. Geralmente, começam a entrar no mercado após o início da nova tendência, porém antes do movimento da massa. Desta forma, conseguem capturar grande parte do ganho potencial da tendência. Aqui é importante fazermos uma distinção clara entre os que são experientes e os que dizem ser. Os experientes têm regras e objetivos claros; os não experientes se perdem no caminho, pois não definiram os objetivos e regras.

c) os seguidores

Normalmente, estão seguindo um movimento do mercado, uma dica, uma notícia ou um boato. Já possuem uma pequena experiência no mercado e entram no meio do movimento em massa. São os causadores dos movimentos em massa e provocam as grandes reações. Muitas vezes, entram após uma publicação em uma mídia importante e já estão atrasados no movimento. Entrar neste momento no mercado, há grande risco de perda e menor potencial de ganho. Os oportunistas e os espertos já estão alertas para verificar quando o movimento de massa começa a perder força, quando o potencial de alta está acabando, os seus objetivos já foram atingidos e buscam o momento de realizar suas posições no final do movimento de massa.

d) os perdedores

Em geral, são novatos no mercado e não buscaram qualificação, treinamento ou apoio de profissionais experientes. Ganham algumas vezes, mas perdem em outras e acabam não conseguindo gerar resultado no longo prazo. Entram no mercado após o boato ou notícia ter se espalhado buscando os ganhos alardeados nas mídias. Muitas vezes, seguem as dicas de gerentes de instituições financeiras ou corretores inexperientes. Não possuem objetivo e nem definiram metas de ganho ou perda. Eles entram ao final do movimento de massa e, se derem sorte, acabam capturando algum ganho do mercado. Se você estiver nesta posição, é aquele momento onde você ouve de todos ao seu redor, que o mercado vai subir muito mais ou que é o fim do mundo …… neste momento saia deste meio e busque alguém experiente.

Nunca imagine que cada um destes agentes sempre é ganhador, todos eles perdem e erram, mas os mais experientes possuem regras e objetivos claros. Têm histórias de ganhos e de perdas.

4. Não ter uma meta de resultado a ser alcançada.

Aqui é onde definimos a diferença entre os oportunistas e espertos dos seguidores e perdedores no mercado futuro. Os dois primeiros têm regras claras e metas a serem atingidas.

A diferença entre um hedger oportunista e um especulador oportunista é que as metas são diferentes.

O Hedger

O hedger está focado em lucrar na sua operação física e utiliza as ferramentas do mercado futuro para atingir seus objetivos. Conhece a ferramenta de mercado e a cadeia onde atua. Sabe qual sua posição comprada/vendida no mercado físico e utiliza o mercado futuro para proteger os lucros das posições tomadas no físico. Não faz posições maiores que a posição assumida no mercado físico. Utiliza o mercado físico e futuro para buscar oportunidades. Às vezes, precisa carregar algumas posições em aberto para poder aproveitá-las.

Estes profissionais estão alinhados com os objetivos de resultado de longo e curto prazo da empresa. Sabem que precisam manter resultado operacional para rentabilizar os investimentos realizados nas operações físicas. Conhecem o endividamento da empresa e têm a responsabilidade de gerar resultado para pagá-los. Assim como, gerar rentabilidade para os acionistas. Ou seja, o foco é lucro da atividade e não se incomodam em pagar ajuste, se a operação estiver superando suas metas.

O hedger busca suas oportunidades na cadeia produtiva, comprando insumos ou matéria prima no momento ideal e negociando a sua produção com os clientes. O mercado futuro é apenas mais uma ferramenta de negociação para atingir suas metas.

O Especulador

O especulador está focado em obter lucro financeiro na posição assumida. Não tem objetivo de lucrar com uma mercadoria física. Conhece o setor onde está atuando e possui bons relacionamentos. Tem um objetivo claro do potencial de ganho do mercado e regras para perdas, caso o mercado caminhe contra suas premissas.

Estes profissionais atuam em diversos mercados para buscar seus objetivos. Como não possuem uma cadeia física e sabem que determinados mercados podem ficar muito tempo com preços estáveis ou com baixa volatilidade, são obrigados a buscar a oportunidade em mercados que estão apresentando volatilidade. Querem ganhar rápido e sair da posição.

Aqueles que não têm seus objetivos e regras de forma clara, provavelmente se perdem nas oscilações do mercado físico e futuro, tentando ganhar em ambos os mercados. São prováveis candidatos a participar do “stop de perdedores”.

5. Utilizar apenas análises gráficas para tomar decisões.

Análises gráficas são modelos de análises muito conhecidos no mercado futuro e de ações. Basicamente, realizam uma análise sobre o movimento dos preços do ativo selecionado. Procuram capturar a mudança de direção dos preços, das tendências e dos movimentos em massa.

Estas ferramentas são muito interessantes, pois utilizam modelos estatísticos para capturar estas mudanças. Os oportunistas e os espertos, normalmente, utilizam estas ferramentas para encontrar suas oportunidades. A diferença é que os oportunistas também utilizam análises fundamentalistas em suas análises, o que reforça o poder da análise gráfica. Os espertos adquirem experiência com algumas ferramentas grafistas e buscam as oportunidades no mercado.

O grande risco de utilizar apenas as análises gráficas é que elas também emitem sinais duvidosos. Quando o mercado está estável, ou mudando lentamente os fundamentos, elas não capturam estas informações. Por fazerem uma análise simplista apenas dos movimentos dos preços e não dos fundamentos, ela pode emitir sinais errados. Por isto, demandam uma grande experiência para poder capturar os sinais emitidos pelos preços dos ativos.

Outro desafio, é que existem diversas ferramentas de análise e algumas funcionam bem em alguns ativos e não são boas em outros. Isto obriga o analista gráfico a testar várias ferramentas para cada mercado e com sua experiência escolher as que geram melhores resultados para seus objetivos. Geralmente, utiliza-se mais de um modelo para analisar um mesmo ativo.

6. Não analisar a cadeia produtiva da commodity.

Aqui está a diferença entre os oportunistas e os espertos. Eles trabalham com uma análise setorial, conhecem as cadeias produtivas e o comportamento destas (concorrentes, substitutos, clientes e fornecedores). Estão atentos aos fatores externos (câmbio, crises, etc.) e como eles impactam as cadeias. Possuem dados para analisar o impacto do clima, da oferta/demanda e as forças que influenciam estas cadeias.

No tópico 2 deste artigo, comentamos sobre o erro ao utilizar o mercado futuro como ferramenta de previsão de preços. Com as informações de cadeia e modelos estatísticos que utilizam a Inteligência Artificial é possível preparar modelos preditivos como os desenvolvidos pela Agromove. Estes modelos, utilizam as informações da cadeia produtiva para fazer as previsões, atualizando-as diariamente. Diferente do mercado futuro que reage com as expectativas dos agentes da cadeia, as análises destes modelos são abastecidas por dados, não existe expectativa, nem intuição.

Abaixo temos uma projeção de 30 dias realizada pelo modelo preditivo no dia 10/09/2020 para o Índice Esalq Boi Gordo e a expectativa do mercado futuro de outubro na mesma data. Reparem que o modelo previu com 16 dias de antecedência que o mercado chegaria aos R$ 257,00/@ e forneceu as bandas de confiança desta projeção. O mercado futuro, na mesma data previu que no final de outubro os preços seriam R$ 247,00/@. Somente no dia 29/09/2020 o mercado futuro projetou R$ 256/@ para seu vencimento.

Plataforma Inteligente Agromove.
Fonte: Agromove.
Plataforma Inteligente Agromove.
Fonte: Agromove.

Esta diferença de informação leva os oportunistas a trabalharem suas decisões de hedge ou especulação de forma mais robusta. Ao utilizarem modelos de cadeia produtivas e análises gráficas com expertise, as decisões tendem a gerar melhores resultados.

Decisões no mercado físico x futuro

Sabemos que não é possível tomar uma decisão de compra e/ou venda de animais em quantidade de um dia para o outro. Esta é uma atividade que demanda tempo e por isto, encontrar o momento certo com antecedência, também é importante para os produtores. Saber que o mercado está próximo a um “Topo” ou “Fundo” com antecedência pode trazer grandes resultados, tanto no físico quanto nos futuros.

Para isto, a Agromove desenvolveu o indicador de Probabilidade de Queda dos Preços (PQ) e as Zonas de Compra (linha pontilhada vermelha) e Venda (linha pontilhada azul), que podem ser observados no gráfico abaixo. Quando o indicador PQ atinge estas Zonas, há uma maior probabilidade de ganho nas decisões de compra (ganho médio de compra) e venda (ganho médio de venda), ilustradas no quadro do gráfico.

Plataforma Inteligente Agromove.
Fonte: Agromove.
Plataforma Inteligente Agromove.
Fonte: Agromove.

Repare que em 2020 o indicador PQ entrou na região de compra em jan./20. O ganho médio anual (12 anos analisados) de compras feitas nesta zona foi de 70% (dados em vermelho dentro do quadro). Isto quer dizer que as compras feitas nesta região, capturaram em média 70% do movimento de alta. Ou seja, se a diferença entre a máxima e mínima do ano foi 10 reais a ferramenta capturou, em média, 7 reais para quem comprou nesta região.

Não estamos falando de mercado futuro e sim, de uma decisão a ser tomada pelos produtores, que podem capturar para suas fazendas o ganho das oscilações de mercado futuro. Aqui encontra-se a grande diferença entre o hedger oportunista e os outros agentes da cadeia. Ele busca as oportunidades do mercado físico e do futuro com o foco no resultado da empresa.

Assista mais sobre como essa metodologia funciona em nossos webinars:

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7. Não ter objetivos de longo prazo.

Como comentei anteriormente, muitos dos agentes que estão atuando no mercado futuro não têm objetivos de longo prazo. Entram no mercado futuro para proteger suas operações físicas (hedge) e acabam virando especuladores. Não planejaram e são surpreendidos pelos ajustes diários.

Por outro lado, aqueles que se organizam e focam em seus objetivos passam a obter resultados significativos. Vou citar o exemplo de um cliente Agromove que alinhou seus objetivos de mercado com os objetivos de longo prazo da empresa.

Obs.: por motivos de confidencialidade, mudaremos os nomes da empresa e das pessoas.

No início de 2020, a “Agropecuária 3A’s” se tornou cliente da Agromove. Eles já haviam atuado com o mercado futuro, mas o foco muitas vezes, era proteger-se do “fim do mundo”, como costuma dizer Dr. Renato (proprietário). O objetivo era evitar um desastre de mercado.

A Fazenda trabalha com recria e engorda em confinamento, com um volume de compras e vendas anuais acima de 5 mil cabeças. Além da necessidade de compra de insumos para o confinamento.

Problema

O histórico da empresa mostrava poucas operações com mercado futuro. Muitas vezes, quando o mercado já havia caído estruturavam operações de opções de venda (comprar put fora do mercado) para evitar um desastre maior. Esta operação (seguro de preço) para quem não conhece, protege o produtor de uma queda no mercado, se os preços do mercado caírem abaixo do valor da opção.

Às vezes, para baratear o custo destas opções, vendiam opções de compra (call fora do mercado). Esta operação é conhecida como “fence” e o produtor recebe um valor pela venda da opção. Trata-se de uma operação onde você estabelece um limite de ganho e um limite de perda, com a vantagem de ter um custo muito barato para fazer esta operação. Porém, limita seu ganho caso o mercado volte a subir.

Exemplo: se o mercado futuro estiver precificado a R$ 200/@, esta operação poderia estabelecer um limite de perdas abaixo de R$ 190,00 e o seu ganho acima de R$ 210,00/@ , sem ter um custo para isto. Se o mercado cair abaixo de R$ 190/@, o produtor recebe a diferença na sua conta da corretora. E somente se subir acima de R$ 210/@, ele irá vender a sua produção no mercado e depositar o que for acima deste valor na corretora. Entre estes valores, o produtor fica ao risco do mercado.

O resultado para a Fazenda era que, em grandes oscilações, o mercado mudava de direção, subindo acima do limite da opção (R$ 210,00/@) e eles acabavam não se beneficiando da alta. Além disto, sofriam com o efeito da alta da reposição.

Planejamento

Quando iniciamos o trabalho com o Dr. Renato, a primeira atividade foi definir o plano para se obter resultado em 2020. Isto envolvia conhecer todas as atividades de compra e venda fora da porteira. Compreender qual a quantidade de produtos e matéria prima teriam que comprar, quando e os valores previstos. Assim como, entender quando ocorreriam as vendas e qual a meta de lucro.

Metas iniciais:

  • Reposição: R$ 1.900/cab. a partir de outubro.
  • Vendas: acima de R$ 115/@ a partir de julho.
  • Milho para o confinamento: abaixo de R$ 42/saca em SP (equivalente a R$ 32/saca na região da Fazenda).
  • Expectativa de Lucro Operacional (EBIT): R$ 1.600.000,00.
  • Taxa de retorno: 2,4% ao mês.

Em menos de 30 dias (fev./2020), chegaram as notícias do coronavírus no Brasil e uma infinidade de dúvidas quanto ao orçamento e metas. O mercado continuou a trazer notícias alarmantes sobre o impacto da pandemia. Em abril, as cotações do mercado futuro para o vencimento outubro desabaram de R$ 215/@ para menos de R$ 180/@ em apenas 20 dias.

Nossas metas já eram! Dr. Renato me ligou perguntando se não devíamos fazer o seguro de desastre “fim do mundo”!!

Gerenciamento

Sentamos, revisamos o cenário com os fundamentos do mercado físico e concluímos que era uma oportunidade para protegermos uma parte da reposição. Não havia fundamentos para o mercado continuar caindo!!

Montamos uma posição de compra na BM&F de 30% da necessidade total de animais para reposição, com valor de mercado a R$ 192/@. Alguns dias depois, o mercado caiu mais um pouco e atingiu R$ 180/@. Estávamos perdendo R$ 10/@ na nossa posição!!

Em menos de 20 dias, o mercado retornou aos R$ 200,00/@ e realizamos a posição com R$ 30 mil de lucro. Acreditávamos que o mercado poderia subir mais, mas ainda existia muita incerteza e resolvemos garantir os lucros.

A partir de julho/2020, o mercado subiu acima dos R$ 215,00/@ e iniciamos nossas estratégias de vendas no mercado futuro e opções de futuro.

Resultado

O gerenciamento da estratégia é a parte mais importante do mercado. Uma lição importante é que:

não existe 100% de certeza em nenhum cenário, mas o bom gestor sabe identificar as oportunidades e conduzir a estratégia para maximizar o lucro.

Ainda não finalizamos as operações, mas já estamos com mais de 70% da estratégia concluída. Segue abaixo um resumo das projeções até o momento da publicação deste artigo.

Projeção de resultado atual:

  • Expectativa de Lucro Operacional (EBIT): R$ 2.200.000,00. Esta projeção de EBIT, está garantida pelo valor mínimo das opções. Se o mercado continuar subindo, ainda temos margem para melhorar os resultados.
  • Reposição: R$ 2.300,00/cab. Este EBIT já considera um aumento de R$ 1.000.000,00 no custo da reposição a ser comprada. Estamos aproveitando o resultado maior deste ano para diluir o custo alto reposição e iniciarmos 2021 com um estoque mais barato.
  • Taxa de retorno: 3,0% ao mês.
  • Ajustes em Bolsa já considerados no resultado: R$ 500 mil negativo. Este valor representa menos de 2% do faturamento da empresa, ou uma perda de R$ 3,50/@ vendida. Se considerarmos que o mercado variou entre a máxima e mínima do ano R$ 66/@, este valor de ajuste é insignificante.
  • As projeções de produção e produtividade não se alteraram durante o período.

Conclusão

Para concluirmos este artigo, vamos colocar algumas observações importantes.

1ª – Não perder a calma com as oscilações do mercado, focar nos fundamentos e nas metas. Repare que apesar das grandes incertezas que ocorreram ao longo do ano, tivemos a calma para analisar os fundamentos e explorarmos as oportunidades. Oportunistas trabalham com metas!!

2ª – Não nos preocupamos em precisar mudar a estratégia, mas em melhorar o resultado. Identificar oportunidades e gerenciar a estratégia é a essência de um bom gestor.

3ª – Apesar de termos pago ajustes no início, assim que percebemos que o mercado era mais forte, modificamos a estratégia. O bom hedger está focado no resultado da operação e não do mercado futuro!!

4ª – Repare que não houve alteração da produtividade, apenas do mercado em todo o cenário projetado. Ou seja, a produtividade não afetou o cenário em nenhum momento. Ocorreram mudanças nas dietas, mas não foi o maior desafio. As tecnologias, hoje presentes, permitem ao produtor corrigir rapidamente os desafios produtivos.

Lição: o mercado futuro não é uma boa ferramenta para prever preços, mas pode trazer grande oportunidade para os “oportunistas” que estiverem atentos.

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