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Por que devo saber o meu custo?

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Por que devo saber o meu custo?
Por que devo saber o meu custo?

Custo é um assunto que qualquer pessoa deve ficar muito atenta, seja ela relacionada a um negócio ou não. E quando se trata de um negócio agropecuário a atenção e os cuidados devem ser redobrados.

Esse cuidado a mais é muito importante! Mesmo que se conheça o contexto teórico, cada ambiente possui uma variação referente à sua natureza e isso afeta bastante o valor final.

Por conta disso, é considerável entender e estudar um pouco mais sobre os custos e as consequências de sua boa ou má gestão. Pensando nisso, a AGROMOVE entrevistou o especialista Alberto Pessina, para que você produtor rural, tenha uma maior noção da importância do custo na sua fazenda.

Introdução

Alberto Pessina é engenheiro agrônomo formado pela ESALQ-USP, com MBA pela Fundação Dom Cabral. Em sua trajetória foi Presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Pecuária Intensiva – Assocon, pecuarista com experiência em gestão de fazendas, confinamento e manejo intensivo de pastagem. É fundador e CEO da AGROMOVE.

Questões

Agromove: Por que devo saber o meu custo? Qual o impacto disso na minha produção?

Alberto Pessina: O essencial de uma boa gestão de custos, é definir os principais custos da sua atividade, aquilo que mais impacta o seu negócio. Saber onde está gastando é o primeiro passo para aumentar o seu resultado.

AG: Quais os principais pontos a serem avaliados para se ter uma melhor noção e um melhor controle dos custos?

AP: Existem 2 pontos importantes a serem considerados no controle dos custos:

O primeiro está relacionado com a classificação dos custos, se há uma classificação errada, a avaliação vai estar errada também. Existem 2 sistemas de avaliação mais utilizados.

Custo direto e indireto: mais usado na área de contabilidade. Este sistema é mais utilizado em empresas que possuem muitos produtos para serem vendidos. Por exemplo, supermercados e indústrias. Permite-se que custos indiretos sejam organizados, dentro de cada produto. Ou seja, se sua fazenda produz mais de três produtos como soja, milho e boi gordo ou touros, bezerros e cana, todos com os mesmos custos indiretos, talvez seja interessante utilizar este sistema. Pois, irá permitir uma melhor alocação dos custos indiretos.

Custo fixo e variável: mais usado para gestão ou gerenciamento. Este é um sistema mais simples, o importante é entender se há uma grande quantidade de custos que variam com a produção (que é o caso do agronegócio) e os que não variam, chamados de custo fixo. Quanto maior o custo fixo, maior o risco do seu sistema produtivo.

O segundo ponto é a geração de indicadores que permitem uma boa avaliação dos seus controles. E com isso, permitam gerenciar o impacto sobre o lucro.

Em ambos os sistemas, é possível gerar indicadores de avaliação dos custos, também é possível distribuir ou ratear os custos fixos e despesas nos produtos.

AG: Como controlar estes custos?

AP: O mais importante no controle de custos é ter em mente que é uma atividade cara. Portanto, a escolha do sistema de custos e o quê controlar ou não, é muito importante. Nossa recomendação é sempre levar em conta o custo benefício do controle de custos.

As fazendas, geralmente possuem poucos produtos e o sistema de custo fixo e variável é mais prático e menos custoso. As pessoas confundem muito o controle de etapas de produção com quantidade de produtos. Muitas vezes, desejam controlar o custo por etapa, mas produzem apenas um produto para ser vendido. Nestes casos, trata-se de uma questão de como ratear os custos fixos pelas etapas. Por exemplo, o produtor tem um sistema de cria, recria e engorda em confinamento, e deseja saber o custo do confinamento, dos bezerros e dos garrotes. Porém, ele vende apenas boi gordo e vacas de descarte. Dependendo do tamanho do rebanho, o custo deste detalhamento pode não valer a pena.

A segunda dica é identificar o que é mais representativo dentre os seus custos e iniciar o detalhamento por estes itens. Não se apegue a coisas pequenas, pois fica caro e o benefício gerado pode não pagar o custo do monitoramento. Fazendas com pouca mão de obra, podem dedicar o tempo do funcionário para atividades produtivas, que geram receita, ao invés de burocratizar o sistema. Em um sistema de controle bem ajustado, controle detalhadamente o que gera benefício financeiro superior ao custo do controle. Aprofundamos neste assunto no curso Lucrar Alto Fora da Porteira.

AG: No seu texto “Estratégias para reposição de animais na Pecuária de Corte”, você comenta que a uma forma de diluir o custo da cria na pecuária, por exemplo, é tendo uma melhor produtividade nos outros elos da cadeia. Comente um pouco mais sobre essa afirmação.

AP: Neste artigo nós comentamos sobre o efeito da reposição e o desafio da cria na pecuária.

A atividade de cria possui a ineficiência de produzir menos de um bezerro por vaca. Este gargalo aumenta o custo da reposição no sistema produtivo conforme comentamos no artigo. Uma forma de compensar este obstáculo, é aumentar a produtividade nos elos à frente, ou melhorar as ineficiências destes elos. Este efeito pode ser potencializado com o uso de tecnologias que melhoram o ganho de peso, ou melhorias no sistema de logística da cadeia, barateando o custo de transporte.

Ao logo dos anos, esta ineficiência tem aumentado o custo da reposição em relação à receita obtida com um boi gordo. Os ganhos de produtividade nos elos à frente da cadeia, têm permitido absorver este custo. O limite desta absorção está relacionado com a capacidade de ganho tecnológico dos outros elos. Se não houver ganho de produtividade e/ou gestão, o aumento do custo da reposição inviabilizará o sistema produtivo.

AG: Ter conhecimento da bolsa de mercadorias e futuros é uma atividade comum no dia a dia de diversos profissionais. Como isso traz benefícios para o produtor rural?

AP: A Bolsa de Mercadorias e Futuros (B3) ainda é muito pouco utilizada pelos produtores, apesar de ser uma ferramenta poderosa de proteção de lucro da produção. As tradings que costumam exportar ou comercializar a produção agrícola do Brasil já realizam a trava dos preços para o produtor. No entanto, na pecuária ainda se utiliza muito pouco esta ferramenta.

Nos últimos anos, este sistema tem evoluído através de contratos a termo, opções e futuros.

As commodities agrícolas costumam ter grandes oscilações de preço dentro de um ano agrícola. O milho, por exemplo, pode variar 49% entre a máxima e mínima no ano. A soja, 40% e o boi gordo, 24%. Estas oscilações costumam ocorrer num período muito curto de tempo, por volta de 90 dias. Imagine o impacto de uma queda de preços deste tamanho no lucro do produtor!

Tenho visto muitas pesquisas divulgando a preocupação dos produtores com o controle de custos. Porém, dado as oscilações citadas acima, o item que mais impacta o Lucro de uma fazenda é a receita e o produtor tem dedicado pouca atenção em melhorar a gestão do mercado. Normalmente, o produtor produz para entregar sua produção ao preço do mercado, mas ele deveria produzir somente se tiver mercado. Em nosso curso Lucrar Alto Fora da Porteira, ensinamos como as empresas podem começar a orientar a sua produção para o mercado.

As ferramentas futuras foram criadas justamente para permitir que o produtor minimize este risco, garantindo alimento para o mundo.

AG: Ter um bom manejo dos custos demanda tempo, como o produtor consegue equilibrar um bom manejo do custo e a sua produção?

AP: Como comentamos acima, o principal cuidado está em verificar o custo benefício do controle que está sendo realizado.

É comum encontrarmos empresas maiores controlando muitos dados. Porém, não geram indicadores úteis para seu uso. Estão usando o tempo de uma pessoa, sem gerar benefícios para a empresa.  Por outro lado, em empresas pequenas há poucas pessoas. Dedicar tempo à coleta de dados torna-se uma atividade muito cara, pois a pessoa poderia estar realizando uma atividade mais lucrativa. Por isso, o controle de custos deve começar com os itens prioritários e só deve ser ampliado, se gerar benefício suficiente para compensar o custo do controle.

Também verificamos que, algumas vezes, as pessoas adotam sistemas de controles padronizados que exigem muitas informações para gerar indicadores. No entanto, o número de funcionários da empresa é pequeno e não sobra tempo para realizar esta coleta de informações. Fato muito comum em fazendas.

Por isso, focar no custo benefício da coleta de informações é muito importante ao estruturar um sistema de controle de custos.

Curso Mercado Futuro e Opções de Futuros na Pecuária de Corte

Você quer aprender sobre Mercado Futuro e Opções de Futuros na Pecuária de Corte? Aprender a proteger sua produção 🐂 das oscilações do mercado! Como garantir uma reposição de animais utilizando o Mercado Futuro?

AG: Em seu texto “Perspectivas para a Pecuária de Corte em 2020”, você comenta que ter uma reflexão sobre o passado é importante para passarmos por uma crise da melhor forma possível. Como a atual crise influenciará no custo e como isso pode ser minimizado?

AP: Quando olhamos para o passado e tentamos buscar crises semelhantes, observamos que esta crise foi gerada por fatores externos e globais, gerando grande insegurança. Quando isto ocorre, normalmente há um impacto significativo no câmbio. Assim, é muito importante observar como o câmbio afeta a sua atividade.

No caso da agricultura, ele afeta os insumos. Em produtos exportáveis, como a soja, há um impacto na receita também. Na pecuária, há um impacto médio pelas exportações e um impacto grande pela demanda interna.

Outra forma de aprender com o passado é observar qual foi o impacto gerado por outras crises, desta forma é possível mensurar o potencial impacto da atual crise. Estes efeitos podem trazer oportunidades também. Por exemplo, o mercado futuro que exagerou ao derrubar o preço da @ em R$ 40,00, em apenas 15 dias. Esta queda chegou a ser maior que em crises anteriores e foi uma oportunidade para garantir a reposição e trabalhar os custos de matéria prima. Em pouco tempo, o mercado percebeu que havia exagerado e os preços voltaram a patamares regulares. Isto tem relação com gerenciar o mercado e não está relacionado com o controle de custos.

AG: Em muitos dos seus textos é possível notar a palavra oportunidade. Como ela se encaixa na questão custo para o produtor?

AP: Quando se conhece os principais custos do sistema e se dedica atenção ao controle destes, ao invés de desperdiçar tempo em custos pouco representativos, é possível perceber que: uma economia de 5% em um item que representa 50% da receita, vai gerar um aumento de 2,5% no lucro.  Enquanto uma economia de 10% em um item que representa 5% da receita, gera um aumento no lucro de apenas 0,5%.

Na agropecuária, 60 a 70% dos custos mais representativos estão fora da porteira. Portanto, a gestão de mercado é tão importante quanto a gestão da produção. Repare que a maior parte destes itens são custos variáveis e estão ligados às oscilações do mercado, o que leva a estratégia de mercado a trazer grande impacto no lucro do produtor. A oportunidade verdadeira está em saber trabalhar as oscilações do mercado.

Vejo o caso de uma fazenda de recria, o custo da reposição representa 45 a 60% da receita obtida com um boi gordo. Em um confinamento, o boi magro chega a representar 65 a 80% da receita obtida com o boi gordo. Esta variação está relacionada com a gestão do mercado e impacta diretamente no LUCRO da fazenda.

AG: Quando se trata de commodities, como conseguimos entender as oportunidades?

AP: As commodities agropecuárias, como comentamos acima, apresentam grandes oscilações de mercado. Estas oscilações são influenciadas por diversas forças do mercado e da cadeia produtiva.

Ao estudarmos o impacto destas forças sobre a cadeia, podemos entender como o mercado irá se comportar. E então, tomar decisões na hora certa, se aproveitando dos momentos de baixa para comprar e de alta para vender. Por exemplo, no caso do câmbio citado acima, o produtor de soja deveria comprar insumos rapidamente e vender a soja lentamente conforme o real desvaloriza.

Entender as forças de oferta e demanda pode orientar o produtor para onde deve dirigir a sua produção e se aproveitar dos movimentos de mercado. Por exemplo, na pecuária de corte, o pecuarista pode investir na cria e reduzir o investimento em engorda ao prever o movimento do ciclo pecuário.

Ou o engordador poderia ter arrendado pastos em 2019 e aumentado a quantidade de bezerros no seu estoque, se beneficiando da alta de preços provocada pela virada do ciclo.

As alternativas são muitas, mas o produtor precisa aprender a utilizar as ferramentas de gestão de mercado.

AG: Existe alguma conclusão ou mensagem que você gostaria de deixar para os leitores que estão acompanhando este artigo?

AP: Grande parte dos produtores tem mostrado preocupação com o controle de custos. A maior parte destes custos são variáveis e, portanto, relacionados ao mercado. Como comentamos no início deste texto, o controle de custos não gera lucro. Uma análise mais profunda dos principais custos mostra que são matéria prima e insumos relacionados ao mercado. Portanto, a gestão que impacta no lucro de fato, é o acompanhamento do mercado.

Você tem mais perguntas para o Alberto Pessina?

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>> Leia mais entrevistas em: “Cria: 5 principais entraves”. Nesta entrevista, Rodrigo Paniago, da Boviplan Consultoria Agropecuária nos responde as principais dúvidas sobre a fase de cria e comenta seus principais entraves.

>> Leia mais entrevistas em: “Recria: 5 principais entraves”. Neste texto, Marco Balsalobre responde quais são os principais entraves desta fase e porque ela é tão negligenciada.

>> Leia mais entrevistas em: “Engorda: 5 principais entraves”. Neste texto, Rogério Fernandes Domingues fala um pouco mais sobre os principais entraves na engorda e como isso pode ser prejudicial ao produtor.

>> Leia mais entrevistas em: “Conversa com especialista: As fábricas de ração na fazenda e a alimentação de qualidade para a pecuária brasileira”. Onde Antônio Sérgio Prandini responde as principais dúvidas sobre a implementação de uma fábrica de ração dentro da fazenda e sua viabilidade.

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