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Conversa com especialista: o AGRO e a CPR

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Colheita de Soja.

A agricultura representa cerca de 23% do PIB brasileiro e com isso, a demanda por financiamento é muito grande. Entendendo que não seria capaz de suprir tamanha procura, o governo abriu a participação para investidores privados.

Isso permitiu que novos horizontes fossem alcançados.

No entanto, são poucas as informações que o produtor tem acesso sobre a relação do AGRO com o mercado de capitais. Pensando nisso, nós resolvemos tirar as dúvidas mais frequentes com o especialista Carlos Pimenta.

Introdução

Carlos Pimenta é formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP e possui MBA em Finanças, Derivativos e Riscos pela FGV-SP. Possui mais de 21 anos de experiência no mercado financeiro, atuando em áreas comerciais e de estruturação de produtos financeiros para o agronegócio. Trabalhou na Octante Securitizadora S.A, HSBC Brasil e ABN Amro Real. Atualmente, é membro de três holdings familiares do agronegócio e sócio fundador da empresa EDAFO PEC, especializada em gestão de ativos pecuários e financeiros.

Questões

Agromove: Qual é a sua principal atividade no agronegócio atualmente?

Carlos Pimenta: Pecuarista da modalidade de engorda intensiva em confinamento. Os animais e insumos são adquiridos através de recursos vindos do mercado de capitais, principalmente de investidores pessoas físicas, através da emissão de CPR’s.

O motivo dos recursos serem originados, principalmente de pessoas físicas, é o fato de que estes investidores são isentos de imposto de renda na rentabilidade e de IOF, por estarem aplicando no agronegócio.

Foto: Confinamento VFL Brasil.
Foto: Confinamento VFL Brasil.

AG: Qual a importância do financiamento privado no agronegócio brasileiro hoje?

CP: Há uma relevante importância. Os agentes repassadores do governo, que são os bancos, têm seus recursos originados dos depósitos à vista dos seus correntistas e estes depósitos estão diminuindo. O que proporciona um menor volume para o financiamento do crédito rural com taxas subsidiadas. Além disso, o recurso oficial é muito exigente na solicitação de garantias, alienação fiduciária, hipoteca e penhor, podendo inviabilizar o desembolso ao produtor.

O dinheiro oficial tem pouca agilidade no desembolso, em razão das burocracias institucionais. Outra coisa importante, a taxa de juros e o prazo concedido não perfazem com a realidade do mercado como era antigamente, por exemplo: taxa de juros básica de 14% ao ano e os juros do crédito rural giravam em torno de 8% a 12,75% ao ano, dependendo da modalidade.

Uma outra questão importante, é o fato de que a grande maioria dos produtores possuem seu limite todo utilizado nos bancos oficiais e bancos privados, impossibilitando um volume superior para conceder um novo crédito.

AG: Quais as principais alternativas de financiamento para o produtor? Quais a vantagens e desvantagens delas?

CP: Quando se trata de grandes culturas (soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar) é possível realizar uma operação de barter (troca) com empresas de insumos agrícolas, ou seja, há uma antecipação de insumos agrícolas em troca de um volume “X” da commodity a ser entregue no futuro, em uma data pré estabelecida.

Através das operações de barter, surgem as derivações das operações do mercado de capitais, como por exemplo o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), onde são agrupadas uma porção de CPR’s (Cédula do Produtor Rural) a fim de reduzir o risco de crédito da operação e proporcionar uma taxa e prazo mais convidativo ao produtor.

Gado no Curral
Gado no Curral

AG: O que é CPR?

CP: CPR significa Cédula do Produtor Rural. Somente o produtor rural pode emitir a CPR, uma analogia a algum título do mercado financeiro é como uma duplicata rural. Porém, nela está descrita explicitamente, a data de início, vencimento, característica das commodities (em questão de quantidade) e as garantias inerentes ao produto. É um título executivo com jurisprudência consolidada.

AG: Quais foram as principais vantagens trazidas pela CPR para o agronegócio?

CP: Sua maior vantagem foi: a dívida tomada pelo produtor será paga com a moeda que ele conhece (a própria commodity). Além disso, o prazo inerente ao título está em conformidade com a sazonalidade da commodity, isto é, do plantio à colheita/ do boi magro ao boi gordo. Uma outra questão importante é o fato que na maioria das vezes a própria commodity é a garantia do título.

AG: Como é possível garantir a segurança do produtor e do financiador com essa cédula?

CP: A garantia é um conforto para o produtor, pois o financiamento encaixa no fluxo de caixa. Para o financiador, é a jurisprudência já consolidada junto às questões jurídicas, e o fato de ser muito difícil este título não dar um retorno satisfatório. Além disso, estes financiadores são em sua maioria empresas de insumos agrícolas, podendo assim realizar a troca (insumo vs. commodity).

AG: O valor desta cédula é pré estabelecido ou ele pode variar de acordo com a bolsa?

CP: O valor da cédula é pré estabelecido, porém a troca vai depender do valor da commodity no dia da troca no futuro. Por exemplo: Se a saca de soja está R$ 90,00 hoje para ser entregue em março 2021 e o produtor emitiu título no valor de R$ 90.000,00, ele deverá entregar 1.000 sacas de soja na data pré estabelecida.

Colheita de Soja
Colheita de Soja

AG: Existem as modalidades: CPR física e CPR financeira. Quais as principais diferenças entre elas?

CP: A CPR física é entrega do produto no futuro, ou seja, uma quantidade já pré estabelecida. Já na CPR financeira é necessário entregar um valor em dinheiro, é possível deixar um preço pré fixado ou correr o risco da volatilidade do valor da commodity.

AG: Existem vantagens e/ou desvantagens de uma destas modalidades sobre a outra?

CP: Sim. Na CPR física, o produtor já conhece a quantificação daquilo que será entregue. Se o preço da commodity subir na data da entrega do produto, o produtor irá deixar de aproveitar a alta do produto e, se o preço do produto baixar na data da entrega, o produtor não precisará compor uma maior quantidade do produto. Na CPR financeira, é possível saber com antecedência, mas é importante fazer o seguro de preço, para não se tornar vítima das mudanças de preço futuro da commodity.

AG: Como a Edafo Pec auxilia o produtor e quais ferramentas ela oferece?

CP: Para o pecuarista, nós prestamos um serviço de boitel, ou seja, todo pecuarista que coloca animais dentro do confinamento Edafo Pec, garante um adiantamento de até 50% para fazer a reposição dos animais colocados em confinamento. Para os investidores, nós temos investimentos em CPR. Ele pode comprar uma CPR, para a aquisição de @ de boi com um rendimento isento de imposto de renda e sem incidência de IOF.

AG: Existe alguma conclusão que você gostaria de deixar para os leitores que estão acompanhando este artigo?

CP: Vai ficar cada vez mais escasso o acesso à captação financeira junto a bancos públicos e privados. Produtores rurais devem começar a cada vez mais buscar desintermediação financeira, ou seja, buscar investidores diretos (empresas de insumos agrícolas ou fundos de investimentos). Para isso, ele deve ser o mais transparente possível em suas atividades na propriedade, tanto do ponto de vista financeiro quanto na produção a campo. Assim, o acesso ao mercado de capitais fica mais fácil e garantido.

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