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Cultura do milho e sua importância na atualidade

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espigas de milho
Foto: Sônia Bonato. Fazenda Palmeiras. Ipameri - GO.

Um dos nossos textos mais acessados é “Cultura da soja: sua importância na atualidade”. Que fala sobre o panorama da cultura da soja e o que a fez ser importante nos dias de hoje.

Pensando no interesse do leitor, decidimos por escrever outros textos, sobre outras culturas importantes, seguindo este mesmo modelo.

Desta vez, nós vamos conversar sobre a cultura do milho e o que o levou a ser uma das culturas mais cultivadas no mundo todo.

Origem do milho

De acordo com um artigo publicado na revista Nature, existem registros do cultivo de milho datados de mais de 5000 anos a.C. Estes registros foram encontrados na região litoral do México próximo ao golfo do México.

Esta cultura serviu por muitos anos como base da alimentação dos grupos da região. Principalmente grandes grupos como os Astecas e os Maias, e até outros grupos indígenas de toda a América. Os próprios índios Guaranis brasileiros já cultivavam o milho e o tinham como base da sua dieta.

Durante o período das grandes navegações o milho passou a ser difundido por todo o globo.

Fig. 1. Colonos ingleses encontram o milho indígena, em Massachusetts. Fonte: Seguindo os passos da história.
Fig. 1. Colonos ingleses encontram o milho indígena, em Massachusetts. Fonte: Seguindo os passos da história.

Uma curiosidade interessante sobre esta cultura é que, os nativos americanos, por vezes, plantavam milho, feijões e cucurbitáceas conjuntamente, formando sessões. Eles acreditavam que sua produtividade aumentava quando em conjunto e isso era devido ao espírito das três irmãs que viviam em cada uma destas plantas. Hoje, nós sabemos que esta produtividade realmente aumenta, devido à interação positiva entre as plantas acima citadas.

Fig. 2. As três irmãs. Fonte: Iowa Agriculture Literacy Foundation.
Fig. 2. As três irmãs. Fonte: Iowa Agriculture Literacy Foundation.

Cultivo do milho em escala comercial

Apesar desta cultura já estar presente na dieta brasileira desde antes da chegada dos colonizadores. Foi somente há 500 anos, que seu consumo se tornou considerável.

Porém, quando se pensa em cultivo a nível comercial, este período diminui para apenas 70 anos.

Como já comentado no nosso texto sobre a cultura da soja, o principal motivo da marcha para o oeste brasileiro foi a expansão da cultura da soja no cerrado. Contudo, com o surgimento da agroindústria na região sul do Mato Grosso, houve um grande incentivo na produção de milho. Principalmente por conta de a cultura ser muito importante na alimentação animal e humana.

Em um primeiro momento, a produção de milho nesta região foi muito baixa. De acordo com o pesquisador Clayton Bortolini, foi devido às condições edafoclimáticas diferentes da região sul, onde o agricultor já conhecia os métodos de produção. Hoje, o plantio desta cultura já é mais produtivo e sua principal região produtora é o Centro Oeste.

Assim como para a soja, a região do MATOPIBA ou MAPITOBA vem se destacando para o plantio do milho. Acredita-se que no ano de 2022 haverá um aumento da produtividade da região em 20%, pulando de 15 para 18 milhões de toneladas ao ano, enquanto em outras regiões este aumento será 5% em média.

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A cultura do milho no Brasil e no Mundo

Mundialmente consumido, o milho é a cultura mais produzida em nosso planeta. Em 2020, foi responsável por cerca de 36,7% da produção agrícola mundial.

Já no Brasil, o milho é a segunda maior cultura produzida. Na safra de 2019/20 foram colhidas mais de 102,3 milhões de toneladas, o que foi cerca de 2,3% maior que na temporada anterior.

Os três maiores produtores de milho no mundo são em ordem, Estados Unidos com uma produção de 347,05 milhões de t na safra 2019/2020, China com cerca de 260,77 milhões de toneladas, seguidos do Brasil.

Fig 3. Maiores produtores de milho 2020. Fonte: Farmnews.
Fig 3. Maiores produtores de milho 2020. Fonte: Farmnews.

O sistema agroindustrial do milho

O complexo milho ou sistema agroindustrial do milho abrange diversos mercados e produtos finais como o mercado alimentício e farmacêutico.

Muito embora seu uso seja abrangente, a esmagadora maioria da sua produção é voltada para outros produtos da agropecuária, principalmente para a alimentação animal.

De acordo com a AGEITEC (Agência Embrapa de Informação e Tecnologia), o complexo milho pode ser dividido nos seguintes segmentos:

  • segmento de insumos para a produção agrícola;
  • produção agropecuária;
  • segmento de comercialização e armazenagem;
  • segmento industrial de primeiro processamento, englobando a indústria de rações para alimentação animal e de moagem (úmida e seca);
  • segmento industrial de segundo processamento (integrado ou não à do primeiro processamento): produção animal e outros produtos finais derivados do milho (snacks, cereais matinais, mistura para bolos, sopas, etc.);
  • segmento de distribuição para o consumidor final (atacado e varejo).

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Tecnologias na produção do milho

Apesar da produção média de milho brasileira não ser extremamente alta, tendo um total de 5.355 kg/ha, e em casos de lavouras com altíssima produtividade 18.000 kg/ha (enquanto nos EUA a média é de 11.000 kg/ha), a cultura já apresenta grande crescimento na produção, se comparado com os anos 90, onde a máxima produção não passava de 7.000 kg/ha.

Este aumento na produtividade ocorreu principalmente, graças à tecnologia no campo e aos programas de melhoramento genético.

Mas falar apenas “tecnologia no campo” e “programas de melhoramento genético” é um pouco amplo demais. Por isso vamos separar em alguns tópicos importantes:

  • Genética e melhoramento

Antes de começar a falar sobre qualquer melhoramento sofrido pelo milho nos últimos tempos, precisamos falar sobre a origem e a evolução desta espécie.

De acordo com o artigo da revista Science intitulado: “Multiproxy evidence highlights a complex evolutionary legacy of maize in South America” (Evidência multiproxy destaca um complexo legado evolutivo do milho na América do Sul), as plantas de milho cultivadas nas Américas eram de um tipo muito mais primitivo do que até então se acreditava.

Sabe-se que o teosinto é a planta selvagem que deu origem ao milho e começou a ser domesticado após os seres humanos pré-históricos o estourarem próximo à fogueira (como pipoca) e consumir. No estudo citado acima, foi descoberto que o milho difundido por todo o continente americano já apresentava algumas características diferentes do teosinto, mas ainda não era o milho completamente domesticado como eles acreditavam.

Fig. 4. Distribuição da evolução do milho nas Américas. Fonte: EMBRAPA.
Fig. 4. Distribuição da evolução do milho nas Américas. Fonte: EMBRAPA.

Um vídeo muito interessante sobre a domesticação do milho é: “Popped Secret: The Mysterious Origin of Corn”.

Quando se fala de melhoramento genético do milho, nós podemos ver a hibridização e a transgenia.

A hibridização teve início na primeira parte do século XX, mais precisamente no ano de 1939, com o primeiro híbrido duplo desenvolvido pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas). Este híbrido possibilitou um aumento de 100%, ou seja, o dobro, da produtividade em comparação com as cultivares plantadas na época.

A partir daí, as empresas começaram a investir nesta tecnologia para aumentar e melhorar ainda mais a produtividade de milho a campo.

No século XXI, outra tecnologia foi introduzida à cultura de milho. Os milhos transgênicos começaram a ser comercializados e utilizados como resistentes a pragas e herbicidas, facilitando em muito o cultivo da cultura tanto na primeira, quanto na segunda safra.

Desde então, o desenvolvimento de novas cultivares, cada vez mais produtivas e resistentes, vem acontecendo.

  • Ambiente e suas mudanças

Independentemente do quão alto é o potencial da cultura a ser cultivada, fatores como nutrição, água, luz, qualidades físicas do solo e outros são essenciais para o máximo aproveitamento deste potencial. Como já conversamos no texto 5 fatores que podem ser os responsáveis pela perda de produtividade da lavoura.

Para que boas práticas de campo possam ser usadas de forma eficiente e a planta possa mostrar seu potencial genético é importante fazer um planejamento de campo e econômico, assim qualquer imprevisto negativo será evitado ou reduzido.

  • População de plantas

Sabemos que a redução do espaçamento entre as plantas na lavoura aumenta a produtividade por área. No entanto, para que isso possa ser ainda mais eficiente, hoje, programas de melhoramento vêm investindo em mudanças morfológicas nas plantas.

Ou seja, algumas das cultivares mais modernas de milho vêm apresentando folhas mais eretas, assim elas podem captar melhor a luz solar, mesmo em uma população mais densa.

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Panoramas futuros para a cultura

Com demanda aquecida, bons índices de exportação e o câmbio desvalorizando o real ante ao dólar, o preço do milho vai continuar alto até pelo menos o segundo semestre de 2021. De acordo com o site “Notícias agrícolas” o analista da Rabobank, Victor Ikeda indica que:

“Somente um câmbio mais baixo seria capaz de modificar este cenário, mas que, no momento, nada sinaliza esta tendência. Inclusive, o real valendo menos do que o dólar deve ser fundamental para a manutenção da competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.”

Além disso, outro agente importante dessa conta é a China. O país que antes importava 3,8 milhões de toneladas de milho por ano, vai passar a importar 24 milhões na safra 20/21. O que trará benefícios, principalmente para os Estados Unidos, como principal exportador, mas também indiretamente para o Brasil.

Outros fatores que influenciarão o panorama futuro do milho no Brasil vão depender do desfecho da pandemia, mas eles se mostram bastante promissores.

>> Leia mais em: “Cria: 5 principais entraves”. Nesta entrevista, Rodrigo Paniago, da Boviplan Consultoria Agropecuária nos responde as principais dúvidas sobre a fase de cria e comenta seus principais entraves.

>> Leia mais entrevistas em: “Recria: 5 principais entraves”. Neste texto, Marco Balsalobre responde quais são os principais entraves desta fase e porque ela é tão negligenciada.

>> Leia mais entrevistas em: “Engorda: 7 principais entraves”. Neste texto, Rogério Fernandes Domingues fala um pouco mais sobre os principais entraves na engorda e como isso pode ser prejudicial ao produtor.

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>> Leia mais em: “Por que devo saber o meu custo?”. Onde Alberto Pessina responde as principais dúvidas sobre gestão de custos.

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