Fake News e como elas podem ser prejudiciais para o Agro

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Com o advento da internet, e posteriormente com a criação das redes sociais e dos aplicativos de bate-papo, a circulação de informações tornou-se cada vez mais rápida e passou a alcançar cada vez mais pessoas. Muito embora essa tecnologia tenha facilitado em muito as nossas vidas, ela trouxe consigo um lado negativo também. Nos últimos anos passaram a circular diversas informações pela internet, principalmente dentro dos aplicativos de bate-papo que não condizem com a realidade. Essas informações apelavam para o lado emocional do leitor e desde o seu início já possuía um poder viral. Com o tempo, essas falsas informações passaram a se multiplicar e hoje elas são muito comuns. São popularmente conhecidas como Fake News.

As Fakes News estão atingindo o Brasil em todos os âmbitos, inclusive no Agronegócio. Recentemente, houve a circulação de diversas destas informações irreais referentes ao Agro.

Mas como as Fake News podem prejudicar no nosso Agro e as pessoas que com ele trabalham?

Para responder essa e outras dúvidas, nós da Agromove, fizemos uma entrevista com duas das fundadoras da Liga do Agro, Mariely Biff e Noelle Viegas Foletto.

Questões

Agromove: Conte-nos um pouco da história de cada uma de vocês e qual a sua relação com o agro.

Noelle: Eu sou Noelle Viegas Foletto (32), sou Engenheira Agrônoma (UFSM) e produtora rural. Após minha formação tive algumas experiências em multinacionais, principalmente com soja e milho, no entanto minha família é produtora de arroz e há um ano eu voltei para trabalhar na lavoura com minha família na cidade de Itaqui. Minha relação com o agronegócio começou desde pequena e é uma relação muito profunda, apesar do meu desejo de fazer o curso de agronomia ter vindo somente mais tarde.

Mariely: Minha relação com o agro vem desde pequena. Sou filha e neta de produtores rurais, morei até os 7 anos na fazenda, então, sempre visitava a lavoura, além de ir colher na pequena horta que meu pai criou para cultivar algumas frutas, legumes e verduras.

Sou formada em Administração de Agronegócios, trabalhei no Sicredi, passando pela gerência da carteira rural, atendendo produtores rurais e pecuaristas por 6 anos. Simultaneamente, dei aula em 2 faculdades para o curso de Administração. Posteriormente, me formei nos cursos de Produção Integrada Agropecuária, na UFV e Agronegócios, na ESALQ e, desde 2011, atendo produtores rurais e empresas do agro em consultoria de sucessão familiar.

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AG: O que levou vocês a fundarem a Liga do Agro?

N: A Liga do Agro surgiu das nossas conversas e de toda a nossa vontade de defender o agronegócio. Nós sempre notamos nos grupos e conversas pessoais, que os produtores rurais não possuem tempo para “se defender”, pois estão sempre trabalhando. As pessoas acabam atacando o agro baseando-se em achismos. Com isso, nós encontramos uma forma de desmistificar um pouco estas atitudes. Já fazíamos isso de uma maneira mais simples e pessoal e com a Liga, nós apenas tornamos isso formal, demos um corpo a isso.

M: A Liga, na verdade, começou sem o propósito que ela tem hoje. Inicialmente, nós tínhamos o grupo Rainhas do Agro, e como temos boas relações com outros profissionais, sempre trocamos bastante informação à título de conhecimento. Após uma conversa, nós decidimos levar mais informação, informações baseadas em fatos, para as pessoas que não são do setor. Ao amadurecer isso, o grupo Rainhas do Agro, que já estava grande, tornou-se a Liga do Agro.

AG: No ponto de vista de vocês, como as fake news podem prejudicar o Agro?

N: Elas acabam ganhando proporção, pois de certa forma, elas invadem, talvez, o imaginário das pessoas e se confundem com as crenças que elas já carregam. Então isso acaba atrapalhando, em muito, o nosso trabalho. Acho que elas ganham força por serem muito bem construídas. Nós sempre temos que nos perguntar a quem se refere aquilo, porque de uma certa forma alguém acaba “sendo ajudado” por aquela fake news. Seja alguém que vá contra o agro ou algo do tipo.

E até a gente conseguir provar o contrário, leva tempo e demanda muita energia. O maior problema é que essas informações falsas, acabam por prejudicar mais os pequenos produtores do que os grandes setores. Talvez pelo fato dos grandes setores possuírem um capital maior para investir em uma ação de marketing para reverter aquilo, já o produtor rural para conseguir algo, acaba tendo que se unir com seu sindicato rural ou com outras pessoas.

M: Eu acho que toda mentira prejudica qualquer setor. As pessoas, hoje em dia, têm o triste costume de compartilhar tudo que elas veem na internet sem procurar saber a veracidade daquilo. Então, tudo que é postado e é falso acaba prejudicando o trabalho e até mesmo a vida de alguém. No agro, é muito ruim, pois o setor é vítima, há muito tempo, de muitas críticas.

Isso acaba desmerecendo todo um trabalho que está por trás do pacote de arroz, da caixa de leite ou da roupa que as pessoas usam. Enfim, elas prejudicam o setor como um todo.

AG: Como vocês são afetadas por estas informações?

N: Acaba sendo mais um malefício indireto. Como já disse, o produtor e o pecuarista estão mais preocupados em fazer o seu trabalho corretamente. Hoje no Brasil, nós temos uma legislação bastante justa para quem produz e eu considero impossível produzir sem cumprir a legislação. Então o produtor acaba focando no seu trabalho e quando notam a fake news os prejudicou. Porque as pessoas pararam de consumir certo tipo de alimento ou ficam desconfiadas do alimento, criam até campanhas contra tal alimento. Isso não nos afeta diretamente, mas acaba minando aos poucos, a confiança das pessoas e atrapalha toda a cadeia. Ao meu ver, essas fake news são um problema social, no sentido de que todas as pessoas acabam ficando com a “pulga atrás da orelha”, pois ela é muito bem construída.

M: Acho que essa questão, nos atrapalha no sentido do gasto de energia constante para rebater essas mentiras. Por exemplo, falar do agro com uma mesa composta por pessoas leigas no agro, você tem que explicar tudo desde o princípio. Isso acaba até afetando alguns relacionamentos interpessoais, porque muitos sequer entendem ou querem entender a respeito. Em alguns momentos, me sinto desconfortável com abordagens que só tem o intuito de agredir o setor.

AG: Quais fake news vocês mais ouvem?

N: Que as pessoas bebem ou comem tantos litros de agrotóxicos, que o Agro está destruindo o planeta, que as vacas estão destruindo a camada de ozônio. Nós sabemos, através de órgãos oficiais, pesquisas e estudos, que nada disso é verdade. Que o agro utiliza o agroquímico de maneira correta, respeitando a bula, entrega um produto que não vai levar agroquímico até a boca de ninguém. Os produtores são responsáveis pelo que se reflete no seu produto, então eles vão tomar cuidado. Então, ninguém bebe agroquímico, nem come.

M: Preservação ambiental (desmatamento e queimada), agrotóxicos e a questão da pecuária. Essas questões são as mais comuns, e são bastante agressivas. A pessoa que não tem conhecimento acaba esquecendo de toda a fiscalização existente e de como é custoso produzir no país.

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AG: Como vocês lidam e o que fazem para reverter essas informações falsas?

N: Aconselho que as pessoas leiam e estudem a respeito do assunto. Nem tudo que está nas redes sociais é real. Algumas vezes é falso ou meio falso e nem sempre é culpa de quem escreveu, as vezes é a falta de fonte. E também vai depender da interpretação. Então, recomendo que busquem órgãos nacionais que vão representar nossa realidade. Não devemos pesquisar aqui o que acontece em outro país, pois é uma realidade completamente diferente.

M: Sobre esta questão, sempre digo que existem 3 personagens. Primeiro, aquele que gosta de ver todo mundo brigar. Depois o que posta algo, pois acha que é verdade e sai distribuindo mentira convicto de que aquilo é verdade. E o último é aquele que possui um pouco de fundamento, mas não consegue construir um argumento e acaba por fazer mais bagunça. Nós combatemos isso levando informação verdadeira, com base científica e dados e jamais bater de frente. Nunca reagir atacando, pois isso não muda a realidade de ninguém. Nosso objetivo é levar o conhecimento sem atacar ou desrespeitar a opinião do outro.

AG: O que nós, pessoas que trabalham com o Agro, podemos fazer para evitar que pessoas façam afirmações incorretas sobre esse assunto?

N: Nós do Agro podemos ajudar a desmistificar essas notícias. Difundindo boas informações e de qualidade. Para que as pessoas leigas possam entender. Sempre digo que temos que explicar da forma mais simples possível. Sempre devemos também, referenciar órgãos de abrangência nacional e de relevância, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

M: O Agro é unido em causas solidárias, mas é desunido na comunicação. Não somente entre os profissionais, como também entre as entidades. Por exemplo, o AGRO SABER (plataforma online do governo federal para explicar o agro) possui apenas 2000 seguidores, isso levanta o questionamento sobre qual é o trabalho que o governo precisa fazer para alcançar mais pessoas. O que eu acredito é que nossa mensagem não deve ser somente do agro para o agro. Essa união, levando conhecimento de qualidade precisa alcançar as cidades.

AG: Sabe-se que grande parte do compartilhamento destas informações incorretas ocorrem nos grandes centros urbanos. O que podemos fazer para diminuir a desinformação que ocasiona esse inconveniente?

N: As embalagens de alimentos poderiam conter mais informações. Com o avanço da tecnologia, muitas pessoas inseriram nas embalagens, por exemplo, os QR Codes. Acredito que seria interessante, por exemplo, se o mercado exibisse a foto do produtor que produziu determinado alimento e uma explicação. Seria uma forma de aproximar as pessoas do campo. Acho que quando não se conhece a realidade do outro, é muito mais fácil julgar.

M: Falar do agro para a população em geral, escolas, e outros. Eu quando estudava tinha “práticas agrícolas”, hoje em dia não existe mais nada disso. É bem interessanteo trabalho destes grupos que levam dia de campo nas escolas. Acredito que o nosso trabalho também tem o objetivo de alcançar esses futuros formadores de opinião.

AG: Como identificar uma fake news?

N: Essa pergunta é interessante. Quando você lê uma reportagem que você considera chocante ou fica em dúvida. Procure a fonte, quem escreveu, se cita algum órgão ou ministério ou alguém de relevância nacional ou se é só uma opinião. Se é só a opinião de alguém, nós temos que discernir, esse é o princípio da liberdade de imprensa, cada um pode expor sua opinião. Mas é necessário ter muito cuidado, pois a liberdade te traz também responsabilidade. Eu não saio da minha casa julgando o trabalho de um dentista ou um médico, mas as pessoas dizem que a forma que os produtores trabalham é errada. Então é uma questão de “botar a mão na consciência” e ver se faz sentido. A melhor forma de identificar uma Fake News é buscar sempre a verdade e compartilhá-la.

M: Primeiro a gente precisa olhar muito bem a fonte antes de compartilhar. Por exemplo, a fulana minha vizinha falou que o primo dela falou para não sei quem … Pera aí, vamos verificar qual é a fonte, procurar fontes seguras. Pesquisar em órgãos do governo ou instituições de pesquisa. Também temos que verificar se não há um viés político. Eu acredito que é necessário buscar informações com profissionais.

Na era da informação pela internet, acredito que não existe mais desculpa para que haja desconhecimento sobre estes assuntos.

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AG: Existe alguma mensagem ou recado que gostariam de deixar para os nossos leitores?

N: O conhecimento sempre vai ser uma arma muito poderosa para qualquer pessoa, então se as pessoas buscarem compreender, entender e estudar sobre determinado assunto, aquilo vai fazer bem para a vida dela. Eu acho que todo mundo tem que entender um pouco mais sobre alimentação, sobre natureza, sobre cultivo. Eu brinco que todo mundo deveria plantar alguma coisa na sua casa, não só o feijão no algodão, cuidar de uma planta para você ver como é, pode ser complexo.

Aí você imagina a vida de um produtor que cuida de milhares de plantas e uma enorme área plantada durante muito tempo. É muito complexo.Eu acho que quando as pessoas começam a entender a realidade do outro, conseguem se colocar no lugar do outro, fica melhor para todo mundo e isso também é conhecimento e conhecimento é poder. Então busquem conhecimento autêntico e isso acaba fazendo bem para todos nós.

M: Sigam a Liga! Nós temos um time de conteúdo com profissionais da área, então tudo que nós publicamos passamos pela aprovação desses profissionais. Não só nossa página, mas também outras páginas de confiança, que levam a verdade dos fatos. 

Você tem mais perguntas para a Mariely e a Noelle?

Seus e-mails para contato são: [email protected]  e [email protected].

Elas também podem ser encontradas no instagram: @ligadoagro, @marielybiff e @nononaestrada.

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