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Fosfatagem: O que é? Por que realizar?

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Plantas germinando

Introdução

Os solos brasileiros, apesar de apresentarem uma boa aptidão agrícola, podem melhorar consideravelmente sua produtividade conforme são corrigidos. Das práticas corretivas mais realizadas no país, coloca-se a fosfatagem como uma das mais relevantes atualmente. 

O Fósforo (P) é um dos macronutrientes primários, sendo exigido em grandes quantidades pelas culturas, possuindo em condições naturais, teores insatisfatórios na maior parte do território nacional, sendo por vezes, o nutriente limitante da produtividade. Deste modo, fica claro que a utilização correta dos fertilizantes fosfatados, além do aumento de sua eficácia é necessário para aumentar o parâmetro de produção do Brasil (EMBRAPA, 2016).

Segundo Luz e Vitti (2008) dentre todos os fatores que afetam a disponibilidade de fósforo no solo, coloca-se alguns como os principais:

  • Forma do P no solo;
  • Teor e tipo de solo;
  • pH;
  • Teor de matéria orgânica;
  • Manejo da adubação fosfatada;
  • Ciclo do fósforo no solo

Ciclo do Fósforo no solo

O fósforo possui um complexo ciclo no solo, sendo presente na matéria orgânica e em fontes minerais. Além disso, este elemento se encontra na solução do solo e adsorvido aos colóides. A forma na solução é aquela disponível de imediato para as plantas, e remete ao P na forma dos íons ortofosfatos primários e secundários. Já a fração fixada pode ser subdividida pela sua capacidade de retornar à solução, sendo estas as frações lábil, moderadamente lábil e não-lábil.

Figura 1: Ciclo do fósforo no solo. Fonte: Adaptado de Pinto, 2012.
Figura 1: Ciclo do fósforo no solo. Fonte: Adaptado de Pinto, 2012.

A fixação de fósforo é considerada uma forma de perda do nutriente no sistema, visto que este se indisponibiliza à medida que “envelhece” nos solos. Além disso, é maior em solos com altos teores de óxidos de ferro e alumínio, uma vez que possuem um alto ponto de carga zero (PCZ), e assim, reagem mais fortemente com ânions no solo, incluindo os fosfatos. A mitigação da fixação, conceito no qual se baseia a fosfatagem, é uma das formas mais eficientes de aumentar a disponibilidade do elemento, e assim, melhorar a produtividade alcançável de todo o sistema (PITOMBEIRA, 2013).

É estimado, por Alleoni et al. (2019), que 25 a 75% do fósforo no solo, na camada superficial, está na forma orgânica, ou seja, na forma iônica fosfato (PO43-), o qual está ligado a diversas estruturas húmicas. Além disso, as formas do elemento na fração sólida podem suprir ou tamponar a concentração da solução, conforme ocorre a absorção pelas plantas (FURTINI NETO et al., 2001). Segundo os autores, há um equilíbrio entre as fases sólidas e a solução, referido como a quantidade disponível de fósforo. Assim, essa parte em equilíbrio com a solução é denominada também como “P lábil”.

A adsorção também remove a fração de fosfatos diretamente disponíveis para as plantas, tornando-os fixados nas superfícies das argilas, ligados covalentemente. Esta ligação covalente, por ser relativamente forte e energética, tende a mantê-los na forma lábil. Isso não impede que possam voltar à solução (FURTINI NETO et al., 2001). A fixação possui impacto direto no manejo que o solo terá. Solos argilosos e com mais óxidos de alumínio ou de ferro fixam mais eficientemente os fertilizantes ou corretivos colocados. Estas formas fixadas não estão disponíveis para a absorção radicular, e devem passar pela dessorção para poderem ser absorvidas (RINCÓN, 2012).

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Por que realizar a fosfatagem?

Conforme visto no tópico anterior, a passagem do fósforo da solução para as frações insolúveis e sua indisponibilização após a aplicação é algo recorrente e acarreta em perdas econômicas. Uma das formas de evitar essa insolubilização e melhorar a absorção de fósforo pelas plantas se dá pela fosfatagem.

Nesse sentido, a fosfatagem consiste na prática corretiva que visa fornecer altas doses de fósforo para que estes sítios de adsorção fiquem preenchidos e, assim, aumentar a eficiência de posteriores adubações fosfatadas (EMBRAPA, 2016). Em geral, são utilizadas para esta prática fontes menos solúveis, pois costumam ser mais baratas e possuem maior efeito residual. Um exemplo são os fosfatos naturais reativos (FNR) (PITOMBEIRA, 2013).

Por fim, de acordo com Sgarbiero e Vitti (2019), a fosfatagem tem um efeito indireto de aumento de produtividade. Pois, com a correção dos teores deste elemento no solo, o volume explorado pelas raízes passa a ser maior, aumentando a absorção de água e de demais nutrientes e também a resistência a pragas de solo.

Recomendação de fosfatagem

A análise do P do solo através do método da resina sofre baixa influência do teor de argila, não sendo necessário dividir o nível crítico de P no solo de acordo com sua textura caso seja utilizado este extrator. Assim, níveis críticos de 15 mg.dm-3 a 20 mg.dm-3 são suficientes para obter-se 80% a 90% da produtividade potencial, utilizados para recomendações em sistemas de mais ou menos risco, respectivamente (EMBRAPA, 2016). Além do teor do elemento, pode ser recomendada a fosfatagem com base na CTC ou no teor de argila. Desta forma, os critérios para esta prática são (VITTI; MAZZA, 2000 apud PAVINATO, [201-?]):

● CTC < 60 mmolc.dm-3;

● Argila < 30%;

● P resina < 15 mg.dm-3.

A fosfatagem tem por objetivo aumentar o teor de fósforo para o nível adequado, sendo que a dose utilizada do fertilizante pode ser calculada com base no teor crítico e na capacidade do solo de adsorver P, ou seja, a capacidade tampão de fósforo (CTP). A CTP é a dose necessária de P2O5, em Kg.ha-1, para elevar o teor de P no solo em 1 mg.dm-3 na camada de 0-20 cm, variando de acordo o teor de argila e o extrator de P da análise de solo. Assim, a dose de P2O5 na adubação corretiva é obtida através da seguinte fórmula (SOUSA et al., 2006 apud EMBRAPA, 2016):

𝐷𝑜𝑠𝑒 𝑑𝑒 𝑃2𝑂5(𝐾𝑔.ℎ𝑎−1) = (𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑗𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑃−𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑎𝑡𝑢𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑃) 𝑥 𝐶𝑇𝑃

Resultados

Abaixo observa-se trabalho realizado por Sousa et al (2006), onde demonstra a utilização da prática de fosfatagem em alguns cultivos de soja e milho em Latossolo Vermelho argiloso. Verificou-se a produtividade de grãos em toneladas por hectare em 7 cultivos seguidos.

Figura 2: Produtividade de grãos de acordo com a fonte de fósforo utilizada. Fonte: Souza et al., 2006.
Figura 2: Produtividade de grãos de acordo com a fonte de fósforo utilizada. Fonte: Souza et al., 2006.

A produtividade de grãos acumulada para os sete anos foi 32,3; 36,2 e 37,0 t ha-1 de grãos de soja e de milho, respectivamente para os tratamentos: sem fosfatagem corretiva e com fosfatagem corretiva utilizando superfosfato triplo e FNR. Desse modo, conclui-se que a utilização da prática de fosfatagem nesse experimento elevou as produtividades quando comparada ao tratamento sem a correção.

Conclusão

A prática de fosfatagem é de suma importância para os solos, principalmente na região tropical. A prática auxilia no fornecimento de fósforo com fontes menos solúveis, propiciando um aumento da quantidade desse nutriente, o qual atua no preenchimento dos sítios de adsorção, favorecendo maior eficiência na adubação fosfatada. Vale salientar que a prática é recomendada para solos que não tenham grande quantidade de argila.

Por fim observa-se que a prática pode inicialmente não ter respostas significativas, entretanto visa aumento gradual desse nutriente no solo, sendo observada respostas ao longo dos ciclos das culturas.

Para saber mais sobre o assunto aguarde os próximos posts sobre a importância da adubação, ou entre em contato com o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão – GAPE que possui área de atuação em nutrição de plantas e adubação.

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Referências

ALLEONI, Luís Reynaldo; CERRI, Carlos Eduardo; REGITANO, Jussara Borges. Química e Fertilidade do Solo: Aulas teóricas. Química e Fertilidade do Solo, Piracicaba, Brasil, p. 1-144, 1 jan. 2019.

 DE SOUSA, D. M. G.; NUNES, R.S.; REIN, T. A.; SANTOS JUNIOR, J. Manejo da adubação fosfatada para culturas anuais no cerrado. Embrapa Cerrados. Circular Técnica (INFOTECA-E), 2016. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1061419. Acesso em: 04 nov. 2020.

FURTINI NETO, Antônio Eduardo et al. Fertilidade do solo e nutrição de plantas no agronegócio: fertilidade do solo. Lavras: Faepe, 2001. 261 p.

PAVINATO, Paulo Sérgio. Fertilizantes fosfatados: matérias primas, obtenção e ação fertilizante. Piracicaba: Esalq, [201-?]. 48 slides, color.

PINTO, Flávio Araújo. Sorção e Dessorção de Fósforo em Solos do Cerrado. Universidade Federal de Goiás, 2012.

PITOMBEIRA, Kamila. Fosfatos naturais são econômicos: Utilização de sais brasileiros promove economia do fertilizante solúvel através de maior eficiência agronômica. 2013. Disponível em: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=25193&secao=Agrotemas. Acesso em: 04 nov. 2020.

RINCÓN, Laura Emilia Cerón; GUTIÉRREZ, Fabio Ancízar Aristizábal. Dinámica del ciclo del nitrógeno y fósforo en suelos. Revista colombiana de Biotecnología, v. 14, n. 1, p. 285-295, 2012.

SGARBIERO, Eduardo; VALE, Fabio; VITTI, Godofredo Cesar. PRÁTICAS PARA CORREÇÃO DOS SOLOS (CALAGEM E GESSAGEM) FERTILIZANTES COM MACRO E MICRONUTRIENTES UTILIZADOS NA NUTRIÇÃO DAS CULTURAS. 02. ed. Itápolis: Adubai e Vittagro, 2019.

SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E.; REIN, T. A. Recomendação de adubação fosfatada com base na capacidade tampão de fósforo do solo para a região do Cerrado. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 27., 2006, Bonito. Resumos expandidos… Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2006.

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