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Práticas Corretivas: Por que realizá-las?

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Aplicações de corretivos e fertilizantes em área total.
Foto: @pedrohenrique.agroph

Introdução

Os solos brasileiros, apesar de serem bastante propícios para a agricultura, apresentam limitações que podem interferir negativamente na produção. Dentre as limitações, algumas ganham destaque como: acidez, alta concentração de alumínio e baixa disponibilidade de fósforo. Segundo Meurer (2006), a maioria dos solos do Brasil apresentam pH abaixo de 5,5, sendo assim os problemas de acidez e suas consequências estão presentes em quase todas as lavouras do nosso país.

As condições citadas impactam severamente a produção agrícola, pois interferem na nutrição de plantas, refletindo no crescimento e desenvolvimento da lavoura, reduzindo sua produtividade.

Mas, existem formas de contornar essas condições. As práticas corretivas são as melhores amigas do produtor quando o assunto é correção e condicionamento do solo, pois elas melhoram as características do meio, garantindo um ambiente propício para o cultivo e, consequentemente, melhores resultados de produção. A seguir serão listadas as três principais práticas corretivas e suas respectivas importâncias para que sejam conquistados bons resultados na lavoura.

Calagem

A calagem é a prática corretiva mais conhecida e realizada. Ela consiste na adição de calcário no solo, buscando o aumento do pH e, consequentemente, a redução da acidez. Essa prática é realizada geralmente três meses antes da semeadura, na etapa de preparo do solo, para que o carbonato de cálcio tenha tempo para reagir com as partículas do solo.

Há vários benefícios que a calagem traz para o sistema solo-planta através do aumento do pH, por exemplo (FURTINI NETO et al., 2001):

  • Neutralização do alumínio tóxico em superfície:

As hidroxilas liberadas na reação do calcário neutralizam o alumínio em superfície gerando Al(OH)3, forma não absorvível pelas plantas;

  • Aumenta disponibilidade da maioria dos nutrientes:
Figura 1 - Práticas Corretivas - Efeito do pH do solo na disponibilidade de nutrientes e do alumínio.
Fonte: Adaptado de Malavolta (1980) apud. Vitti (2020).
Figura 1 – Efeito do pH do solo na disponibilidade de nutrientes e do alumínio.
Fonte: Adaptado de Malavolta (1980) apud. Vitti (2020).

Como mostra o gráfico de Malavolta (1980) há uma faixa de pH adequada em que os nutrientes são melhor aproveitados pelas plantas, sendo assim a calagem faz com que o solo alcance esses valores de pH, proporcionando melhores condições para a nutrição vegetal.

  • Aumento da concentração de cátions básicos, principalmente cálcio e magnésio:

O calcário é composto, em sua maioria, por cálcio, podendo apresentar magnésio também dependendo de sua formulação.

  • Favorece a atividade microbiana:

Para a atividade de microrganismos, faixas de pH próximas a neutralidade são ideais. Sendo assim, processos mediados pela microbiota do solo, como a decomposição de matéria orgânica e mineralização de nutrientes, são favorecidos pelo aumento do pH.

  • Aumenta CTC (capacidade de troca de cátions):

Com o aumento do pH e a neutralização do alumínio, a calagem faz com que mais sítios de troca dos coloides do solo fiquem com carga negativa, favorecendo a retenção de cátions como Ca2+, Mg2+ e K+.

No geral, através das consequências positivas que a calagem traz para o solo é possível que o sistema radicular das plantas explore mais o ambiente, o que acaba por estimular o crescimento e desenvolvimento do mesmo (FURTINI NETO et al., 2001).

Calagem. Foto: Votorantim.
Foto: Votorantim.

Gessagem

Uma outra alternativa de manejo da acidez em profundidade é a utilização do gesso para a melhoria do ambiente radicular, na região abaixo da camada corrigida pelo calcário. O produto é aplicado na camada superficial do solo e, após sua dissolução, irá fixar-se abaixo dessa, graças à sua alta mobilidade nos primeiros centímetros do solo. A lixiviação do Ca no perfil favorecerá o desenvolvimento das raízes, e permite às plantas superar veranicos e usar, com mais eficiência, a água e os nutrientes disponíveis no solo (SOUSA e RITCHEY, 1986).

Existem inúmeras utilizações para o gesso agrícola, entre elas, os principais objetivos de sua aplicação são:

  • O uso como condicionador de subsuperfície;
  • Correção de solos sódicos ou com excesso de potássio;
  • Redução da salinidade do solo;
  • Como efeito fertilizante. (VITTI et al., 2007).

Para corrigir a acidez e a deficiência de Ca e Mg em superfície, a calagem é suficiente, entretanto, para a correção em profundidade, o gesso agrícola ajuda a movimentação de cátions em profundidade para camadas subsuperficiais, com isso, o uso do gesso agrícola resulta em uma diminuição da atividade do alumínio em subsuperfície, além de fornecer cálcio em profundidade, promovendo maior crescimento radicular. A Figura 2 mostra a distribuição de raízes de milho no perfil do solo comparando a aplicação de gesso agrícola à aplicação de calcário.

Figura 2. Práticas Corretivas - Distribuição relativa do sistema radicular de milho (Cargill III) cultivado na estação seca de 1983, 90 dias após emergência (lançamento de espiga), sem e com aplicação de gesso, no perfil de um solo LE argiloso.
Fonte: Sousa e Ritchey (1986).
Figura 2. Distribuição relativa do sistema radicular de milho (Cargill III) cultivado na estação seca de 1983, 90 dias após emergência (lançamento de espiga), sem e com aplicação de gesso, no perfil de um solo LE argiloso.
Fonte: Sousa e Ritchey (1986).

Além de todas essas funções e vantagens que o gesso proporciona, ele ainda apresenta duas características que o caracterizam como atuante na prevenção de doenças de plantas, sendo elas:

  1. A taxa de infiltração de água ao longo do perfil do solo se beneficia com a aplicação do gesso agrícola devido à floculação da argila (melhoria da estrutura dos agregados) assim proporcionando maior emergência das plântulas;
  2. Por se tratar de fonte de cálcio, o gesso agrícola tem função estrutural (formação da parede celular), podendo diminuir os efeitos de ataque de patógenos, sendo fundamental para o desenvolvimento e vigor do sistema radicular (VITTI et al., 2007).
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Fosfatagem

O Fósforo (P) é um dos três macronutrientes mais exigidos pelas plantas, possui um papel fundamental em seu crescimento e reprodução (MARSCHNER, 1995). Sua principal função é o armazenamento e transporte de energia na forma de ATP, ele é o segundo nutriente essencial mais limitante na produção agrícola, depois do nitrogênio (MALAVOLTA, 2006).

Uma das grandes particularidades do fósforo é o fato dele ficar muito adsorvido no solo, através de ligações com o alumínio e o ferro (RAIJ et al., 2001), é comum na adubação fosfatada cerca de 90% do fósforo (P) aplicado ficar adsorvido na primeira hora de contato, inicialmente formando P-lábil e depois passando para P não-lábil (NOVAIS et al., 2004).

A distribuição do fósforo no solo é dividida em três, o fósforo em solução, lábil e não-lábil. A fase não-lábil é o principal problema quanto à disponibilidade, sendo essa a que está mais fortemente adsorvida, além de precipitar em compostos insolúveis não disponíveis para as plantas. Já a fase lábil se encontra em uma forma mais disponível para as plantas (SÁ, 2004).

A fosfatagem é de grande importância, possui a função de se “construir”, aumentar os teores de fósforo no solo. Quando se faz adubação fosfatada para corrigir a deficiência de P no solo, há um aumento no teor de fósforo na solução, o qual poderá ser utilizado posteriormente pelas culturas.

Ela consiste na aplicação de um adubo fosfatado de baixa solubilidade, pois, grande parte não ficará em solução, desse modo, estará disponível para reagir com os óxidos de ferro e alumínio, formando compostos com uma solubilidade menor ainda. Em solos com deficiência de P e com grande quantidade de argilominerais e de óxidos, a necessidade de fosfatagem se faz maior do que em solos arenosos, visando cobrir as necessidades das plantas. Segundo Malavolta (2006), o fósforo é um insumo mineral finito e insubstituível, assim, sua utilização deve der de máxima eficiência.

Conclusão

Assim, as práticas corretivas no geral servem como base para a produção agrícola, pois além de corrigirem e condicionarem o ambiente para o crescimento vegetal, aumentam a eficiência de práticas subsequentes, principalmente da adubação.

É importante ressaltar que as práticas listadas devem ser feitas seguindo a recomendação de um profissional, os critérios específicos para cada situação de solo e a ordem correta de realização, para que possam expressar os resultados esperados e manter o solo no equilíbrio ideal.

Para saber mais sobre o assunto aguarde os próximos posts sobre práticas corretivas ou entre em contato com o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão – GAPE que possui área de atuação em nutrição de plantas e adubação.

Logo GAPE

Site: www.gape-esalq.com.br Telefone: (19) 3417-2138. e-mail: [email protected] Instagram: @gape.esalq

O GAPE (Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão) foi fundado no dia 11 de agosto de 1997, por iniciativa do Professor Dr. Godofredo Cesar Vitti, Professor Sênior do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP. O Grupo é formado por alunos de graduação em Engenharia Agronômica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), sob coordenação do Professor Dr. Godofredo Cesar Vitti e Professor Dr. Rafael Otto (ESALQ/USP), com co-orientação do Professor Pedro Henrique de Cerqueira Luz , da FZEA/USP, e ainda, com a participação ativa do Engº Agrº Msc. Antônio de Pádua Cruz e do Engº Agrº Luís Ramos de Lima.

O Grupo atua há 23 anos na geração de conhecimentos nas áreas de nutrição de plantas, fertilidade do solo, adubos e adubação, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, milho e algodão, contribuindo para o desenvolvimento agrícola do país, tornando a atividade mais viável economicamente, sem causar impacto ao ambiente, além de formar profissionais altamente capacitados para atuar no setor agropecuário.

>> Você quer saber como interpretar a análise de solo e entender o que ela está “dizendo” sobre aquilo que foi amostrado? Leia em nosso artigo “Como realizar uma boa interpretação da análise de solo”.

>> Você sabe o que é Amostragem Georreferenciada de Solo? Também está em nosso artigo “SIG: tudo que você precisa saber.”

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Referências

FURTINI NETO, Antônio Augusto et al. Fertilidade do solo. 2001. 261 f. Monografia (Especialização) – Curso de Lato Sensu, Universidade Federal de Lavras, Lavras.

MALAVOLTA, E. Manual de Nutrição Mineral de Plantas. Piracicaba: Ceres, 2006. 632 p.

MARSCHNER, H. Mineral nutrition of  higher plants. London, Academic Press Inc., 1995. 674p.

MEURER, E. J. (Ed.) Fundamentos de Química do Solo. Evangraf. Porto Alegre. 2006, 285p.

NOVAIS, R. F. et al. Fertilidade do Solo. Viçosa, Minas Gerais: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. 1017 p.

RAIJ, B.; CAMARGO, A. P.; CANTARELLA, H.; SILVA, N. M. Alumínio trocável e saturação em bases como critérios para recomendação de calagem. Bragantina, Campinas, SP, v. 42, n. 13, p. 149-153, 2001.

SOUSA, D. M. G. de et al. Uso de gesso agrícola nos solos do Cerrado. 2. ed. 2. reimpr. Planaltina: Embrapa–CPAC, 2005. Disponível em: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/568533/1/cirtec32.pdf>. Acesso em: 04 out. 2020.

SOUSA, D. M. G. de; RITCHEY, K. D. Uso do gesso no solo de Cerrado. In: SEMINÁRIO SOBRE O USO DO FOSFOGESSO NA AGRICULTURA, 1., 1985, Brasília, DF. Anais… São Paulo: IBRAFOS; Brasília, DF: EMBRAPA, 1986. p. 119-144.

VITTI, G. C.; MAZZA, J. A.; PEREIRA, H. S.; DEMATTÊ, J. L. I. Resultados experimentais do uso do gesso na agricultura – cana-de-açúcar. In: II Seminário sobre o uso do gesso na agricultura. IBRAFOS – Uberaba-MG. 2007.p.191-224.

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