Pastejo Contínuo e Pastejo Rotacionado

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Foto: Rally da Pecuária.
Foto: Rally da Pecuária.

Comparações entre o pastejo contínuo e o pastejo rotacionado sempre aparecem nas mesas de discussões sobre métodos de manejo do pasto. Muito se fala, mas pouco se aplica com o real fundamento embasado nos dados de pesquisa.

Esse texto tem como objetivo, lhe ajudar a transformar o seu negócio de pecuária com aumento de produtividade das pastagens da sua fazenda.

Vamos lá?

Nesse nosso primeiro contato, trago para vocês um tópico muito importante que muitos produtores acabam tendo dificuldade de entendimento, mas que é de suma importância para o direcionamento do manejo do pasto.

“As diferenças básicas entre pastejo contínuo e rotacionado.”

Essas são as duas formas mais usuais de métodos de pastejo. Cada uma com suas particularidades, ambas têm possibilidade enorme de transformação no aumento de produtividade.

Antes de falarmos sobre essas diferenças um ponto muito importante é o entendimento do conceito de produtividade.

Só existe uma forma de calcularmos produtividade:

Ganho Peso Vivo por dia (GPV) x Taxa de Lotação (UA/ha)

Esse binômio pode sofrer inúmeras variações, seja do lado esquerdo ou do direito da equação. Em alguns locais do Brasil, existe ainda a possibilidade de aumento desses multiplicadores em ambos os lados da equação de forma concomitante; em outras palavras da mesma forma que aumentamos o ganho individual, aumentamos também a taxa de lotação.

Se olharmos somente do lado esquerdo da equação, existe a exploração do mérito genético dos animais. Esse status sempre está relacionado quando o mercado em questão valoriza o indivíduo, aumentando o seu valor agregado, mas abrindo um pouco mão das taxas de lotação. Ou seja, maior ganho individual aliado a menores taxas de lotação. Um exemplo de exploração do mérito genético do indivíduo seria a produção de touros.

Agora se olharmos somente para o lado direito da equação, existe a exploração do mérito genético da planta forrageira. Esse status está relacionado quando queremos aumentar a produção por área. Abrimos mão do ganho individual, mas o grupo agora como um todo, produz mais por área. Ou seja, maior produção de forragem aliada a menores ganhos individuais.

Entendido isso, independente de que lado da equação estamos junta-se o manejo do pastejo, e no caso, qual o tipo de método de colheita do pasto que utilizaremos.

A intensificação da produção de matéria seca não produz retornos econômicos sem ser ajustada a sistemas de utilização e minimizar as perdas devido ao pastejo (eficiência de pastejo).

Sistemas de utilização seja contínuo ou rotacionado, têm portanto dois objetivos principais: aumentar a eficiência de pastejo (70-80%) do produzido, e oferecer condições adequadas para a recuperação da planta forrageira após o pastejo.

Ambos os sistemas, pastejo rotacionado ou contínuo, respeitam basicamente o mesmo principio fisiológico de recuperação da área foliar após a desfolha. O pastejo rotacionado promove retirada de forragem pelos animais na área ou piquete, e o pastejo contínuo exerce a rotação entre as plantas. O pastejo rotacionado para que se tenha uma maior uniformidade de pastejo, precisa de uma pressão de pastejo maior; menor disponibilidade de forragem por animal (sem que comprometa desempenho); diminuindo a seletividade e essa uniformidade do pastejo alcançada. Já o pastejo contínuo aumenta a seletividade, diminui-se a lotação para que essa uniformidade ocorra.

“Pastejo Contínuo”

No pastejo contínuo, por definição, os animais permanecem na mesma área, com pouca ou quase nenhuma subdivisão, sem um período de descanso forçando a planta forrageira. Isso significa que a presença constante dos animais na área tem um caráter de desfolha específico. Nesse caso, o ajuste de carga é muito importante para que a oferta de pasto esteja atrelada à demanda dos animais. Contudo o controle desse método de pastejo é mais difícil, e o equilíbrio do pastejo pode ter influência na uniformidade do pasto. Existem por falta de ajuste de carga, muitas vezes, a presença de áreas sub-pastejadas em detrimento a outras super-pastejadas. Se a fertilidade dessas áreas for melhor, potencializa-se uma rebrota mais vigorosa, e os animais acabam “voltanto” a pastejar esses locais, mudando assim o perfil da pastagem, quando nos deparamos com uma área rapada e outra com sobra de pasto, só que de pior qualidade.

O resultado pode ser pior ainda quando a fertilidade do solo for baixa; porque a produção passa a ser menor, o ajuste mais severo, as lotações reduzidas e a produtividade comprometida.

Contudo, existem trabalhos que mostram que quando o nível de fertilidade é bom, o ajuste de carga correto e o manejo da área como um todo, respeitando tanto a planta forrageira quanto os animais em pastejo, há um grande potencial de ganho por hectare. Plantas temperadas ou de inverno, se comportam bem a esse nível de manejo.

Pastejo Contínuo.
Fonte: Pasto Online.
Pastejo Contínuo.
Fonte: Pasto Online.

Portanto, esse é um método de controle mais difícil por parte de quem maneja o pasto, mas também com potencial grande de aumento de produtividade se feito da forma correta.

“Pastejo Rotacionado”

A potencial superioridade do uso de pastejo rotacionado em relação ao contínuo, baseia-se no aumento de produção de matéria seca e muito pouco ao nível de perdas. Vale lembrar que quanto mais o pasto produz, maiores as chances de perdas ou morte de tecidos; e nosso objetivo é o de minimizar esse processo.  Assim nosso principal alvo em termos de utilização de forragem sob pastejo deve ser aquele de aumentar a produção total; ou seja, procurar uma forma de otimizar a completa recuperação da planta após a desfolha. Nesse sentido o pastejo rotacionado proporciona ao perfilho essa capacidade.

Muito se falava antes de que o período de descanso (ou período de rebrota do pasto) estava atrelado a um número de dias. Em outras palavras, quantos dias depois de exercido o pastejo os animais voltariam àquele primeiro piquete.

Pastejo Rotacionado.
Foto: Pasto Online.
Pastejo Rotacionado.
Foto: Pasto Online.

Esse conceito estava fundamentado em recuperação total da área foliar. Cada espécie forrageira possui geneticamente um número de folhas vivas e uma taxa de aparecimento de folhas novas. Assim, a interação entre o número de folhas vivas com a taxa de aparecimento de folhas é que determinava esse período de descanso em dias. Contudo, se observou nos últimos anos que todo o processo de rebrota está muito correlacionado à interceptação luminosa; e que as plantas tinham, independentemente da espécie, um comportamento muito parecido com relação à essa recuperação da área foliar. Contudo, a velocidade dessa recuperação está atrelada a fatores climáticos (luz, temperatura, umidade) e a fertilidade do solo. Portanto, se esses fatores variam ao longo do período de rebrota, não podemos mais basear nosso manejo do pastejo rotacionado em dias, mas sim na altura referente à 95% da interceptação luminosa (ponto ótimo de colheita do pasto – abordaremos isso com detalhes mais pra frente).

Outro aspecto muito importante é que o pastejo rotacionado possibilita um controle muito mais fácil do ajuste de carga, período de ocupação dos piquetes, visualização completa e estimada de quanto tempo os animais vão demorar para voltarem ao primeiro piquete.

Como os módulos são em sua maioria constituídos por cercas elétricas, ajustes nos tamanhos dos piquetes auxiliam ainda mais no manejo do pastejo. Em áreas de elevada produção de matéria seca, o uso de um número maior de subdivisões ajusta a oferta com a demanda e potencializa ainda mais a produção do pasto. Em épocas de menor produção do pasto, essa ferramenta pode deixar de ser usada e os tamanhos dos piquetes redimensionados ou voltarem ao tamanho original.

Outro ponto que o pastejo rotacionado proporciona, é a possibilidade de redução do período de descanso quando as taxas de acúmulo se elevam, podendo deixar alguns piquetes sem serem pastejados para que sejam destinados a processos de conservação de forragem (silagem, fenação, por exemplo).

Portanto, um método de colheita de pasto que potencializa o mérito genético da planta forrageira, e mesmo que se observado uma menor produção individual dos animais, o conjunto produz mais; os controles de pastejo são mais fáceis e o ajuste do modelo de curva de produção do pasto ajustado inclusive com a possibilidade de alternativas de conservação do excedido.

Aproveitaram esse conteúdo?

Pensem na fazenda de vocês e como que o sistema de uso do pasto é conduzido atualmente e como que essas informações podem ajudar no redirecionamento do seu projeto.

Um abraço e “ a gente se vê pelo campo.”

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