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Como o Calcário atua no Solo

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Trator distribuindo calcário a lanço.

Introdução

A alta acidez adicionada a alta concentração de alumínio são algumas das principais causas para a redução da produtividade agrícola em solos tropicais e subtropicais. De acordo com Meurer (2005), boa parte dos solos brasileiros possuem pH em água próximos de 5,5, sendo o ideal entre 6 e 6,5. Assim, o desenvolvimento de práticas capazes de corrigir esses problemas é essencial para a boa produção nesses solos.

A principal prática para a correção da acidez é a calagem que, através do calcário é capaz de neutralizar os íons de H+ presentes na solução do solo, reduzindo seu pH. Entender esse processo é fundamental para a boa realização da prática, garantindo melhores resultados. Dessa forma, a calagem é grande aliada do produtor brasileiro para seu manejo de solo, garantindo maiores produtividades.

A seguir serão listadas as reações que esse calcário sofre no solo, além de introduzir alguns conceitos importantes para o entendimento da prática.

Acidez do solo

De acordo com Brady (2009), a acidez do solo pode ser dividida duas fases, a líquida, correspondente a acidez ativa do solo, e a fase sólida, sendo essa a acidez potencial. Essa última pode ser subdividida em acidez trocável, representada pelo alumínio retido nos coloides do solo, e acidez não trocável, representada pelos íons de H+ também retidos na fase sólida.

Figura 1: Representação dos tipos de acidez do solo.
Fonte: Vitti, 2020.
Figura 1: Representação dos tipos de acidez do solo.
Fonte: Vitti, 2020.

CTC

A CTC refere-se à capacidade de troca catiônica do solo, isto é, a quantidade de cargas positivas que os coloides são capazes de reter. Para Brady (2009), a CTC pode ser dividida em duas partes. A primeira é denominada CTC total, sendo ela representada por todas as cargas do coloide ocupadas por bases, sejam elas trocáveis ou não trocáveis. Já a segunda, denominada CTC efetiva, corresponde às cargas ocupadas por cargas trocáveis, como os íons Al3+, Mg2+, Ca 2+.

CTC Total e CTC Efetiva.
Figura 2: CTC Total e CTC Efetiva.

Reações do calcário no solo

Os carbonatos de cálcio (CaCO3) e magnésio (MgCaO3) são os principais constituintes do calcário agrícola, ao entrar em contato com a água eles serão dissociados, conforme a reação abaixo, tendo como produto final duas hidroxilas (OH), água e gás carbônico.

Reações do calcário no solo.

As hidroxilas liberadas nessa reação são as responsáveis por neutralizar a acidez do solo. Isso se deve, pois elas reagem com os íons de H+ presentes na solução, além de também serem capazes de reagir com o alumínio da acidez trocável, conforme as reações a seguir:

Correção da acidez ativa e correção da acidez não trocável.

Essas reações demostram o poder de neutralização da acidez do calcário. Apesar de reagir com a acidez ativa, o calcário acaba atuando também na acidez não trocável do solo, devido ao equilíbrio entre as fases líquidas e sólidas. Dessa maneira, os íons de H+ retidos na fase sólida migrarão para a fase líquida, liberando as cargas que ocupavam nos coloides que poderão ser ocupadas por cátions trocáveis como o Ca2+ e Mg2+. Essa característica demonstra outro benefício importante da calagem, o aumento da CTC efetiva do solo.

Resultados da calagem

Além do conhecimento teórico, é importante observar os resultados práticos da utilização do calcário para validar seus benefícios e verificar se eles de fato resultam em aumento de produtividade. Em um experimento realizado por Tissi (2004) visando analisar os efeitos do calcário em semeadura direta do milho, a calagem promoveu o aumento do pH do solo, redução do Al tóxico, além de aumentar os teores de Mg e Ca na camada superficial. Além disso, Tissi observou que a aplicação de qualquer dose de calcário favoreceu a absorção de P, Ca, Mg e S pelas plantas. Entretanto, a aplicação de calcário não provocou alterações sobre o rendimento dos grãos de milho.

Em outro experimento conduzido por Quaggio (1993) visando verificar a resposta da soja à aplicação de calcário e gesso, a aplicação de calcário apresentou resultados semelhantes ao anterior, porém aumentando o rendimento dos grãos para doses elevadas de calcário.

Conclusão

A utilização da calagem em solos brasileiros possibilitou o cultivo em áreas antes inacessíveis devido aos problemas químicos encontrados no solo. Desse modo, o calcário foi e ainda é fundamental para práticas agrícolas, em destaque para a região do Cerrado. Portanto, é crucial que se faça o uso consciente desse corretor, além de entender sua dinâmica no solo e o potencial produtivo de áreas que se faz a aplicação.

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Referências

A S. Lopes, M. de C. Silva e L.R. G. Guilherme Acidez do solo e calagem. 3a ed. Ver. São Paulo, ANDA 1990. 22 p. (Boletim Técnico, 1);.

ALCARDE, José Carlos. Corretivos da acidez dos solos: características e interpretações técnicas. São Paulo: ANDA, 1992;

BRADY, Nyle C.; WEIL, Ray R. Elementos da natureza e propriedades dos solos. Bookman Editora, 2009.

NAHASS, Samir; SEVERINO, Joaquim. Calcário agrícola no Brasil. 2003;

QUAGGIO, José Antonio et al. Respostas da soja à aplicação de calcário e gesso e lixiviação de íons no perfil do solo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 28, n. 3, p. 375-383, 1993.

TISSI, Josinei Antonio; CAIRES, Eduardo Fávero; PAULETTI, Volnei. Efeitos da calagem em semeadura direta de milho. Bragantia, v. 63, n. 3, p. 405-413, 2004.

VITTI, Godofredo Cesar; SGARBIERO, Eduardo. Conceitos básicos de edafologia, pedologia e relação com fertilidade do solo. São Paulo: Vittagro, 2020. Color.

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