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Como garantir baixa mortalidade e morbidade em bezerros de corte?

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Bezerro mamando. Foto: BOY Fotógrafo.
Foto: BOY Fotógrafo.

A pecuária de corte apresenta importância significativa na economia brasileira, em torno de 8.5% do PIB do Brasil, o que representa em torno de 619 bilhões de reais. Isso acontece porque o Brasil se encontra na primeira posição dos maiores exportadores de carne do mundo.

Devido a extensão territorial do nosso país, mais de 85% do rebanho brasileiro de bovinos de corte são criados em sistemas baseados em pastagens. Mas, muitos técnicos afirmam que para que essa atividade continue sendo lucrativa, as vacas devem parir um bezerro por ano. Entretanto, isso não é o suficiente para a lucratividade. É importante que o bezerro sobreviva e apresente boa taxa de crescimento. Para ter taxas de mortalidade e também de morbidade de bezerros cada vez menores, as fazendas devem ter um bom manejo no período pré e pós-parto, permitindo que os bezerros expressem seu potencial genético. Vamos a eles:

Parto

Os cuidados com o recém-nascido começam antes do parto. A estratégia de mover as vacas próximas de parir para pastos adequados e limpos facilita o acompanhamento não só dos partos, mas também do manejo de vacas e bezerros.

Um pasto maternidade adequado deve oferecer sombra, água, alimento e espaço para todas as vacas. Além disso, esse local deve ser um ambiente calmo, longe de movimentação, já que em áreas com muito barulho a vaca deixa de cuidar da cria para ficar em vigilância, o que pode influenciar o reconhecimento entre mãe e bezerro, assim como na mamada de colostro.

A estação de parição deve ocorrer em momento que permita adequação das necessidades nutricionais das vacas, sendo mais comum na entrada das águas. Isso ocorre porque no Brasil, a maioria do rebanho é criado a pasto e muitas fazendas utilizam o manejo de estação de monta para concentrar os partos em um determinado período do ano. Dessa forma, as matrizes têm boa disponibilidade de pastagem durante o período de lactação, conseguindo atender suas exigências nutricionais para produção de leite para os bezerros, sem grandes perdas de escore de condição corporal.  

A rotina de visitas no piquete maternidade permite encontrar problemas comuns na época de nascimentos e corrigi-los. As visitas devem ser feitas pelo menos uma vez ao dia, o que possibilita identificar se as vacas apresentam dificuldades de parto, baixa habilidade materna, falhas na primeira mamada, baixo vigor do bezerro. Além disso, a identificação de problemas de condições do local do parto como buracos, lama, etc.

Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.
Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.

Vistoria do pasto maternidade

As vistorias no pasto maternidade são de extrema importância para acompanhamento dos partos e avaliação dos animais durante a estação de parição. Durante as vistorias no pasto maternidade é importante que os colaboradores observem se os bezerros recém-nascidos apresentam dificuldade para mamar. Na maioria das vezes, os bezerros apresentam comportamento bastante ativo e suas mães têm alta habilidade materna, estimulando o bezerro a mamar. Porém, em algumas situações os mesmos podem apresentar dificuldade em ingerir o colostro, o que pode ser diagnosticado pela apatia do bezerro. Outro ponto importante para identificar se houve a ingestão de colostro é avaliar a barriga do bezerro.  Bezerros cuja barriga está com vazio fundo também podem sinalizar falta de ingestão de colostro. A partir deste diagnóstico o colaborador pode lançar mão de estratégias para estimular a mamada.

Algumas situações permitem que isso aconteça com mais frequência como, vacas de primeira cria ou partos gemelares, além de características morfológicas como tetos grandes ou úberes pendulares. Por isso, as vistorias tornam-se de extrema importância para o bezerro, pois em casos como estes, deve-se auxiliar os bezerros a mamarem, caso contrário esse animal pode vir a óbito.

Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.
Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.

A primeira mamada é muito importante!

O consumo de colostro, ou seja, a primeira mamada, é fundamental para o bezerro absorver os anticorpos passados pela mãe. A ingestão de colostro em adequada quantidade e qualidade é essencial ao bezerro para que este tenha proteção imunológica nas primeiras semanas de vida, até que o bezerro apresente seu sistema imunológico mais maduro. Embora, em bezerros leiteiros, existam recomendações de consumo de colostro em termos de tempo, quantidade e qualidade, não existem recomendações para bezerros de corte, a não ser que o bezerro deve mamar em sua mãe o quanto antes.

Uma grande diferença entre bezerros leiteiros e de corte é que enquanto os primeiros são separados de suas mães logo após o nascimento e são colostrados com quantidades fixas de colostro de alta qualidade em até 6h após o parto; os bezerros de corte permanecem com suas mães e vão mamar colostro em quantidade e qualidade produzida por elas. Por isso, em fazendas de gado de corte não é comum a utilização de mamadeira ou sonda, porém é uma alternativa para auxiliar em casos mais graves onde o bezerro não ingere colostro. Outras estratégias como prender a vaca recém-parida para permitir a mamada, podem ser utilizadas.

Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.
Fonte: Fazenda Cachoeiral 3.

Manejo do dia seguinte

A identificação, pesagem, assepsia de umbigo e aplicação de vermífugo são manejos que devem ser realizados no dia seguinte ao nascimento do bezerro. A realização desses procedimentos no dia seguinte ao parto diminui o risco de rejeição materna, já que o bezerro passou um período com a mãe e não teve interferência na formação do vínculo materno-filial. Por outro lado, se esses manejos forem realizados mais tarde, a contenção do bezerro fica mais difícil, além de maior risco da ocorrência de bicheiras (miíases).

A contenção do bezerro e apartação da vaca são manejos que exigem calma e cuidado. Recomenda-se que esse manejo seja feito por pelo menos dois colaboradores e de preferência a cavalo, onde um fica responsável por conter o bezerro e o outro por manter a vaca afastada. O manejo com o bezerro deve ser feito no solo, e os equipamentos (balança, brinco, tatuador) e materiais (tinta de tatuagem, iodo 10%, vermífugos) devem estar preparados antes da contenção do bezerro. Desta forma, o tempo de manejo e os riscos de acidentes são minimizados.

A contenção do bezerro deve ser feita de maneira calma. De maneira alguma o bezerro deve ser jogado no chão, o estresse causado por manejos errados pode resultar em acidentes, doenças e até a morte. Recomenda-se que após a separação da mãe, o colaborador peie (amarre) o bezerro e segure-o pelo pescoço e virilha com intuito de mantê-lo deitado, não é necessário força exagerada, já que estamos falando de um filhote de 25-30 kg. O manejo racional também indica que os colaboradores acariciem o bezerro de modo que diminua o estresse, o que facilita os próximos manejos.

Identificação – brinco e tatuagem

A identificação dos bezerros deve ser de fácil leitura e de preferência permanecer a mesma durante toda vida do animal. O método mais comum para identificação de bezerros de corte é a tatuagem, a qual deve ser realizada com cautela entre as duas nervuras superiores da orelha do animal. Antes de realizar o manejo no animal, verifique se a numeração está correta. No entanto, como a tatuagem tem sua leitura mais difícil, é comum se associar a colocação de brinco com a mesma numeração. A identificação dos animais é fundamental para tomada de decisões dentro da fazenda, pois possibilita tomada de decisão sobre manejo com os animais.

Cura do umbigo

A cura do umbigo é um manejo prioritário, porque o umbigo mal curado vai refletir na saúde do animal e na sua produção pelo resto da vida. Antes de realizar a cura do umbigo, verifique o comprimento do mesmo, cortando-o se for muito comprido. O corte deve ser realizado com tesoura limpa e afiada. Recomenda-se cortar na medida de três dedos. Aplique a solução de iodo cobrindo todo o umbigo de forma a se fechar a porta de entrada para microrganismos que poderão futuramente desenvolver quadros de diarreia e artrite naquele animal.

Fonte: Filipe A. Pinheiro.
Fonte: Filipe A. Pinheiro.

Aplicação de vermífugo – Prevenção de miíases 

Com intuito de evitar problemas com bicheiras, indica-se a aplicação de antiparasitários com ação larvicida. O risco de bicheira, principalmente no umbigo, é alto em bezerros de corte podendo levar até a morte.

Fonte: Filipe A. Pinheiro.
Fonte: Filipe A. Pinheiro.

Pesagem dos animais

Idealmente, a pesagem dos bezerros deve ser feita em balanças portáteis, as quais são de fácil deslocamento no pasto. Porém, muitas fazendas não trabalham com esse equipamento e acabam por deixar as vacas paridas próximas ao centro de manejo para pesagem dos bezerros, assim como para a realização de outros manejos. Outra forma para estimar peso dos animais é através da utilização da fita de perímetro torácico ou mesmo de circunferência de cascos. Na falta de balança na propriedade, podem ser ótimas ferramentas para auxiliar na coleta de dados.

Os dois primeiros dias de vida dos bezerros de corte são importantes para garantir um bom desempenho durante todo o período de aleitamento. Quando bezerros não mamam em suas mães logo após o nascimento, ou quando são acometidos por problemas de saúde devido a manejos mal feitos, por exemplo da cura de umbigo, temos aumento nas taxas de morbidade e mortalidade. Assim, estar atento aos nascimentos e realização de adequados protocolos de manejo com os recém-nascidos garante lucratividade aos sistemas de crias.

Para saber mais sobre o tema aguarde os próximos posts sobre criação de bezerros ou entre em contato com Clube de Criação de Bezerros através de nossas redes sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/clubedebezerros/ Instagram: ccb_esalq

Referências

ABIEC, 2019. Beef Report disponível em: http://abiec.com.br/publicacoes/beef-report-2019/.

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