Manejo Integrado de Pragas (MIP)

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Soja

Todo produtor rural tem o grande desafio em diminuir perdas na produtividade, dentre estes, destacam-se os danos causados por pragas agrícolas. Apesar do produtor trabalhar anos com a mesma cultura ou até mesmo, para aqueles que estão iniciando uma produção, todo ano há dificuldades no controle de pragas. Será explicado no artigo o que é Manejo Integrado de Pragas (MIP), a sua importância e o que o compõe. Por fim, explicarei as etapas básicas para implantação do MIP no campo.

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Manejo Integrado de Pragas (MIP)

O MIP surgiu após o uso excessivo de produtos fitossanitários que eram empregados no modelo “carona” ou por calendário a partir dos anos 50. Há relatos de aproximadamente onze aplicações realizadas na cultura do algodão, por exemplo.

Assim, nos anos 60 iniciaram os primeiros estudos, e a vinda do Manejo Integrado de Pragas, com o objetivo de diminuir o uso de químicos no controle de pragas, aplicando-se outras medidas em conjunto.

De acordo com o Professor Evaldo Martins da Universidade Federal de Viçosa (UFV), no Brasil e no mundo, o MIP tem sido utilizado como prática que reduz os custos de produção, melhora a qualidade do alimento (por deixar menos resíduos de inseticidas), provoca menos toxicidade ao homem, causa menor contaminação ambiental (há a necessidade de maior seletividade dos produtos fitossanitários evitando a mortalidade de inimigos naturais).

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Mas, o que é Manejo Integrado de Pragas?

É um conjunto de estratégias e táticas de controle, visando o custo-benefício com o intuito de alcançar os interesses e evitar prejuízos, com uma visão voltada à sociedade, ao produtor rural e ao meio ambiente.

Para se aplicar o Manejo Integrado de Pragas, são necessários três componentes:

Diagnose: Corresponde a identificação da praga, compreendendo seu ciclo de vida e hábito (noturno ou diurno). É importante também realizar a diagnose para os inimigos naturais (microrganismos e insetos), pois estes são capazes de reduzir a densidade populacional de pragas.

Tomada de decisão: Para o produtor decidir se há a necessidade de controlar ou não determinada praga, é necessária a adoção de alguns parâmetros de avaliação. Para melhor compreensão, explicarei com mais detalhes abaixo. 

Táticas de controle: Correspondem às práticas de manejo para cada cultura e os métodos de controle disponíveis para cada tipo de praga e a cultura correspondente.

Para facilitar a compreensão, Gonzalez (1971) fez uma analogia do MIP a uma casa, como mostra a Figura 1.

Figura 1: Analogia do Manejo Integrado de Pragas.
Figura 1: Analogia do Manejo Integrado de Pragas.

Para entender a analogia, primeiro temos que identificar as três partes importantes dessa casa, que são: o alicerce, os pilares, ambos responsáveis pela sustentação do telhado, que em nosso caso, é o MIP. Agora, vamos compreender cada componente presente no alicerce e nos pilares:

Alicerce:

1. Mortalidade natural no agrossistema

Está associado à mortalidade da praga naturalmente, através da presença de inimigos naturais que podem ser insetos (predadores e parasitas) e microrganismos (fungos, bactérias, vírus, protozoários, nematoides, dentre outros). Assim, é importante no momento da amostragem, realizar observações, como presença dos inimigos naturais e a mortalidade da praga de interesse. 

2. Parâmetros de avaliação

É importante sempre realizar relatórios e guardar informações sobre o histórico da área (presença de pragas e inimigos naturais nos anos anteriores), evitando assim possíveis surpresas. Além disso, é importante realizar amostragens e comparativos para a tomada de decisão, ou seja, ter certeza se há necessidade ou não de controlar a praga. Para identificar o parâmetro correspondente à sua cultura e região, o produtor pode encontrar trabalhos realizados por instituições de pesquisa, como a EMBRAPA, por exemplo.

Exemplo prático:
Em soja, durante o desenvolvimento da vagem e enchimento de grãos, acontece o período crítico populacional do percevejo-marrom. O controle deve ser realizado a partir de quatro percevejos (adulto ou 3º instar), se encontrado nas amostragens de pano de batida (2 metros de fileira).

Figura 2: Ciclo de vida do percevejo-marrom e as fases de 3° instar à adulto avaliados em campo.
Fotos: Carla Mariane Marassatto.
Figura 2: Ciclo de vida do percevejo-marrom e as fases de 3° instar à adulto,
avaliados em campo.
Fotos: Carla Mariane Marassatto.

Saiba mais em “Percevejos da Soja e seu Manejo”.

Cada praga/cultura/região, há especificação nos parâmetros de avaliação. Os parâmetros são:

  • Ponto de equilíbrio ou nível de equilíbrio (PE): É o ponto em que a praga se encontra na planta e não há necessidade de intervenção, pois o inseto não causa danos à cultura. 
  • Nível de controle ou de ação (NC): Este parâmetro antecede o nível de dano econômico (NDE), dessa forma, ao fazer a amostragem no campo e o número de insetos for igual ou superior, é necessária a adoção de medidas de controle, esse parâmetro tem um caráter de previsão. No exemplo anterior, quatro percevejos na área, é o nível de controle.
  • Nível de dano econômico (NDE): É a densidade populacional da praga que causa prejuízos à cultura iguais ao custo de adoção de medidas de controle, ou seja, o mínimo de indivíduos que causará danos à cultura. Portanto, sempre se busca evitar que a densidade populacional atinja o nível de dano econômico, por isso, temos um parâmetro que antecede o NDE.  

3. Amostragem

É importante o produtor ter um plano de amostragem adequada de acordo com sua cultura. Em uma amostragem, considera-se o tamanho e unidade da amostra, tipo de caminhamento a ser realizada no campo dentro do talhão e o tipo de equipamento que será adotado, realizando-se assim o monitoramento

4. Taxonomia

É essencial identificar a praga corretamente e conhecer o seu ciclo de vida. Assim, há como definir de forma correta o método de controle e amostragem, pois, uma praga pode ter o hábito noturno ou diurno, especificação para iscas, dentre outros. 

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Para compor os pilares de sustentação do Manejo Integrado de Pragas, pensaremos nas estratégias e formas de controle que possam cooperar com a diminuição da praga na cultura, que são:

Controle físico

Envolve processos de queima, drenagem, inundação e temperatura. 

Controle cultural

É o emprego de práticas agrícolas aplicado à determinada cultura. Dentre as práticas, temos a aeração do solo, época de plantio e colheita, poda, adubação, irrigação, destruição de restos culturais, uso de barreiras físicas, destruição de hospedeiros alternativos, dentre outros exemplos.

Controle biológico

É a ação de inimigos naturais que podem ser aplicados através de insetos benéficos (predadores ou parasitoides) e microrganismos (fungos, bactérias, leveduras, vírus).

Controle químico

Corresponde ao uso de produtos fitossanitários que causam a mortalidade ao controle de pragas. 

Controle por comportamental

Consistem no uso de hormônios, feromônios, repelentes, atraentes e macho estéril, ou seja, produtos que farão alteração no comportamento do inseto. 

Controle de resistência de plantas

É a introdução de plantas resistentes à determinada praga, porém se o uso não for realizado adequadamente, a praga pode criar resistência e a perda da eficiência do “produto”. Um dos exemplos é o uso de plantas Bt.  

Melhoramento genético em insetos

É uma modificação da estrutura genética do inseto, transformando-o em um ‘mutante’ capaz de destruir a própria espécie. 

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Assim, de um modo geral, conseguimos entender neste artigo:

1) O que é o MIP;

2) O que o compõe;

Nos próximos artigos, aprofundarei um pouco mais o assunto, portanto, é essencial o entendimento das informações disponibilizadas a você, caro leitor. 

>> Leia mais sobre controle de pragas em nosso artigo “Cigarrinha-das-pastagens: O que você precisa saber para evitar prejuízos e surpresas ao longo do ano”.

>> Você quer saber mais sobre “Controle Biológico: uma alternativa para o manejo de pragas e doenças”? Acesse o nosso artigo!

>> Leia mais entrevistas em: “Conversa com especialista: Crédito Rural, como funciona?”. Nesta entrevista Gustavo Ubida, fala um pouco sobre o que é e como funciona o Crédito Rural no Brasil.

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