Conversa com especialista: estudos e implantação do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

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Praga na Soja.
Praga na Soja.

Pedro Takao Yamamoto, professor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” fala sobre o Manejo Integrado de Pragas, nesta entrevista exclusiva com a Agromove.

Introdução

Pedro Takao Yamamoto é professor no Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, ESALQ/USP atuando na área de pesquisa no Manejo Integrado de Pragas. Nesta entrevista, o professor irá compartilhar um pouco de sua história profissional, experiência e tentará sanar algumas dúvidas sobre o assunto que interessa aos produtores.

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Agromove: Professor, fale sobre a sua trajetória e a sua atual linha de pesquisa.

Prof. Pedro Takao Yamamoto: Sou Engenheiro Agrônomo formado na UNESP em Jaboticabal, com Mestrado em Entomologia e Doutorado em Agronomia. Desde a graduação trabalho com entomologia, desenvolvendo trabalhos na área de manejo integrado de pragas (MIP). Trabalhei durante 14 anos no Departamento Científico do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), desenvolvendo trabalhos com pragas dos citros. Desde 2010, sou professor do Departamento de Entomologia e Acarologia, ESALQ/USP. Minha área de atuação no Departamento é Manejo Integrado de Pragas.

AG: Por que surgiu o interesse em estudar o Manejo Integrado de Pragas e qual a sua visão sobre o assunto?

PY: O estudo com MIP veio da inspiração e exemplo do orientador de Mestrado e Doutorado, Prof. Dr. Santin Gravena, que desenvolveu o MIP para diversas culturas, dentre elas citros, que sempre foi o meu maior foco nos estudos. Além do mais, pelo foco inovador da área, que traz uma nova luz ao controle de pragas, integrando várias ferramentas para manutenção das pragas abaixo do nível de dano econômico. O tema é desafiador, difícil de implementar e carente de pesquisas científicas que buscam a adoção do MIP.

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AG: Quais são os estudos atuais que estão sendo realizados juntamente com a equipe? E quais as dificuldades?

PY: Temos 3 frentes de trabalho que são mais expressivas, uma é a seletividade dos produtos fitossanitários aos inimigos naturais de pragas e polinizador. Nesse tema, a meta é determinar o efeito dos produtos fitossanitários nos inimigos naturais, no intuito de prover ao produtor soluções mais sustentáveis e menos agressivas de controle de pragas. O segundo é a amostragem de pragas utilizando sensoriamento remoto, principalmente a refletância das plantas quando atacada por pragas. A amostragem é um ponto que ainda precisa desenvolver para a utilização dos preceitos e filosofia do MIP. Métodos de amostragem que sejam mais precisos, rápidos e economicamente viáveis. A terceira é a área de danos provocados por pragas, nessa área o principal objetivo é determinar o nível de dano econômico de pragas, para posterior definição do nível de controle que deve ser adotado para que as pragas não causem dano econômico e perdas ao produtor.

AG: Como o Manejo Integrado de Pragas pode fazer a diferença na produção quando implantado pelo produtor rural?

PY: Com a adoção do MIP pode-se, no primeiro momento diminuir o uso de produtos fitossanitários por racionalizar o uso e aplicá-los no momento correto. Com a racionalização pode-se ter um ambiente mais equilibrado, com um maior número e população de inimigos naturais, diminuindo cada vez mais o uso de produtos fitossanitários. Para o produtor, em todos os casos, acarretará uma diminuição dos custos de produção e, consequentemente, aumento dos lucros.

AG: Qual é a cultura mais fácil para iniciar o Manejo Integrado de Pragas?

PY: A facilidade pode não ser evidenciada pelo tipo de cultura, anual ou perene. Mas, de maneira geral, é mais fácil adotar as táticas (métodos) de controle de pragas em culturas perenes por permanecer mais tempo. Mas, o MIP pode ser implementado em todas as culturas, inclusive naquelas altamente dependentes de produtos fitossanitários. A sua adoção vai ser mais fácil em culturas com poucas pragas e com poucos insetos vetores.

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AG: Com o seu conhecimento e prática, qual das etapas o produtor tem mais dificuldade em aplicar em campo?

PY: A integração de múltiplas táticas é um desafio, gerado, principalmente, pela deficiência do sistema de extensão e difusão de conhecimento. O monitoramento de pragas é outro gargalo e que muitas vezes faz com que o produtor não use os preceitos do MIP. Muitas ferramentas de amostragens são mais custosas, demanda gente e economicamente viável para grandes áreas.

AG: Com relação aos parâmetros, como o produtor pode obter valores específicos para sua cultura?

PY: A literatura é uma boa fonte de conhecimento e os parâmetros, maioria, podem ser encontrados nos livros, boletins técnicos, revistas técnicas e, inclusive, palestras. Essa seria a maior fonte de conhecimento para adoção do MIP e melhorar o controle de pragas.

AG: Caso o produtor não tenha informações sobre determinada cultura, como ele pode obter seus parâmetros para avaliação?

PY: Novamente na literatura, boletins técnicos e revistas técnicas, principal fonte de conhecimento.

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AG: Com relação a custo, o quão econômico é ao produtor quando se aplica o Manejo Integrado de Pragas em sua propriedade?

PY: Há uma ideia errônea que a implementação do MIP gere aumento do custo, por necessitar de pessoas mais bem treinadas, contratação de pessoas para executar os trabalhos de monitoramento. Entretanto, com a adoção do MIP, esses custos podem cair e se tornar economicamente viável em curto espaço de tempo. Os estudos da parte econômica têm demonstrado que com o MIP, nos anos de preço alto, a cultura proporciona maior lucro e, nos anos de baixo preço, pode ser o divisor de águas entre o lucro e prejuízo, indicando que, o MIP pode auxiliar o agricultor a não ter perdas. Isso é, nos anos com alto valor de mercado para a cultura o agricultor tende a ganhar mais, e nos anos de seca, até lucro com a cultura, tornando-se bastante atraente ao agricultor.

AG: Há dicas que o Sr. pode sugerir para o produtor rural? Como ferramentas, podcast, material on-line?

PY: Sugiro um podcast com o tema. E posteriormente, podem ser explorados todas as táticas de MIP. Esses temas também podem ser utilizados em material on-line, fonte de consulta e informação, inclusive, para os demais canais.

Como sugestão de podcast, leitura e aprendizado, veja abaixo alguns exemplos que você, caro leitor, pode acessar no dia-a-dia:

Portal Embrapa – Busca geral

ESALQ/USP, Série Produtor Rural

https://www.embrapa.br/tema-controle-biologico

Podcast Agro Resenha #030 – Controle Biológico de Pragas.

Reportagem “Manejo integrado de pragas e doenças na soja reduz custos sem perda de produtividade”, veja os resultados com o uso do Manejo Integrado de Pragas e Manejo Integrado de Doenças na soja e informações sobre o Curso Manejo Integrado de Pragas (MIP) na Soja do Senar – PR.

>> Leia mais sobre Controle Biológico em nossos artigos “Controle Biológico: uma alternativa para o manejo de pragas e doenças”, “Plantas daninhas: um glossário sobre o seu manejo” e “O que é Herbicida, e como aumentar a produtividade de sua fazenda” .

>> Leia mais sobre controle de pragas em nosso artigo “Cigarrinha-das-pastagens: O que você precisa saber para evitar prejuízos e surpresas ao longo do ano”.

>> Outra forma saudável de se controlar pragas, doenças e plantas daninhas é com a Rotação de Culturas. Leia o nosso artigo: “Rotação de culturas: Cultivo mais saudável”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Otima entrevista, o manejo de pragas é uns dos grandes desafios para os profissionais no campo.
    Medidas mais eficientes de amostragem, são fundamentais, ainda estamos presos a panos de batida. Precisamos evoluir em relação a isso.

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