O que esperar da Pecuária nos próximos 10 anos? (2ª parte)

0
132
O que esperar nos próximos 10 Anos?
Foto: Aron Visuals

Comércio Mundial

Aqui se encontra a maior oportunidade para o Brasil, explorar e conquistar Market Share do mercado mundial. E para a Pecuária nos próximos 10 anos?

Reparem que no Gráfico 3, diferente de algumas commodities (etanol, biodiesel, peixes e leite em pó) que deverão exportar menos da sua produção para o mundo, a carne bovina, apesar do aumento da sua produção, deverá manter a proporção exportável, algo ao redor de 15% da produção mundial.

Gráfico 3 - Fatia da produção mundial exportada.
Gráfico 3 – Fatia da produção mundial exportada.

O Brasil cresceu neste mercado e exportou em  média nas últimas décadas, algo próximo a 20% da sua produção. Em 2017, deve fechar o ano exportando aproximadamente 24% do que produzir. A expectativa é que até 2026, o volume de carne comercializada no mercado internacional alcance 10,79 milhões de toneladas, crescendo aproximadamente 28%. Grande parte deste crescimento será absorvida pelos países em desenvolvimento, somente o Brasil e a Índia devem suprir 2/3 deste volume. Isto significa um crescimento de 31% nas exportações brasileiras no período.

No Gráfico 4, podemos verificar que nos próximos anos, os 5 maiores exportadores de carne bovina devem dominar 70% do Market Share mundial, com um pequeno crescimento em relação à década passada. Interessante notar que apesar da concentração nestes 5 exportadores, a carne bovina ainda é uma commodity de baixa concentração em relação a outras, como a soja, onde 80% do mercado está nas mãos de 2 exportadores. Também podemos observar que os mercados de aves e suínos são mais concentrados que o de bovinos.

Gráfico 4 - Market Share dos 5 maiores exportadores em 2026, por commodity.

Gráfico 4 – Market Share dos 5 maiores exportadores em 2026, por commodity.

Olhando pelo lado dos importadores, o Gráfico 5 nos mostra que a concentração em carne bovina é bem menor, onde os 5 maiores importadores representam 45% do mercado mundial. O mercado também deverá sofrer uma leve redução nesta concentração na próxima década. O que é muito bom para os exportadores, pois reduz o risco de ter apenas um comprador, citamos novamente o caso da soja, onde o maior importador é responsável por mais de 70% do mercado.

Olhando pelo lado dos importadores, o Gráfico 5 nos mostra que a concentração em carne bovina é bem menor, onde os 5 maiores importadores representam 45% do mercado mundial. O mercado também deverá sofrer uma leve redução nesta concentração na próxima década. O que é muito bom para os exportadores, pois reduz o risco de ter apenas um comprador, citamos novamente o caso da soja, onde o maior importador é responsável por mais de 70% do mercado.

Gráfico 5 - Market Share dos 5 Maiores importadores em 2026, por commodity.

Gráfico 5 – Market Share dos 5 Maiores importadores em 2026, por commodity.

Observações importantes

No entanto, é importante lembrarmos que o comércio mundial de commodities, apesar de continuar crescendo, crescerá em um ritmo menos acelerado, devido a uma taxa de crescimento menor do PIB Mundial na próxima década, Gráfico 6.  Alguns alertas são dados em relação a esta desaceleração: redução no crescimento da demanda, baixo crescimento das cadeias de suprimentos globais, velocidade lenta de reformas nas políticas comerciais e um amadurecimento no setor comercial chinês. Os dois últimos têm um maior impacto sobre a agricultura. Países também têm buscado fortalecer suas políticas de autossuficiência, o que pode gerar um comércio mundial mais rigoroso em relação ao meio ambiente, rastreabilidade, segurança alimentar e bem estar animal.

Gráfico 6 - Crescimento do comércio mundial de commodities, em volume.
Gráfico 6 – Crescimento do comércio mundial de commodities, em volume.

Há ainda o risco de doenças na agricultura ou na produção animal, onde as medidas protecionistas podem causar impactos prolongados na oferta, na demanda e no comércio.

Neste cenário, a produção de carne bovina no Brasil se destaca, pois, entre os maiores exportadores mundiais, é o país com maior competitividade e potencial de aumentar a produtividade. Possui uma oferta favorável de grãos, o que lhe permite aumentar o fornecimento energético de seu rebanho e com isso a produtividade. Lembrando que a terminação com grão, ainda representa muito pouco do abate total. Além disto, tem um potencial significativo de elevar a produtividade das pastagens. Estes dois últimos assuntos, ainda trazem a nosso favor, uma produção mais sustentável.

Enfim, considerando estes cenários, o Brasil precisa crescer ao redor de 13% a sua produção na próxima década para suprir o aumento de demanda. Isto significa crescer mais do que a produção mundial irá crescer no período, algo próximo a 10%.

Deixe seus comentários abaixo e compartilhe conosco suas ideias.

Aproveite e acesse nossas entrevistas!

>> “Conversa com especialista: O que você precisa saber sobre recuperação de pastagens”. Neste artigo, Matheus Arantes responde as dúvidas mais frequentes sobre recuperação de pastagens,  iLP e iLPF.

>> “Conversa com especialista: produção de volumoso por meio da fenação”. Nesta entrevista, Felipe Moura fala sobre a técnica de fenação, suas vantagens, armazenamento e importância nutricional.

>> “Conversa com especialista: Crédito rural, como funciona?”. Nesta entrevista Gustavo Ubida, fala sobre o que é e como funciona o crédito agrícola no Brasil.

>> “Conversa com especialista: Seguro rural, o que é e como fazer?”. Nesta entrevista, Vitor Ozaki nos esclarece sobre o seguro rural seus benefícios e os principais tipos.

>> Você conhece os Simuladores Econômicos da Agromove? Eles nos ajudam a preparar um bom planejamento e simular cenários. Elaboramos duas planilhas especiais que auxiliam a entender se você está fazendo um bom investimento com o seu dinheiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here