Conversa com especialista: O que você precisa saber sobre recuperação de pastagens.

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Sistema São Mateus.
Sistema São Mateus. Foto: Agência de Notícias - Embrapa.

A pecuária é uma das atividades de maior importância no mercado agrícola do Brasil. De acordo com o site CensoAgro do IBGE, o Brasil produziu, em 2017, cerca de 171,85 milhões de cabeças, totalizando 9,7 milhões de toneladas equivalente carcaça.

Do ponto de vista das pastagens, um dos temas mais questionado pelos produtores é a recuperação das áreas degradadas e com torná-las aproveitáveis novamente.

Para responder as perguntas mais frequentes sobre recuperação de pastagens, realizamos uma entrevista com o especialista Mateus Arantes.

Introdução

Mateus Arantes é formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP) em 1996, com especialização em administração e economia. Durante sua graduação fez parte da equipe Cepea e participou de grupos de estudos focados na área.

Após sua formação, teve uma breve passagem pela BMF e posteriormente, trabalhou na multinacional Monsanto com iLP (integração Lavoura-Pecuária).

Após 3 anos, mudou-se para o município de Três Lagoas-MS com o intuito de trabalhar com iLP. Fez uma parceria com a Embrapa em 2008, que foi fundamental para validar o plantio direto de soja em áreas difíceis. Em 2011, foi secretário do Meio Ambiente e Agricultura no mesmo município. No ano de 2012 fundou a Agricult visando servir de consultoria no Sistema São Matheus.

Hoje, Mateus Arantes possui 2 projetos envolvendo o sistema iLP, além de atuar como consultor especialista na área por todo o Brasil.

Questões:

Agromove: O que é pastagem degradada?

Mateus Arantes: É quando a pastagem perde em média 50% do seu potencial produtivo. Não gosto dessa definição. Na verdade, de modo geral nas fazendas brasileiras, podemos, apenas com manejo correto, aumentar de 20-30% a produção de carne ou leite. Dá para imaginar isso? Então, na minha opinião, para definir uma pastagem degradada, precisa-se avaliar detalhadamente a que nível se encontra e o que é possível fazer.

A: Como uma pastagem degradada afeta o produtor?

MA: Claramente afeta na parte que mais dói, no bolso. A pastagem é fundamental para manter a rentabilidade da propriedade rural. Consequentemente, deve ser melhorada em tecnologia e sustentabilidade

A: Por que a recuperação de pastagens deve ser feita?

MA: Exatamente para melhorar a rentabilidade da fazenda. Com dinheiro é possível melhorar cada vez mais. Produtor capitalizado é produtor sustentável. Oferece emprego, distribui renda e cuida do meio ambiente. Sem dinheiro, difícil né?!!

A: Quais são as principais vantagens?

MA: A palavra é sustentabilidade. Para ele, para sucessão e para sociedade em geral.

A: O que leva uma área de pastagem a ficar degradada?

MA: São três fatores: manejo, manejo e manejo.

A: Quais são as principais medidas que o produtor deve tomar para realizar esta recuperação?

MA: Na maioria das vezes ele pode se informar e treinar a equipe em manejo. Isso não custa quase nada. Na minha opinião, é a principal medida no curto prazo.

Com o aumento de produtividade, e vai aumentar, ele pega esse dinheiro e investe em infraestrutura. Divisões de pastos, aguadas, e por fim em adubação. Nesse processo tem que ser criativo para aumentar a taxa de lotação, pois imagine comprar 30% de gado a mais em uma atividade que tem as margens apertadas (o dinheiro do Banco do Brasil se paga?)??!!!

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A: Quais as principais medidas que devem ser tomadas para não haver a necessidade de recuperar as pastagens?

MA: Três: manejo, manejo e manejo.

A: Existem iniciativas governamentais ou particulares que auxiliam o produtor nesse processo?

MA: Hoje, tecnologia tem de monte e para todos os gostos. Às vezes, a gente até se perde por conta da quantidade. Vai de excelente consultores até órgãos governamentais. Embrapa é um exemplo disso, tem curso gratuito a todo momento.

O que precisa ser feito pelo produtor é sair da zona de conforto e dedicar mais tempo em entender e planejar sua fazenda como um todo. Aí tomar a decisão de mudar.

A: Quais são os principais custos para realizar essa recuperação?

MA: Quase nada. Mudar de postura e realizar treinamentos já recupera boa parte do sistema de produção.  Em caso mais drástico, que exija reformar a pastagem com grade limpeza, etc. haverá maior custo. Mas o produtor deve estar mais engajado na gestão. A fazenda com intensificação gera um saldo em capital de giro e aí a administração financeira e gerencial deve ser revista.

A: Quais técnicas são as mais utilizadas nesse processo?

MA:

  • 1) Manejo e limpeza
  • 2) Manejo adubação e limpeza
  • 3) Recuperação com plantio convencional (grade, arado, niveladora, etc.)
  • 4) Plantio direto de pastagem
  • 5) iLP (integração Lavoura-Pecuária)
  • 6) iLPF (integração Lavoura-Pecuária-Floresta)

A: Qual o panorama futuro para essa técnica?

MA: Na verdade, o pecuarista não tem outra opção. Ou recupera os pastos, ou vai “cair fora da atividade”.

A: O que á a iLP e a iLPF?

MA: São sistemas integrados com grãos, fibras, pasto e árvores. A ideia é que eles se complementem, que possam potencializar e diversificar a atividade a fim de melhorar o lucro e a sustentabilidade

Integração Lavoura Pecuária Floresta. Foto: Divulgação.
Integração Lavoura Pecuária Floresta. Foto: Divulgação.

A: O que é o Sistema São Mateus? O que ele tem de diferente em relação a iLP?

MA: O SSMateus foi criado para viabilizar grãos em áreas difíceis com baixa pluviosidade (veranicos frequentes), baixa altitude com altas temperaturas e solo arenoso. A especialidade do São Mateus é recuperar áreas degradadas e com isso inverte o sistema. Seguindo o sistema, no início do processo, ao invés de entrar direto com grãos, primeiro deve-se recuperar a pastagem (parte química, física e biológica). Depois de 6 a 12 meses entra-se com plantio de grãos.

A: Ao seu ver, como estes sistemas podem ajudar a pecuária e vice-versa?

MA: Segurança. O São Mateus tem dado ao produtor estabilidade produtiva tanto no grão quanto na pecuária.

A: Qual a área mínima para o produtor trabalhar com estes sistemas?

MA: Não existe. Estes dias atendi um pequeno produtor que possui uma área de 6 ha.

A: Qual o aumento de produtividade que o pecuarista tem com a integração?

MA: Ainda não chegamos ao máximo, mas é muito. No mínimo, na “primeira tacada”, aumenta em 5x a pecuária e chegando até a 10x. Sem falar que ainda entra o grão no sistema, diversificando e aumentando ainda mais a produtividade por área (é possível, no mesmo ano AGRÍCOLA, tirar soja, milho e 3 meses de pasto).

A: Quais os primeiros passos para quem quer implementar a iLP?

MA: Primeiro mudar a postura. Principalmente na parte gerencial. Muda tudo. Segundo, procurar se informar e ter um bom profissional para auxiliar na mudança. O investimento é alto, assim como o risco. Deve-se estar bem ciente que será um passo longo. Sistemas integrados são complexos e demandam muito planejamento e conhecimento.

A: Existe alguma mensagem ou conclusão que você quer deixar para o produtor que está lendo a sua entrevista?

MA: Invista em você e no seu negócio. Ele é próspero, prazeroso e sustentável.

Você tem mais perguntas para o Mateus Arantes?

Ele está no Instagram, @mateusarantesagri e no Facebook, Mateus Arantes Fazenda São Mateus. Envie suas perguntas e conheça o trabalho deste competente profissional!

>> Leia mais: “Pastagens prejudicadas: Como fica o boi gordo?”. Neste artigo, Alberto Pessina fala da influência do clima nas pastagens e, por consequência, a pressão nas cotações do boi gordo.

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