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Micronutrientes: Por que são tão importantes?

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Mãos+ na terra e plantinha germinando.

Quando se pergunta, quais são os nutrientes considerados como importantes para a planta, a primeira coisa que se passa em nossa cabeça é NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). Em alguns casos mais raros, pensamos também em Ca, Mg e S (cálcio, magnésio e enxofre).

Mas nem só destes nutrientes é feita a boa nutrição das plantas.

Neste texto, nós vamos conversar um pouco sobre a importância de se nutrir corretamente a lavoura e a relevância dos micronutrientes.

Por que nutrir a planta é importante?

Os nutrientes desempenham funções estruturais e metabólicas, ou seja, são compostos importantes para a vida na Terra. E como qualquer ser vivo, as plantas também precisam ter acesso a estes compostos para completar seu ciclo de vida.

Basicamente, a nutrição é um dos pontos mais importantes para a produção agrícola. Em uma entrevista para o blog GlobalFert o Dr. Hélio Grassi Filho, Professor Titular do Departamento de Nutrição Mineral de Plantas e Recursos Ambientais da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), em Botucatu, SP, comentou a seguinte frase:

“É interessante ressaltar que o ato de nutrir a planta afeta diretamente a sua produtividade. A falta de um elemento pode resultar em queda brusca na produção. Com o adequado manejo dos nutrientes há manutenção e aumento da produtividade não apenas em termos quantitativos, mas também qualitativos, agregando valor ao produto no mercado”.

Além de permitir que a planta complete seu ciclo de vida de forma plena, a disponibilização correta dos nutrientes pode refletir em outros aspectos positivos para o campo. Dentre estes aspectos positivos temos:

  • Melhor fechamento de dossel e com isso, um combate mais eficiente das plantas daninhas. Saiba mais sobre o manejo de plantas daninhas aqui.
  • Plantas melhor nutridas produzem alimentos mais ricos em nutrientes.
  • Melhor produtividade por área, o que é uma vantagem do ponto de vista ambiental.
  • Raízes mais profundas e com isso, auxílio no manejo do solo.
  • Em plantas ornamentais, a nutrição tem o papel fundamental de auxiliar na beleza e vistosidade.

Mas nem todo elemento químico presente no solo pode ser considerado nutriente. Qualquer elemento químico presente no solo pode ser absorvido pelas plantas, mas somente 12 são considerados essenciais.

São eles:

  • Nitrogênio (N); Fósforo (P); Potássio (K); Cálcio (Ca); Magnésio (Mg); Enxofre (S); caracterizados como macronutrientes.
  • Boro (B); Cloro (Cl); Cobre (Cu); Ferro (Fe); Manganês (Mn); Molibdênio (Mo); Níquel (Ni) e Zinco (Zn); em algumas culturas o cobalto (Co) também pode entrar nesta lista. Estes representam os micronutrientes.

Por que micronutrientes?

A denominação micro geralmente é associada a pouco, menor e com isso é muito fácil pensar que quando se fala micronutrientes, estes são de melhor valor ou pouca importância, se comparados com os macronutrientes.

No entanto, este pensamento está um pouco distante da real proposta do prefixo MICRO.

Quando falamos em macro e micronutrientes, o que queremos, não é ordenar os mais importantes ou menos, mas sim indicar os nutrientes que são essenciais em maior ou menor quantidade.

Um bom exemplo é a quantidade demonstrada nesta tabela que mostra a remoção média de nutrientes do solo para a produção de 1t/ha de milho:

Imagem 1 - Tabela remoção média de nutrientes do solo para a produção de 1t/ha de milho.  Fonte: Aegro.
Imagem 1 – Tabela remoção média de nutrientes do solo para a produção de 1t/ha de milho.  Fonte: Aegro.

Mas se são igualmente importantes, por que os micronutrientes são tão negligenciados?

Como eles são necessários em pouca quantidade, não é sempre que estão em falta na lavoura, e com isso, nem sempre precisam ser repostos. No entanto, isso pode causar uma certa negligência e aparentar que não são importantes.

As consequências dessa negligência podem resultar em uma perda significativa na produtividade final.

A deficiência dos micronutrientes pode ocorrer de duas formas:

  • Deficiência absoluta: Quando o micronutriente não é encontrado em quantidade suficiente no solo.
  • Deficiência induzida: Quando o micronutriente não está disponível para a planta, ou seja, está retido no solo.

Em ambas as situações, é necessário realizar a reposição correta de micronutrientes, caso contrário pode resultar em:

Boro (B): Esta deficiência causa encarquilhamento e deformação nas folhas novas. Com as folhas novas deformadas, a qualidade da fotossíntese é afetada e com isso, a produtividade cai consideravelmente.

Imagem 2 - Deficiência de Boro.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 2 – Deficiência de Boro.  Fonte: ESALQ-USP.

Cloro (Cl): Apresenta murchas no ápice da planta e necrose generalizada, diminuindo a capacidade da planta de completar o seu ciclo.

Imagem 3 - Deficiência de Cloro.  Fonte: Ifope educacional.
Imagem 3 – Deficiência de Cloro.  Fonte: Ifope Educacional.

Cobre (Cu): A planta apresenta pontuações necróticas nas folhas, flores e frutos. Isso pode acarretar queda na produtividade e perda da qualidade do produto final para o consumidor.

Imagem 4 - Deficiência de Cobre.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 4 – Deficiência de Cobre.  Fonte: ESALQ-USP.

Ferro (Fe): Esta deficiência apresenta clorose internerval nas folhas mais novas. Em casos mais graves, pode inibir o crescimento de plantas anuais e em plantas perenes, causar a desfolha e diminuição do tamanho dos frutos, gerando uma perda na qualidade final.

Imagem 5 - Deficiência de Ferro.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 5 – Deficiência de Ferro.  Fonte: ESALQ-USP.

Manganês (Mn): A falta deste nutriente leva a clorose nas folhas mais velhas, nervuras mais salientes e encarquilhamento. Um fato importante para se ter em mente é que um solo mais alcalino favorece a deficiência de manganês, pois este fica retido no solo.

Imagem 6 - Deficiência de Manganês.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 6 – Deficiência de Manganês.  Fonte: ESALQ-USP.

Molibdênio (Mo): A deficiência de molibdênio apresenta sintomas tanto nas folhas velhas quanto nas mais novas. As folhas velhas apresentam clorose com potencial necrose nas extremidades e as folhas novas apresentam encarquilhamento. Afeta de maneira bastante negativa a fotossíntese da planta.

Imagem 7 - Deficiência de Molibdênio.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 7 – Deficiência de Molibdênio.  Fonte: ESALQ-USP.

Níquel (Ni): Sua deficiência causa folhas lanceoladas e em leguminosas, acúmulo de ureia, provocando necrose dos folíolos e folhas mais novas. Afeta diretamente no crescimento e metabolismo da planta.

Imagem 8 - Deficiência de Níquel.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 8 – Deficiência de Níquel.  Fonte: ESALQ-USP.

Zinco (Zn): A deficiência de zinco leva a folhas lanceoladas, internódios curtos, folhas pequenas e mal formadas. Essa má formação acarreta problemas no desenvolvimento, além do zinco fazer parte do metabolismo do nitrogênio, afetando diretamente na absorção deste nutriente.

Imagem 9 - Deficiência de Zinco.  Fonte: ESALQ-USP.
Imagem 9 – Deficiência de Zinco.  Fonte: ESALQ-USP.

Cobalto (Co): O cobalto é essencial para a fixação biológica de nitrogênio em plantas leguminosas. Sem a presença deste micronutriente, esta relação é afetada podendo trazer prejuízos econômicos e na produtividade final.

Imagem 10 - Deficiência de Cobalto.  Fonte: Embrapa.
Imagem 10 – Deficiência de Cobalto.  Fonte: Embrapa.

Conclusão

Cada nutriente tem um papel essencial no metabolismo e na fisiologia da planta e a falta de qualquer um deles pode resultar em mudanças na coloração, porte, disponibilidade de vitaminas e minerais e até mesmo na produtividade final da planta. Isso é uma falha muito grave, principalmente quando se fala de produtos voltados para a alimentação.

É importante que o produtor não se limite a adubar apenas com NPK, é necessário conhecer o solo e entender o que ele pede. Com isso e outros manejos essenciais de uma agricultura produtiva e sustentável, os melhores resultados possíveis serão reflexos garantidos.

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