Importância da identificação das pragas do milho

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Milho para silagem. Foto: Fazenda Santa Elisa.
Milho para silagem. Foto: Fazenda Santa Elisa.

O Brasil se tornou, em 2019, o segundo maior exportador mundial de milho (FAO) com uma produção de 94 milhões de toneladas do cereal. Além de amplamente utilizado para a alimentação humana e animal, o recente aumento da produção de milho está relacionado com o seu uso também na produção de etanol. Contudo, apesar de sua relevância para a economia nacional, a produção de milho é constantemente ameaçada pela ocorrência de diversas pragas.

As pragas têm sido uma das maiores causas de danos na produção de alimentos, não só no Brasil como no mundo, acarretando perdas de 20 a 30% da produção mundial. No Brasil, as pragas encontram condições de clima tropical muito favorável ao seu desenvolvimento. Estima-se que cerca de 70 mil espécies de insetos estejam relacionadas a danos de plantas cultivadas em regiões tropicais.

Além disso, em condições tropicais como as encontradas no Brasil, os insetos pragas são também favorecidos com o cultivo de duas safras em um mesmo ano, como ocorre na produção de milho. Dessa forma, pela disponibilidade das plantas por longos períodos do ano, a população de pragas se mantém elevada no campo, representando uma séria ameaça ao cultivo e um grande desafio aos produtores rurais.

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A principal praga do milho é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) (Figura 1). Um dos fatores que coloca essa praga como a de maior importância para a cultura é que ela pode ocorrer em todos os estádios da cultura, atacando desde plântulas até as espigas. Segundo levantamentos realizados pelo CEPEA, a lagarta-do-cartucho pode levar a perdas de produtividade de 40%, se o seu manejo não for realizado corretamente. Para o manejo adequado da lagarta-do-cartucho, contudo, é fundamental que o produtor monitore e identifique a ocorrência da praga no campo. Dessa forma, identificando a praga precocemente, a tomada de decisão sobre as medidas de controle é mais assertiva e as perdas causadas são menores.

Figura 1. Principal praga do milho: lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).
Fonte: Manual de Pragas do Milho (Fig. 21.3).
Figura 1. Principal praga do milho: lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).
Fonte: Manual de Pragas do Milho (Fig. 21.3).

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A diversidade de pragas no cultivo do milho

O potencial produtivo da cultura do milho é afetado pela ocorrência de diversas pragas. Dependendo da localização geográfica, condições climáticas e tratos culturais realizados, a plantação de milho pode sofrer diferentes intensidades de ataque de pragas em diferentes safras. Assim, a principal praga não será, necessariamente, a principal praga da próxima safra.

Além disso, o milho também é constantemente afetado por pragas de outras culturas, como a soja por exemplo. As pragas que se alimentam de mais de um cultivo são chamadas de polífagas. Assim, o ataque de insetos pragas remanescentes no campo de outros cultivos pode reduzir o stand do milho, ou seja, reduzir o número ideal de plantas.

Geralmente, o milho também sofre o ataque de diversas pragas ao mesmo tempo. Cada praga pode levar desde uma redução parcial até uma redução drástica da capacidade produtiva. Além do mais, o somatório de pequenas perdas causadas por mais de uma praga pode atingir valores elevados, comprometendo a rentabilidade da safra.

Para evitar perdas causadas por pragas do milho, é fundamental que seja realizado o monitoramento da lavoura e que seja realizado o manejo adequado de cada praga. Para isso, é necessário saber identificar corretamente quais insetos pragas estão ocorrendo nos diferentes estádios da cultura, bem como os insetos que não são pragas do milho.

A cultura do milho é atacada por lagartas, percevejos, pulgões, cigarrinhas, corós entre outras pragas e para cada inseto praga existe um manejo ideal. A identificação errada de uma praga acarretaria em decisão errada sobre a medida de manejo a ser adotada e assim, além dos custos com uma medida de manejo desnecessária, a população da praga e os danos a cultura não seriam reduzidos com as medidas adotadas. 

Dessa forma, é essencial que as pragas ocorrentes do campo sejam identificadas corretamente. O elevado número de pragas de diferentes espécies que afetam a cultura do milho, pode representar uma dificuldade ao seu manejo. A identificação correta e específica dessas pragas é essencial para a realização de um manejo eficiente.

Ocorrência de pragas no milho safrinha

Como já percebemos, o produtor precisa estar sempre atento à ocorrência das pragas na lavoura por meio de monitoramento. Acontece que essa regra é ainda mais importante para o milho safrinha. Isso ocorre porque no cultivo do milho safrinha, a incidência de pragas tende a ser ainda maior do que na safra normal.

Algumas razões que explicam a maior ocorrência de insetos pragas no milho safrinha são as temperaturas mais elevadas no início desse cultivo e também a semeadura do milho safrinha ser realizada, geralmente, sobre restos culturais de soja.

Enquanto a safra regular do milho ocorre de agosto a dezembro, o milho safrinha é definido como o milho cultivado de janeiro a março, geralmente depois da soja precoce. Assim, o monitoramento da presença de pragas deve atentar para aquelas pragas chamadas polífagas, ou seja, pragas que são capazes de se alimentar de mais de um cultivo. Além disso, o monitoramento, no caso de pragas polífagas, deve iniciar ainda antes do plantio do milho.

Alguns exemplos de pragas polífagas de extrema importância para o cultivo de milho são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) e o percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus). A ocorrência dessas pragas é conhecidamente mais grave para o milho safrinha do que na safra regular.

O percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus), apesar de ser uma praga considerada secundária, está constantemente associado a elevadas perdas no milho safrinha plantado após a soja, quando não manejado corretamente (Figura 2).

Essa praga se abriga em plantas daninhas e torrões após a colheita da soja até a emergência do milho safrinha. Para reduzir as perdas causadas pelo percevejo barriga-verde, é necessária a realização do seu controle de forma eficaz ainda na cultura da soja e monitoramento antes do plantio do milho safrinha.

Figura 2. O percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus) é uma praga polífaga que deve ser cuidadosamente monitorada antes do plantio do milho safrinha. 
Fonte: Manual de Pragas do Milho (Fig. 13.4).
Figura 2. O percevejo barriga-verde (Dichelops furcatus) é uma praga polífaga que deve ser cuidadosamente monitorada antes do plantio do milho safrinha.
Fonte: Manual de Pragas do Milho (Fig. 13.4).

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Como reduzir perdas causadas por pragas do milho? Manejo Integrado de Pragas (MIP) é a resposta

O MIP, como já explicado no texto “Manejo Integrado de Pragas (MIP)”, se baseia na utilização de um conjunto de estratégias e táticas visando o melhor custo-benefício para o manejo de pragas. Uma das bases do MIP é o monitoramento e identificação dos insetos ocorrentes na lavoura.

É importante identificar não apenas a presença de insetos pragas, mas quais são pragas primárias e secundárias, e quais são insetos inimigos naturais, ou seja, insetos benéficos. Este reconhecimento é essencial para a tomada de decisão se o manejo deve ser realizado e, se sim, qual manejo deve ser utilizado e quando deve ser realizado.

As pragas primárias são aquelas que ocorrem em todos os anos de cultivo, geralmente apresentam altas populações e provocam elevados danos econômicos. Essas pragas devem receber maior atenção no monitoramento e na adoção de medidas de controle.

Alguns exemplos de pragas primárias do milho são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea), a broca-do-colmo (Diatraea saccharalis), a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon).

As pragas secundárias, por sua vez, ocorrem geralmente em baixas populações e dificilmente causam danos econômicos. Sua ocorrência está relacionada com condições bastante favoráveis ao seu desenvolvimento.

Alguns exemplos de pragas secundárias do milho são os percevejos (Dichelops spp.), a larva-alfinete (Diabrotica speciosa) e a larva-arame (Conoderus scalaris). Contudo, apesar de serem chamadas de secundárias, essas pragas não devem ser subestimadas, como vimos no caso do percevejo barriga-verde no plantio do milho safrinha após cultivo da soja.

O manejo de pragas dentro dos preceitos do MIP é baseado em custos, benefícios, impactos sociais e ambientais das táticas empregadas. Dessa forma, o MIP busca preservar os inimigos naturais de insetos praga. O MIP também considera que as pragas podem estar presentes nas lavouras em níveis populacionais tão baixos, que não causariam dano econômico e não necessitam de controle.

Assim, além de preservar os inimigos naturais das pragas, o MIP também reduz os custos de aplicações de inseticidas quando baseadas em um calendário fixo.

Identificação das principais pragas do milho

Como vimos, o monitoramento e identificação dos insetos ocorrentes na lavoura são fundamentais para a realização de manejo correto e também são bases para a adoção do MIP. Deste modo, as medidas de controle serão adotadas apenas quando a população presente de pragas é capaz de causar dano econômico maior do que o custo do controle. Assim sendo, a identificação dos insetos praga ocorrentes no campo é essencial.

Sabe-se também que o milho sofre ataque de diversas pragas que podem atacar a cultura desde a semeadura até a colheita. Além do mais, a importância de cada praga varia dependendo da época de cultivo e estádio de desenvolvimento da cultura.

Com o objetivo de facilitar a identificação das principais pragas do milho, desenvolvemos um “Guia de identificação das 10 principais pragas do milho”. Essa publicação tem como principal objetivo apresentar informações relevantes e sucintas para facilitar a identificação das pragas no campo. Para isso, são apresentadas imagens das pragas em seus diferentes estágios de desenvolvimento, bem como os principais sintomas em milho.

>> Leia mais em nosso artigo: Doenças da cultura do Milho: como identificar e manejar.

>> Leia mais sobre Manejo Integrado de Pragas em nosso artigo: Conversa com especialista: estudos e implantação do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Pedro Takao Yamamoto, professor da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, fala sobre o Manejo Integrado de Pragas, em entrevista exclusiva para a Agromove.

>> Leia em nosso artigo: Cotações do Boi Gordo, Milho e Soja! Uma nova forma de enxergar o mercado!.

>> Leia mais em nosso artigo: Principais fatores que influenciam os preços de milho e soja no mercado brasileiro.

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