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Plantas daninhas: um glossário sobre o seu manejo

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Manejo de Plantas Daninhas
Fonte: Embrapa.

Quando se fala em plantas daninhas a primeira coisa que vem à cabeça é como realizar seu manejo. E quando se pensa em manejo já logo associamos ao uso de herbicidas.

No entanto, o manejo de plantas daninhas abrange muito mais do que apenas o uso de produtos químicos como os herbicidas. Nesse texto vamos conhecer um pouco mais sobre o conceito de manejo e suas subdivisões.

Introdução

Estudos indicam que, no manejo de plantas daninhas, o elemento mais importante é a cultura. Em outras palavras, a cultura é a forma mais eficiente de combate à planta daninha. Uma lavoura bem implantada, sadia e vigorosa possui um alto poder de competição, o que dificulta o desenvolvimento das invasoras.

Mas se a cultura é tão importante, por que os métodos de manejo são necessários?

Bom, até que a cultura se desenvolva totalmente e possa ser competitiva com as plantas daninhas, é necessário utilizar de métodos de manejo que evitem o crescimento e desenvolvimento destas invasoras. Assim, existe uma vantagem para a planta cultivada durante o seu desenvolvimento.

Muito embora a combinação de diversos métodos de manejo, denominada MIPD, seja a recomendação dos profissionais. Este texto irá subdividi-la em tópicos, visando ser mais didático.

Estes tópicos serão:

  • Erradicação
  • Prevenção
  • Controle

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Erradicação de plantas daninhas

Neste método, a planta daninha é completamente eliminada. Desde as plantas propriamente ditas, até seus propágulos (tubérculos, rizomas, bulbos, sementes, etc.).

Normalmente, para que a erradicação possa ser feita, são usados produtos químicos ou métodos físicos que promovem uma desinfecção generalizada do solo.

Contudo, apesar de ser um método extremamente efetivo, pois a infestação só torna a ocorrer se as plantas daninhas forem introduzidas novamente ao meio, é extremamente caro e acaba sendo mais utilizado no tratamento de substratos.

É necessário se atentar aos métodos permitidos por lei. Métodos com o uso de brometo de metila, por exemplo, foram proibidos por serem tóxicos ao meio ambiente. Atualmente, os métodos mais utilizados são cozimento, solarização, injeção de vapor.

Figura 1- Injeção de vapor em substrato para controle de plantas daninhas.
Fonte: Embrapa Meio Ambiente.
Figura 1- Injeção de vapor em substrato.
Fonte: Embrapa Meio Ambiente.

Prevenção de infestação de plantas daninhas

Constitui-se por formas de evitar a introdução de plantas daninhas em uma área. Mesmo que haja outras espécies já presentes, é importante utilizar de métodos de prevenção. Assim, impede-se a entrada de novos propágulos, ou seja, meios de reprodução das plantas daninhas, e com isso reduz-se o potencial de infestação.

Este método tende a mostrar resultados somente a médio e longo prazo. Porém, é um método que não demanda custos elevados e é de fácil execução.

“A prevenção é, sem dúvida, uma importante forma de manejo. Pois, quando é possível evitar a introdução da planta daninha em uma determinada área, evita-se os custos e prejuízos causados por ela” (Constantin, 2011).

Geralmente, para realizar a prevenção, são utilizados alguns métodos de boas práticas.

Métodos utilizados para prevenção

Em primeiro caso, é necessário lembrar que o trabalhador do campo, é um importante disseminador de sementes de plantas daninhas. Pessoas podem carregar estes propágulos em suas roupas, assim como animais podem carregar em sua pelagem. Por isso é muito importante sempre verificar as roupas e realizar uma limpeza adequada dos animais antes de entrar em uma nova área.

A revisão e limpeza também são indispensáveis para máquinas e equipamentos utilizados na lavoura.

O plantio de plantas daninhas junto com o plantio da cultura é outra importante forma de introdução.

É indispensável exigir um certificado ou atestado de garantia do lote, ou então, um relatório técnico indicando as espécies infestantes presentes e suas quantidades. O uso de sementes certificadas é a melhor opção, pois são sementes livres de propágulos de plantas daninhas.

Figura 2- Atestado de garantia do lote de sementes.
Fonte: Embrapa.
Figura 2- Atestado de garantia do lote de sementes.
Fonte: Embrapa.

Áreas vizinhas sem cultivo, estradas, curvas de nível e carreadores devem receber um monitoramento constante para que, caso venha a germinar alguma planta daninha, seja feita a retirada antes que a mesma possa se propagar para as áreas cultivadas.

Outros fatos também devem receber atenção. Para a adubação orgânica, é necessário ter uma fermentação adequada. Assim, o calor gerado por esta fermentação é intenso o suficiente para que os propágulos de plantas daninhas percam sua viabilidade.

Além disso, o vento é um importante agente de disseminação de sementes das plantas infestantes. Desta forma, a implantação de quebra ventos torna-se uma eficiente barreira para estes propágulos, retendo a maior parte deles.

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Controle de plantas daninhas

O controle constitui-se de medidas utilizadas para reduzir a flora daninha já presente no ambiente. O objetivo é torná-la baixa o suficiente para impedir sua interferência no desenvolvimento da cultura. Tais medidas servem, também, para prevenir o aumento dos propágulos.

O controle é composto pelos métodos culturais, mecânicos, biológicos e químicos.

Controle cultural

Este tipo de método é integrado por práticas culturais ou agrícolas que podem tanto diminuir o potencial das plantas daninhas quanto aumentar a competitividade das plantas cultivadas. Entre outras, destacam-se as seguintes medidas de manejo cultural:

  • Manejo de plantas daninhas na entressafra – Este manejo impede que as plantas daninhas que germinam na entressafra produzam propágulos.
  • Rotação de culturasVisa diversificar a flora daninha predominante e com isso diminuir sua capacidade de gerar descendentes resistentes.
  • Escolha de cultivares – As cultivares que se desenvolvem mais rapidamente fecham seu dossel antes e com isso conseguem controlar melhor as plantas daninhas.
  • Cobertura morta – Fisicamente, a palhada afeta na incidência de luz, temperatura e umidade, afetando a quebra de dormência das sementes e a germinação de seus propágulos. Além disso, alguns restos vegetais possuem capacidade alelopática, que é a liberação de substâncias bioquímicas que afetam a germinação de algumas espécies de daninhas.
  • Adubação verde – É comumente utilizado no período da entressafra. Sua vantagem para o manejo de plantas daninhas é que o solo se mantém ocupado evitando a instalação dessas plantas.
  • Espaçamento e densidade de plantio – Quanto maior a densidade de plantio, ou seja, mais plantas por hectare, menor é o tempo demandado para o fechamento do dossel. E com isso, o manejo das daninhas é realizado pela própria cultura.
  • Controle de pragas e doenças – A capacidade competitiva de uma cultura depende da sua sanidade. Uma cultura isenta de problemas, como pragas e doenças, é uma cultura mais vigorosa e, consequentemente, mais competitiva.

Controle biológico

Constitui-se no uso de inimigos naturais para matar, controlar o crescimento, controlar a expansão populacional e reduzir a competitividade das plantas infestantes. Este controle pode ser feito por meio de insetos, fungos, bactérias, animais, ácaros etc.

Saiba mais sobre Controle Biológico em nosso artigo “Controle Biológico: uma alternativa para o manejo de pragas e doenças”.

Os melhores alvos para este tipo de controle são plantas dominantes e perenes. Geralmente é um método utilizado em pastagens e áreas não agricultáveis, como barragens e APP’s (Áreas de Preservação Permanente).

Pode ser dividido em: Clássico, Inundativo e Repositivo.

  • Clássico – Baseia-se na seleção de inimigos naturais específicos da planta daninha que se deseja controlar e sua liberação no ambiente. Geralmente é utilizado no controle de plantas daninhas exóticas.
  • Inundativo – Este método constitui-se da introdução elevada e intensa do inimigo natural específico, causando uma pressão sob a planta daninha. Esse método é mais indicado para plantas daninhas nativas já bem estabelecidas.
  • Repositivo – A estratégia repositiva consiste em definir uma densidade populacional específica de inimigos naturais para o controle das plantas infestantes. Em um nível baixo o suficiente para não interferir negativamente no ambiente.
Figura 3 - Adultos de Neochetina eichhorniae (esquerda) e N. bruchi (direita). Percevejos usados no controle do Aguapé.
Foto: Willey Durden, USDA-ARS, Bugwood. org.
Figura 3 – Adultos de Neochetina eichhorniae (esquerda) e N. bruchi (direita). Percevejos usados no controle do Aguapé.
Foto: Willey Durden, USDA-ARS, Bugwood. org.

Controle mecânico

São, como o próprio nome diz, atividades mecânicas que visam diminuir a comunidade daninha de uma área. É considerado o método mais acessível dentre todos, pois demanda um menor investimento. Tendo em vista que engloba até mesmo o arranquio manual. Pode ser classificado por:

  • Controle manual – Composto por arranquio ou capina manual. É um método bastante eficiente e barato. Porém, é também lento e de difícil execução. Sua utilização em grandes áreas torna-se mais cara, por demandar maior mão de obra.
  • Controle mecanizado – É um método que, assim como o controle manual, possui a vantagem econômica por utilizar de máquinas já presentes na propriedade. Porém, como é um método que revolve o solo pode expor o mesmo à erosão. Além disso, a passagem constante de maquinário na área pode gerar uma camada subsuperficial compactada, o que pode acarretar uma menor área de exploração das raízes da cultura.

Controle químico

Este tipo de controle é o mais comumente utilizado pelos produtores, por diversas vantagens. Dentre elas, a ação rápida e eficiente.

Contudo, este método pode acelerar o desenvolvimento de resistência nas plantas daninhas, dificultando seu controle. Saiba mais sobre resistência de plantas daninhas aqui.

Para entender melhor sobre o método químico, leia o texto sobre herbicidas, no qual este método é melhor explicado.

Conclusão

Com este texto, podemos concluir que os métodos de manejo são muito diferenciados entre si e cada um deles possui um objetivo.

O ideal é analisar a situação de cada lavoura e definir qual método é o mais adequado em qual momento. É importante lembrar que o uso integrado destes métodos, ou seja, utilizá-los em conjunto, é a forma de manejo mais adequada.

Assim, as vantagens de um método suprem as desvantagens de outro.

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