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Cria: 5 principais entraves

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Cria na Pecuária

A pecuária de corte é uma atividade que envolve a produção de gado bovino ou de outros animais. Tem como objetivo o abate e, com isso, a geração de carne para consumo, couro e derivados. Na bovinocultura de corte temos as fases de cria, recria e engorda. A cria compreende a reprodução e o desenvolvimento do bezerro até o seu desmame. A recria começa no desmame e termina no início da reprodução das fêmeas ou início da engorda.

Como produtores rurais, sabemos que há muito mais por trás de cada uma destas etapas. Que são necessários cuidados e que existem diversos obstáculos a vencer.

Sabemos também que sempre que se trata de uma atividade muito complexa, surgem diversas dúvidas. E por isso, nós realizamos uma minissérie de três capítulos. Cada um deles tratando de cada uma destas etapas. E nesta minissérie, pretendemos tirar as principais dúvidas com um especialista.

Começaremos pela Cria. Esta fase pode ser definida com a que melhor se configura como o fundamento de todo o processo. Por isso, sua melhor compreensão pode gerar um melhor valor agregado no futuro. Para responder as perguntas relacionadas a esta etapa, nós entrevistamos o especialista Rodrigo Paniago, da Boviplan Consultoria Agropecuária.

Introdução

Rodrigo Paniago é formado em 1998, pela ESALQ-USP, no curso de Engenharia Agronômica, com especialização em Produção de Ruminantes em 2006, pela mesma instituição.

Questões

Agromove: Como o sistema de Cria pode ser melhor descrito?

Rodrigo Paniago: O Sistema de produção denominado de cria na bovinocultura, tem por objetivo principal a produção de bezerros. Desta forma, nesta etapa de produção está compreendida a reprodução dos animais, o crescimento dos bezerros, tanto os machos como as fêmeas, até o momento da desmama, que ocorre entre 6 e 8 meses de idade. Parte das bezerras, desmamadas, são selecionadas para recria, com o intuito de substituir matrizes que são descartadas por diferentes problemas ligados à reprodução ou produção de bezerros. As bezerras, não selecionados para reposição são direcionadas para venda, juntamente com os bezerros machos. Outra forma de receita desta atividade é a venda das matrizes e touros de descarte, normalmente, para abate. As vendas tanto dos (as) bezerros (as) como dos animais de descarte ocorrem anualmente. A aquisição de animais em sua maioria está restrita à compra de touros, para repor os reprodutores que são descartados.

Apesar do crescente mercado de venda de sêmen para inseminação artificial das vacas, que no primeiro semestre de 2020 cresceu 45% no mercado de gado de corte, em sua grande maioria a reprodução ainda é feita através da monta natural. Ou seja, com o uso de touros.

No Brasil este sistema de produção ocorre praticamente 100% a pasto.

AG: Quais são os 5 principais entraves desta fase? Descreva cada um deles.

RP: Especificamente no mercado brasileiro, podemos destacar os seguintes entraves:

  • intervalo entre partos longo;
  • baixa taxa de concepção, em especial nas fêmeas de 1ª cria (primíparas);
  • sanidade;
  • nutrição;
  • gestão.

O intervalo entre partos é um indicador de eficiência. Ele destaca qual é a capacidade que uma matriz tem de gerar de forma sequencial produtos dentro de um período de tempo. O desejável é que uma matriz não possua intervalos maiores do que 12 meses para gerar um produto, ou seja, o (a) bezerro (a). A vaca de corte padrão tem em média 283 dias de gestão e precisa de um período após o parto, conhecido como “período de serviço” para se recuperar fisiologicamente e voltar a entrar em período fértil, para então emprenhar novamente.

A taxa de concepção é medida pelo percentual de matrizes que são emprenhadas em um determinado período de tempo, sobre o total de matrizes expostas à reprodução no mesmo período, com touro ou com inseminação ou, ainda, com ambas as tecnologias integradas. O desejável é que a taxa de prenhez esteja:

  • acima de 85% para as vacas (multíparas)
  • acima de 65% para as fêmeas que irão emprenhar pela segunda vez (primíparas).

Com relação à sanidade na fase de cria, é importante saber que, além das doenças comuns aos bovinos, somam-se a elas as doenças reprodutivas. Não bastasse a interferência de uma gama maior de doenças, a etapa de cria também engloba a categoria mais sensível dos bovinos, que são os bezerros (as), de recém-nascidos ao desmame. Normalmente, espera-se que a taxa de mortalidade em adultos seja de 1%, enquanto a mortalidade de animais em aleitamento fique em até 5%.

A nutrição é fator preponderante no resultado desta atividade. As raças bovinas criadas comercialmente foram e continuam sendo, naturalmente, melhoradas para fertilidade e resistência às doenças. Mas para que tais qualidades se expressem é necessário que os animais estejam bem alimentados, tanto no que se refere à quantidade como na qualidade dos alimentos ofertados, que no caso é basicamente capim.

Por uma questão óbvia, a gestão é fator de destaque em qualquer atividade econômica. Inclusive está presente, mesmo que não citada diretamente, em quase todos os parágrafos anteriores. Contudo, a bovinocultura, em especial a de corte, notabiliza-se por ter modelo de gestão empírico, com índices muito baixos de coleta de dados e análises dos mesmos, ou seja, baixa a adoção de técnicas de gestão.

Cria. Raça Tabapuã. Foto: Divulgação.
Cria. Raça Tabapuã. Foto: Divulgação.

AG: Quais são as possíveis causas destes entraves, os impactos e como podemos amenizá-los?

RP: A consequência de intervalos entre partos muito longos é o aumento de custo de produção, pois se reduz a geração média de produtos por unidade de produção, que no caso é a vaca, em um determinado tempo.

Na maioria dos casos, os fatores que interferem no intervalo entre partos são: genética, manejo da reprodução e manejo nutricional. Por conta de um baixo nível de gestão, comum aos criadores de gado, os produtores não têm uma base segura de dados individualizados por matriz, para promover uma seleção adequada das mesmas. Um exemplo claro do efeito do manejo da reprodução, que incorre no maior intervalo entre partos, e negativamente na nutrição dos animais e no melhoramento genético, está na falta de estação de monta. Desta forma, são ofertadas para as vacas, em momentos de estágio reprodutivo diferentes, quantidades e qualidades capim também diferentes, gerando resultados sem base comum para comparação, impedindo então a seleção das matrizes.

Normalmente, ocorre um déficit de oferta e qualidade no período seco do ano. Enquanto no período chuvoso a oferta é maior e com melhor qualidade. Mas, se as pastagens forem mal manejadas também pode interferir negativamente na nutrição e, por conseguinte, no intervalo entre partos.

Portanto, além de uma estratégia adequada de manejo da reprodução, o produtor tem que utilizar planejamento, que é uma ferramenta básica de gestão, tanto para possibilitar a coleta de dados de forma individualizada dos animais, como para reduzir o efeito da estacionalidade da produção de pastagens sobre o desempenho do rebanho.

A baixa fertilidade média dos rebanhos, independentemente da raça (genética), está ligada a falta de processos internos de seleção de matrizes e, em especial, por conta de erros no manejo reprodutivo e nutricional dos bovinos, como o citado anteriormente.

Especificamente, no caso das primíparas, a questão nutricional é ainda mais delicada, pois são fêmeas que ainda estão em fase de crescimento enquanto estão gestando e, por isso, devem ter um sistema nutricional diferenciado, o que aumenta ainda mais o desafio para se obter eficiência reprodutiva nesta categoria. Por isso, o planejamento nutricional do rebanho também tem que prever suporte diferenciado para as diferentes categorias animais do rebanho de uma fazenda de cria, que notadamente são as multíparas, as primíparas, as novilhas em recria (nulíparas), os touros, quando separados das matrizes (fora da estação de monta) e, em alguns casos, até os bezerros (as) em aleitamento, a fim de que se obtenha maior eficiência.

A maior ocorrência de doenças reprodutivas se dá por falta de monitoramento e planejamento do manejo sanitário do rebanho, levando à queda da eficiência reprodutiva. Uma característica importante que se deve destacar em relação aos bovinos é que a transferências de anticorpos da mãe para a cria ocorre só através do colostro. Ou seja, caso o consumo do colostro pelo bezerro (as) não ocorra até as primeiras 6 horas de vida a consequência é o aumento na taxa de mortalidade de bezerros (as). Neste caso, a solução é manter um monitoramento mais intensivo junto às vacas que estão prestes a parir, para garantir que o (a) bezerro (a) consuma o colostro e que receba os protocolos sanitários de recém-nascido (a).

A causa principal de problemas nutricionais em rebanhos é a falta de planejamento para lidar com a estacionalidade de produção das pastagens. Vale destacar, que o principal alimento do gado é o capim. Ou seja, uma planta que está em desenvolvimento, o que denota mudanças na oferta quantitativa e qualitativa do alimento ao longo do tempo. Está aí o maior desafio do pecuarista, equilibrar a demanda e a oferta dos alimentos ao longo do ano na produção a pasto. Uma das alternativas para melhorar a oferta das pastagens é o uso do manejo rotacionado, que possibilita o produtor a realizar o uso racional do recurso forrageiro, respeitando o ciclo de crescimento das plantas do capim, garantindo uma oferta mais ajustada ao longo do ano.

A falta de gestão, nas propriedades de bovinocultura de corte, é culpa de um passado de margens folgadas entre custo e receita, que permitiam tanto ao ineficiente como ao eficiente se aproveitar da atividade pecuária sem grandes percalços. Além da questão financeira é preciso somar o fato de que na gestão da cria existe um número maior de indicadores produtivos, ou melhor, reprodutivos que podem e devem ser utilizados nas análises de desempenho e, evidentemente, nas tomadas de decisão para prover maior ganho de eficiência. A solução está em capacitar a equipe, incluindo o proprietário, para que a coleta de dados e análise destes, tanto os financeiros como os de produção, possibilitem as melhores tomadas de decisões.

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AG: Considerando as 5 principais áreas da produção animal:

  • saúde e bem estar animal,
  • nutrição animal e forrageiras,
  • melhoramento animal,
  • gestão e ciência da produção e ciência
  • tecnologia da carne.

Quais os principais gargalos que afetam a etapa de cria?

RP: Considerando as áreas citadas como as 5 principais, no tocante à saúde e bem estar animal, apesar das doenças não serem o maior problema, ainda há espaço para ganhos em eficiência na questão sanitária. Portanto, o desafio está no monitoramento da saúde dos animais, pois não é comum o criador realizar coletas de sêmen ou sangue para, através de análises laboratoriais, providenciar alterações em seu manejo sanitário ou mesmo de reprodução.

Quanto ao bem estar animal, apesar de já existir uma evolução quando se compara a forma como os animais eram manejados na década de 80 ou 90, também existe um bom espaço para amadurecimento neste quesito, levando a ganhos em produtividade e, por consequência, em rentabilidade. Para melhorar neste item é preciso intensificar os eventos de capacitação da mão de obra, relativos ao tema.

Com relação à nutrição animal, as tecnologias de suplementação com minerais e outros tipos de nutrientes é muito avançada, mas adoção de algumas, que inclusive são velhas conhecidas dos produtores, precisaria ser maior, como suplementação diferenciada por categoria animal e uso de suplementação com adição de fonte proteica no período da seca.

Contudo, o maior desafio está no manejo das pastagens. Neste assunto está sem sombra de dúvidas o de maior índice de insucesso entre os produtores, independentemente do sistema de produção, ou seja, se cria, recria e engorda ou ciclo completo. Tanto é verdade, que o percentual de área de pastagens degradadas nas propriedades é sempre alto, com consequente baixa oferta de pastagens por área. Como resultado disso, o pecuarista tem um custo elevado para reformar pastagens e por produzir pouco por área disponível. Portanto, o gargalo neste tópico é o desconhecimento de técnicas de orçamentação forrageira e de manejo das pastagens.

Assim como na nutrição animal, as tecnologias de melhoramento genético no país estão muito evoluídas, mas também carecem de maior adoção, como exemplo o uso de touros melhoradores, pois os criadores não conhecem ou sabem calcular o custo/benefício de se adquirir touros superiores. É comum o pecuarista inclusive comprar sêmen de touros que estão há muito tempo no mercado, em vez de utilizar o sêmen de touros mais jovens, oriundos do processo contínuo de melhoramento genético e avaliação.

Está na gestão o maior gargalo da cria, como mencionado em resposta anterior, o amadorismo neste item é a característica principal da pecuária, o produtor perde muito por não fazer escrituração zootécnica e gestão de custos, por exemplo. Este é o ponto em que há o maior espaço para ganhos acumulativos na produção, pois com a gestão bem feita as falhas ficam evidentes, dando oportunidade para o criador agir de forma estratégica para elevar a eficiência de seu negócio.

No tocante a tecnologia da carne, como criador está no início do ciclo de produção do boi gordo, não cabe a ele a gestão do acabamento de carcaça que é um dos fatores mais importantes para o frigorífico com relação ao tópico. Mas, no que se refere ao marmoreio, ou seja, a presença maior de gordura entremeada na carne, o criador pode assumir a direção, pois o efeito sobre esta característica é advinda da genética, ou seja, da raça dos bovinos que em geral são de origens europeias. Desta forma, apesar de não ser um grande gargalo neste assunto, ainda assim é um desafio, pois ao incluir o sangue de raças europeias no rebanho, a consequência é a produção de animais menos rústicos, além de dificultar a reposição de fêmeas, visto que reduz a quantidade de fêmeas da raça original da matriz, que em geral é zebuína.

AG: Alguns estudos comentam sobre a oscilação no número de animais, principalmente na etapa de cria. O que pode ser o motivo para esta instabilidade?

RP: Esta instabilidade é típica da atividade pecuária, conhecida como “ciclo pecuário”, impacta diretamente no setor de cria. É o reflexo mais claro das consequências da oferta e demanda na pecuária. O ciclo pecuário oscila por conta do mercado de fêmeas, isto é, oscila de acordo com o total de abates ou retenção de fêmeas. Quando ocorre a retenção de matrizes, a consequência é uma maior oferta de bezerros. E, por seguinte, menor preço pago nos bezerros e maior oferta de bois gordos, que por fim leva à queda no valor pago pelo boi. Quando ocorre o aumento no abate de fêmeas, reduz-se a oferta de bezerros, que leva à redução de ofertas de boi e, por fim, aumento do valor pago na arroba do boi, que aumenta a procura por bezerros, que depois aumenta a retenção das vacas e assim vai ciclando.

AG: Qual a importância de gestão de estoques do rebanho na atividade de cria? Como fazer este controle?

RP: É importante ter a gestão dos estoques por que quase todos os insumos estão diretamente ou indiretamente ligados o tamanho do rebanho e sua distribuição conforme a categoria animal. Por outro lado, o tamanho do rebanho está diretamente ligado à capacidade de suporte da propriedade, o que exige do pecuarista o monitoramento do estoque para que ele não supere a capacidade de suas pastagens em alimentar adequadamente os seus bovinos, pois pode gerar uma queda considerável no desempenho dos animais e aumentos com custos de manutenção das pastagens, caso a mesma não seja respeitada.

O controle de estoque deve ser feito calculando-se a quantidade de animais por categoria, tanto para se calcular a demanda por lotação, consumo de suplementos e produtos veterinários, por exemplo. Como também para simular a evolução do rebanho, ou seja, definir como vão acontecer as entradas e saídas de animais e quando elas poderão ocorrer, possibilitando um plano orçamentário, facilitando a gestão financeira do empreendimento.

Matriz e seu bezerro. Foto: Divulgação.
Matriz e seu bezerro. Foto: Divulgação.

AG: Em uma pesquisa realizada pela EMBRAPA em parceria com a CiCarnes, Unipampas e NESPro, há um ranking no qual, entre os itens de prioridade máxima para o produtor rural, o Custo de Produção fica em primeiro lugar (com 57,6% dos votos). Explique-nos por que este item é tão importante?

RP: Ele é importante como em qualquer atividade do setor produtivo. Sem o entendimento claro do custo de produção não é possível fazer qualquer projeção de resultado financeiro, de tal modo que o produtor conduzirá o negócio no escuro, sem saber se o resultado ao final do ciclo produtivo será vantajoso ou não. Também corta a possibilidade do pecuarista tomar inciativas para reconduzir o negócio dele para uma direção em que o resultado esperado seja satisfatório.

AG: Como citado acima, os custos de produção estão entre as principais preocupações do pecuarista. Quais são os principais custos? Como medi-los? Como melhorá-los? Sabemos que o setor tem grande desuniformidade e diferentes níveis de produção, mas é possível apresentarmos alguns parâmetros médios para cada um destes custos?

RP: Os custos variáveis na cria podem ser até 3 vezes maior do que os custos fixos. Os principais custos variáveis são: suplementação, mão de obra e despesas administrativas ou aquisição de animais. Os principais custos fixos são: exaustão das pastagens, depreciações das benfeitorias e das máquinas e implementos. Para medi-los só é possível com a utilização de ferramentas de gestão, como a alocação das despesas por centro de custo e plano contas. Dependendo da complexidade da operação e do tipo de gestão de dados que se almeja, pode se utilizar desde um simples livro caixa ou até mesmo um software de gestão específico para este tipo de atividade. Para melhorá-los, somente após uma análise aprofundada das despesas e da estratégia de produção, para definir então as estratégias de aumento de eficiência produtiva, estratégia de redução de despesas e desperdícios e de compras.

Os custos da cria giram em torno de R$ 90,00 por arroba para os custos variáveis e R$ 30,00 por arroba para custos fixos. Caso a conta inclua o valor da terra, este valor pode ser em torno de R$ 60,00 por arroba. E se também for considerar a remuneração esperada sobre o capital, esta pode ser de R$ 50,00 por arroba.

Quanto mais intensivo for o sistema de cria, a elevação de custo que mais se destaca é a da suplementação.

AG: Até que ponto vale a pena intensificar a cria? Quais são os 3 principais obstáculos no processo de intensificação? No artigo abaixo, comentamos alguns problemas.

RP: Não há como se definir, precisamente e de forma genérica, até que ponto vale a pena intensificar a cria. Uma mesma fazenda sob a direção de duas pessoas diferentes, também leva a dois resultados diferentes, pois o mesmo está mais ligado à capacidade gerencial do proprietário do que especificamente à da infraestrutura da propriedade. Portanto, o parâmetro de lucro aceitável também difere de investidor para investidor, assim como a tomada de risco. A única forma de se definir um ponto, de forma genérica, é estabelecer, por exemplo, que este é igual ao momento onde a máxima produtividade, que incorre numa despesa tamanha, que não possibilite haver lucro ou que gere prejuízo.

Quando o assunto é intensificação na pecuária, existem dois caminhos distintos, o investimento para se aumentar a produtividade por indivíduo ou por área. O impacto nos investimentos para aumentos de produtividade por área é muito maior na produtividade total do que os aumentos proporcionados pelos investimentos no desempenho por indivíduo. Contudo, o valor a ser investido nas tecnologias de ganho por área também são bem maiores. Por outro lado, como as vacas possuem peso individual médio elevado, o seu custo de alimentação para manutenção de peso também é muito alto, o que pode limitar a lotação máxima, não por questões técnicas, mas por custo/benefício.

Desta forma, podemos citar como exemplos de obstáculos para intensificação da cria:

  • a capacidade gerencial do investidor;
  • o alto custo alimentar das vacas;
  • a disponibilidade de capital para investimentos.

AG: Em nossas pesquisas, percebemos que o elo da cria é o que menos dá atenção na gestão de custos e na comercialização dos animais. Conforme ocorre o aumento da intensificação na cria, os custos aumentam e a gestão da receita ganha mais representatividade no negócio. Demonstramos no artigo abaixo, que pequenas oscilações na receita, podem impactar significativamente o resultado obtido com o esforço produtivo. Como o criador deve enfrentar este desafio?

RP: O produtor rural é um tomador de preço, ele sempre pergunta qual é o preço pelo qual o vendedor está vendendo o insumo que ele precisa adquirir. Assim como ele não é capaz de definir o preço pelo qual ele vai vender o seu produto, seja o bezerro ou a vaca de descarte que ele enviará ao frigorífico para abate, sem antes “perguntar” ao mercado quanto ele está pagando. Especialmente no caso do criador, o perfil do produtor é mais conservador e focado no desempenho produtivo, no detalhe da produção.

Enquanto o produtor que faz recria e engorda (invernista) possui um perfil mais negociador, pois de 60 a 70% das duas despesas são oriundas da reposição de animais, o que o faz estar mais ligado no que ocorre no mercado do que dentro da porteira, quando comparado ao criador. Portanto, devido ao seu perfil, o criador é um gestor que está mais apto para obter ganhos em eficiência na produção do que na comercialização de seus produtos.

Contudo, ainda assim, o criador pode investir em marketing, melhorando a apresentação dos seus produtos para que possam ser vendidos no patamar de cima ou fazer parcerias com o invernista, investindo em qualidade de seus animais e na data de entrega de interesse do invernista, recebendo em troca um ágio combinado antecipadamente para o seu produto.

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AG: Existe alguma mensagem ou conclusão que você queira deixar para o produtor que está lendo a sua entrevista?

RP: O mercado está cada dia mais exigente, seja no tocante à segurança alimentar, seja em relação à qualidade do produto ou, ainda, no que se refere às questões ambientais. Assim como o mercado comprador está mudando rapidamente, a oferta de tecnologias também está se modificando de forma rápida. Não há como o criador se manter na atividade de forma satisfatória sem também mudar o seu sistema de produção, pois sem eficiência produtiva não há margem de lucro. O caminho mais fácil e assertivo é o da profissionalização da gestão, pois é a partir desta que se definem as estratégias, o uso das tecnologias e se garante a continuidade na atividade. O pecuarista do futuro é aquele que maximiza lucro, não é mais aquele que é recordista em produtividade.

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