Pós colheita da soja: a importância desta etapa na cultura mais produzida do Brasil

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Pós Colheita Soja.

O Brasil se configura como o segundo maior produtor mundial de soja, com uma produção de mais de 114 milhões de toneladas na safra 2018/19, segundo a Embrapa Soja. Apesar da preocupação estar sempre voltada para o manejo da lavoura em si, como pragas e doenças, é necessário assegurar o cuidado na pós colheita da soja para garantir a qualidade da matéria-prima ao longo do ano. Saiba mais sobre a cultura da soja em “Cultura da soja: sua importância na atualidade”.

Neste texto vamos abordar sobre a pós colheita da soja.

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Os grãos de soja colhidos são utilizados em variados setores agroindustriais do Brasil e demandam armazenamento adequado para garantir a disponibilidade de matéria prima de qualidade na entressafra. Entretanto, existem problemas no armazenamento que reduzem a qualidade da soja e impossibilitam a sua utilização, devido à formação de grãos mofados, fermentados, germinados e/ou queimados. Além de apresentarem riscos para o consumo humano e animal, por conta da produção de micotoxinas, dificultam também o processo industrial, reduzindo a qualidade da matéria prima e apresentando menor rendimento.

Fatores como temperatura, umidade dos grãos, umidade relativa do ar, atmosfera de armazenamento, teor de impurezas, teor de grãos quebrados, presença de micro-organismos, insetos, ácaros e tempo de armazenamento podem provocar perdas qualitativas e quantitativas dos grãos de soja.

As perdas quantitativas são representadas pelas perdas de peso e umidade, causadas pelos processos de respiração e busca pelo equilíbrio higroscópico, respectivamente. Segundo Azevedo et al., no caso de perdas quantitativas, podem chegar até 30% na pós colheita dos grãos.

As perdas qualitativas são representadas pelas perdas de sabor, odor, valor nutricional, parâmetros fisiológicos (germinação e vigor) e aumento do risco de micotoxinas, além da desvalorização de mercado.

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Etapas de pós-colheita da Soja

Deste modo, são necessárias etapas de pós-colheita adequadas para manutenção da qualidade dos grãos de soja, como é explicado por Paraginski et al (2017) nos seguintes tópicos.

Etapas de pós-colheita adequadas para manutenção da qualidade dos grãos de soja.
Etapas de pós-colheita adequadas para manutenção da qualidade dos grãos de soja.

Manejo Pré-Colheita

No período de entressafra devem ser realizados a limpeza e o preparo da unidade armazenadora, geralmente nos meses de novembro e dezembro, devendo-se eliminar todas as sobras de grãos, detritos e restos de embalagens. Esta limpeza deve ser feita dentro dos armazéns e silos, dos equipamentos e da área externa da unidade, sendo recomendado proceder a pulverização de toda a unidade com inseticidas adequados, para eliminar possíveis insetos e larvas que possam a vir a infestar a unidade.

Cuidados na pré-limpeza e limpeza dos grãos

É necessário fazer a avaliação dos grãos de soja na recepção para determinar se serão realizadas as etapas de pré-limpeza e limpeza. Recomenda-se que quando for necessária a secagem dos grãos, os níveis de matérias estranhas e impurezas devem ser reduzidos para valores inferiores a 4%. Já para o armazenamento, esses níveis devem ser reduzidos para valores inferiores a 1%. Estas etapas devem ser realizadas com máquinas de ar e peneiras, que utilizam princípios de vazão de ar e de peneiras de diferentes tamanhos. A presença de matérias estranhas no interior das amostras no momento da secagem pode provocar incêndio e colocar em risco toda a unidade armazenadora, dependendo do tempo de permanência destas no interior dos silos. Já a permanência de grãos no interior dos silos pode favorecer o desenvolvimento de micro-organismos e dificultar o processo de aeração dos silos.

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Cuidados na secagem

A secagem é a etapa fundamental na conservação dos grãos. O teor de água adequado para o armazenamento depende da espécie e do período que se pretende armazenar os grãos, sendo que além da umidade, fatores como temperatura, umidade relativa do ar, pragas e doenças podem interferir na qualidade. A maturação fisiológica dos grãos de soja ocorre com níveis de umidade entre 45% e 50%, sendo a colheita mecânica realizada com teores entre 14% e 20%.

É recomendado nos períodos de até 1 ano de armazenamento, o teor de umidade menor que 11% e nos períodos de armazenamento maiores que 1 ano, entre 9% e 10%.

A etapa de aeração também é fundamental nesse processo de conservação, visto que os grãos são colocados ainda “quentes” no interior do silo. Os exaustores devem ser ligados no momento em que os grãos são depositados no silo, para que ocorra a redução da umidade destes.

Exemplo de secador de fluxo contínuo.
Fonte: Agrolink.

Exemplo de secador de fluxo contínuo.
Fonte: Agrolink.
Exemplo de secador misto ou também conhecido como seca-aeração.
Exemplo de secador misto ou também conhecido como seca-aeração.

Um seguinte parâmetro que deve ser considerado é a redução do tempo de espera dos grãos para secagem. Muitas vezes os grãos chegam até a unidade e devido ao fluxo elevado de grãos, acabam permanecendo nas moegas, onde na maioria dos casos ocorre o aquecimento destes grãos. No curto prazo não representa problemas, porém no longo prazo, estes grãos, que tiveram um aquecimento antes da secagem, tendem a desenvolver uma maior quantidade de defeitos metabólicos, podendo comprometer o valor de comercialização. Portanto, recomenda-se que os grãos permaneçam no interior de silos pulmões, que possuem sistema de resfriamento natural ou artificial, sendo o principal objetivo reduzir a temperatura desses para valores próximos a 15ºC, visando a redução do metabolismo e das alterações destes grãos.

Cuidados no carregamento de silos e armazéns

Processo fundamental para que se tenha uma uniformidade da massa de grãos de soja e evite-se o acúmulo de matérias estranhas, impurezas e grãos quebrados no interior do silo, que podem dificultar a aeração. O carregamento do silo deve ser feito da seguinte maneira: carregar o silo até 1/3 de sua capacidade e remover os grãos da parte central; carregar novamente até 2/3 de sua capacidade e novamente remover os grãos da parte central; carregar totalmente o silo e remover os grãos da parte central; e por fim realizar o carregamento total do silo, respeitando a distância de 1,2 a 1,5 metros da distância entre a massa de grãos e a cobertura do silo. A manutenção desta distância na cobertura do silo é essencial para facilitar as trocas gasosas na cobertura e evitar que ocorra a condensação na superfície da massa de grãos, auxiliado por exaustores.

Redução do metabolismo dos grãos

Em decorrência do processo respiratório, o metabolismo dos grãos juntamente com o ataque de micro-organismos e insetos, podem resultar em alterações na matéria-prima, como aparecimento de manchas e descoloração, alterações no odor, aquecimento e compactação da massa de grãos, produção de toxinas (as micotoxinas), redução do poder germinativo e vigor de sementes, alterações na composição química e nutricional dos grãos e consumo de matéria seca. Portanto, é necessário que haja o processo de resfriamento da massa de grãos durante o período de armazenagem. Para diminuir a atividade da água e reduzir a taxa respiratória dos grãos, além de retardar o desenvolvimento dos insetos-praga e da microflora presente, independentemente das condições climáticas da região. A presença de umidade acima de 14,5% pode resultar no desenvolvimento de mofo, se a temperatura de grãos ultrapassar a faixa entre 22-24°C durante um longo período de tempo.

Após essas etapas, pode-se ver como é importante a necessidade da manutenção da soja não só durante seu plantio, mas também após sua colheita. Dessa forma é possível manter a qualidade do grão, durante o seu período de safra e igualmente nas entressafras, favorecendo principalmente o rendimento para o mercado.

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