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Como o Gesso atua no Solo?

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Monte de gesso e um trator à frente. Fonte: http://www.sulgesso.com/site/portfolio-view/gesso-agricola/
Foto: Sulgesso.

Introdução

O Brasil possui uma grande diversidade de solos em sua extensão, esse fato é decorrente da ampla diversidade de pedoambientes e de fatores de formação do solo. Contudo, em nosso território predominam os Latossolos, Argissolos e Neossolos, que no conjunto, se distribuem em aproximadamente 70% do território nacional. As classes Latossolos e Argissolos ocupam aproximadamente 58% da área e são solos profundos, altamente intemperizados, ácidos, de baixa fertilidade natural e, em certos casos, com alta saturação por alumínio (EMBRAPA, 2011).

O uso de calcário, já amplamente difundido na agricultura nacional minimiza problemas como acidez, deficiências de cálcio e magnésio e toxidez por alumínio das camadas mais superficiais do solo, porém, a subsuperfície, camada não arável do solo, também pode apresentar esses e outros problemas. Visando a correção desses danos, faz-se necessária a utilização da gessagem.

Portanto, para que a prática seja realizada de maneira adequada e supra as necessidades pelas quais a mesma é recomendada, torna-se importante entender suas atuações, reações e benefícios, fatores que serão detalhados a seguir.

Objetivos

Os solos brasileiros, em sua maioria são pobres em cálcio (Ca) e ricos em alumínio (Al), principalmente nas camadas mais profundas. Dessa forma, a maior parte da superfície radicular das culturas não consegue se desenvolver em profundidade, limitando-se aos primeiros centímetros do solo (CHINELATO, 2018). Essa limitação é causada justamente pela falta de cálcio em profundidade, essencial ao desenvolvimento radicular, aliado à presença do alumínio em sua forma tóxica (Al3+) o que impede que as raízes cresçam até as camadas mais inferiores do solo.

Tendo em vista as características dos solos brasileiros e a necessidade de corrigi-los visando alcançar produtividades superiores, percebe-se a importância do uso do gesso (CaSO4.2H2O). Tal corretivo é fonte de Cálcio e Enxofre (S) e também atua como condicionador de subsuperfície (CHINELATO, 2018).

O gesso, devido a sua alta solubilidade (quando comparado ao calcário), consegue percolar até as camadas mais profundas do solo. Quando aplicado, sua fórmula se dissocia liberando parte do Ca e do S em superfície, nas formas de Ca2+ e SO4 2- (ação fertilizante). O restante, por permanecer com carga zero (CaSO4) não se adsorve aos coloides do solo e, por isso, desce até as camadas subsuperficiais. As reações citadas são descritas abaixo:

Reações do Gesso no Solo.
Figura 1. Reações do Gesso no Solo.

A partir destas reações, tem-se disponível na camada subsuperficial os íons Ca 2+ e SO4 2- , estes agirão com efeito condicionador. Esta ação inicia-se com a competição entre Ca2+ e Al3+ pelos mesmos sítios de adsorção nos coloides, no qual 3 íons de Ca deslocarão 2 íons de Al para a solução do solo. Já na solução, os íons de Al ficarão suscetíveis a reagir com os íons sulfatos liberados pelo gesso, formando assim, o composto AlSO4+. Este íon não é tóxico às plantas e, por isso, não afetará o desenvolvimento das raízes. (VITTI, 2016). As reações podem ser analisadas na figura a seguir:

Ação do gesso como condicionar de subsuperfície.



Figura 2. Ação do gesso como condicionar de subsuperfície.

Com isso, resume-se as ações benéficas da gessagem: efeito fertilizante com liberação de cálcio e enxofre na superfície, disponibilização de Ca em subsuperfície e inativação do Al tóxico (SGARBIERO; VALE; VITTI, 2019).

Vale ressaltar que o gesso não é um corretivo de acidez do solo, pois não neutraliza o H+ presente na solução, e sim um condicionador de subsuperfície, capaz de diminuir o Al3+ tóxico, fornecer S e Ca, e aumentar a saturação por bases das camadas mais profundas (CHINELATO, 2018).

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Cálculos para recomendação de Gessagem

O cálculo para recomendação de gessagem pode ser realizado por diversos métodos, contudo, inicialmente, deve-se analisar os parâmetros abaixo para avaliar se há necessidade da realização desta prática.

*Critérios verificados de acordo com a análise de solo na camada 20-40:

  • Ca < 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
  • Al > 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
  • Saturação por alumínio (m%) > 20; (SOUZA et al., 1992 apud SGARBIERO; VITTI, 2020).
  • Saturação por bases (V% < 35) (VITTI et al., 2008 apud SGARBIERO; VITTI, 2020).

Quando um ou mais desses itens forem atingidos, deve-se realizar a gessagem. Para definição da dose necessária deve-se utilizar um dos meios abaixo:

Textura do solo

É necessário realizar a análise da textura do solo para identificar o teor de argila do mesmo (SOUZA; LOBATO, 2004 apud CHINELATO, 2018): com base no resultado, seguir o critério de acordo com a cultura a ser cultivada:

  • Culturas anuais: NG = 50 x argila (%);
  • Culturas perenes: NG = 75 x argila (%).

Em que:

NG = necessidade de gesso (kg ha-1)

Gesso agrícola. Foto: Nutrigesso.
Gesso agrícola. Foto: Nutrigesso.

Saturação por bases e CTC nas camadas subsuperficiais

Em situações que o V% em subsuperfície está inadequado, de acordo com VITTI et al., 2004 apud CHINELATO, 2018, a fórmula a se utilizar é:

Fórmula para Necessidade de Gesso.
Necessidade de Gesso.

Em que:

NG = necessidade de gesso (kg ha-1);

V2 = Saturação por bases esperada (%);

V1 = Saturação por bases atual na camada 20 – 40 cm (%);

CTC = capacidade de troca catiônica, em mmolc.dm-3, na camada 20-40 cm.

Teor de enxofre

Se o teor de enxofre (S) for < 15 mg dm-3 e não houve necessidade de gesso como condicionador, deve seguir a seguinte tabela: (VITTI, 2018 apud SGARBIERO; VITTI, 2020):

S (mg dm-3)Gesso (kg ha-1)S (kg ha-1)
0 – 51000150
6 – 10750115
11 – 1550075
> 1500
Tabela 1 – Recomendação de gesso como fonte de enxofre.
Fonte: Adaptado de Sgarbiero; Vitti, 2020.

Resultados

A figura 3 retrata os benefícios de uma gessagem realizada de maneira correta. Observa-se que houve um aumento expressivo na quantidade de raízes nas camadas profundas, que pode ser explicado pelo condicionamento dessa subsuperfície, em que o Al, tóxico às plantas, foi inativado, além do incremento de enxofre e cálcio (SOUZA et al., 2005).

Figura 3. Ilustração da distribuição dos sistemas radiculares de plantas com e sem aplicação do gesso agrícola.
Fonte: Adaptado de Souza et al., 2005.



Figura 3. Ilustração da distribuição dos sistemas radiculares de plantas com e sem aplicação do gesso agrícola.
Fonte: Adaptado de Souza et al., 2005.

Para saber mais sobre o assunto aguarde os próximos posts sobre práticas corretivas ou entre em contato com o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão – GAPE que possui área de atuação em nutrição de plantas e adubação.

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REFERÊNCIAS

EMBRAPA. Os solos do Brasil. 2011. Disponível em: https://www.embrapa.br/tema-solos-brasileiros/solos-do-brasil. Acesso em: 24 out. 2020.

SGARBIERO, Eduardo; VALE, Fabio; VITTI, Godofredo Cesar. PRÁTICAS PARA CORREÇÃO DOS SOLOS (CALAGEM E GESSAGEM) FERTILIZANTES COM MACRO E MICRONUTRIENTES UTILIZADOS NA NUTRIÇÃO DAS CULTURAS. 02. ed. Itápolis: Adubai e Vittagro, 2019.

SOUSA, Djalma M. Gomes de et alUso de gesso agrícola nos solos do Cerrado. Planaltina: Embrapa, 2005. 19 p. Circular técnica 32. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/568533/1/cirtec32.pdf. Acesso em: 25 out. 2020.

VITTI, Godofredo César. Correção do solo. Goiânica: Esalq-Usp, 2016. 59 slides, color.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Excelente trabalho. Precisamos saber mais sobre a atuação do gesso.
    Assim, além de aumentar a produtividade, gastamos menos recursos e preservamos a terra.

  2. Excelente trabalho. Precisamos saber mais sobre atuação do gesso.
    Assim, além de aumentar a produtividade, gastamos menos recursos e preservamos a terra.

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