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Práticas corretivas para a Cultura do Milho

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Plantação de milho. Foto: Fazenda Santa Elisa.
Foto: Fazenda Santa Elisa.

Introdução

O Brasil é o 3º maior produtor mundial de milho, sendo que a produção total de milho na safra 2019/2020 foi de aproximadamente 102,5 milhões de toneladas, com uma produtividade média nacional de 5,5 toneladas ha-1 (CONAB, 2020). A importância econômica dessa cultura está relacionada ao seu uso na alimentação animal, na produção de biocombustíveis, bebidas, polímeros etc.

Dessa forma, de maneira a se obter maiores produtividades é interessante que se conheça as principais práticas corretivas para o cultivo da cultura do milho, que são a calagem, a gessagem e a fosfatagem,  bem como os parâmetros de recomendação das mesmas.

Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do milho. Fonte: Vitti, s.d.
Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de produtividade. Fonte: Vitti, s.d.

Calagem

A calagem é a prática corretiva mais conhecida e realizada. Ela consiste na adição de calcário no solo, buscando o aumento do pH e consequentemente a redução da acidez. Essa prática é realizada geralmente três meses antes da semeadura, na etapa de preparo do solo, para que o carbonato de cálcio tenha tempo para reagir com as partículas do solo (FURTINI NETO et al., 2001).

Os benefícios proporcionados por essa prática através do aumento do pH  são (FURTINI NETO et al., 2001):

  • Neutralização do alumínio tóxico em superfície;
  • Aumento da disponibilidade da maioria dos nutrientes;
  • Aumento da concentração de cátions básicos, principalmente cálcio e magnésio;
  • Favorecimento a atividade microbiana
  • Aumento da CTC (capacidade de troca de cátions).

Por conta desses benefícios essa prática é tão importante para o bom desenvolvimento das culturas. Assim, existem duas principais formas de recomendação de calagem que são:

Método do alumínio e cálcio + magnésio trocáveis

A necessidade de calagem (NC), para se corrigir a camada de 0-20 cm, é calculada com base na seguinte fórmula:

NC = Y x Al + [X – (Ca + Mg)] = t calcário ha-1 (PRNT = 100%)

O valor de Y é variável em função da textura do solo, sendo que Y = 1, para solos arenosos (< 15% de argila), Y = 2, para solos de textura média (15 a 35% de argila) e Y = 3, para solos argilosos (> 35% de argila). Para que a fórmula seja adotada para a cultura do milho deve-se adotar o valor de X como sendo = 2.

Método da saturação por bases

Neste método, a necessidade de calagem (NC) é calculada com a finalidade de elevar a porcentagem de saturação por bases (V%) da capacidade de troca de cátions, a pH 7,0, a um valor desejado, de acordo com a cultura. Usa-se a seguinte fórmula:

NC = {CTC x (V2 – V1)} / 10 x PRNT

sendo:

NC = necessidade de calcário (t ha-1), para uma camada de incorporação de 0-20 cm.

CTC = capacidade de troca de cátions (mmolc dm-3), medida a pH 7,0;

V2 = porcentagem de saturação por bases desejada. Para a cultura do milho busca-se elevá-la a 50-60%.

V1 = porcentagem de saturação por bases do solo amostrado.

PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário em %.

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Gessagem

A gessagem é uma prática corretiva de acidez em profundidade que melhora o ambiente radicular na região abaixo da camada corrigida pelo calcário. O produto é aplicado na camada superficial do solo e, após sua dissolução, irá fixar-se abaixo dessa, graças à sua alta mobilidade nos primeiros centímetros do solo. A lixiviação do Ca no perfil favorecerá o desenvolvimento das raízes, e permite às plantas superar veranicos e usar, com mais eficiência, a água e os nutrientes disponíveis no solo (SOUSA e RITCHEY, 1986). Não existe uma recomendação de gessagem específica para milho, sendo que as principais fórmulas de recomendação de gessagem são:

Método da porcentagem de argila

NG (kg ha-1) = 50 x % argila

Sendo:

NG = Necessidade de gesso em t ha-1.

% argila =  teor de argila do solo em porcentagem.

Método da saturação por bases em subsuperfície

NG (t ha-1) = (50 – V%(20-40)) x CTC(20-40) / 500

Sendo:

NG = Necessidade de gesso em t ha-1.

V% =  Porcentagem de saturação de bases do solo amostrado na camada de 20-40 cm de solo amostrado.

CTC = Capacidade de troca de cátions (mmolc dm-3) na camada de 20-40 cm.

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Fosfatagem

A fosfatagem é de grande importância, possui a função de se “construir”, aumentar os teores de fósforo no solo. Ela consiste na aplicação de um adubo fosfatado de baixa solubilidade que reagem com os óxidos de ferro e alumínio, formando compostos com uma solubilidade menor ainda, o que torna a adubação com fontes solúveis mais eficiente, visto a diminuição da fixação do fósforo, e, consequentemente aumentando o teor de fósforo na solução, o qual poderá ser utilizado posteriormente pelas culturas. Assim como no caso da gessagem, a recomendação de fosfatagem não é específica para a cultura do milho, mas o principal método utilizado para a recomendação de fosfatagem é:

P2O5 (kg/ha) = [teor desejado de P – teor atual] x CTP

O qual se baseia no teor de fósforo existente no solo, no teor desejado e na capacidade tampão de fósforo do solo. O teor desejado de fósforo padrão é de 15 mg dm-3. Para utilizar essa fórmula utiliza-se a seguinte tabela:

Tabela 2. Níveis críticos de fósforo.  Fonte: Adaptado de Sousa et al. (2006) apud Sousa et al. (2016).
Tabela 2. Níveis críticos de fósforo observados para 80% da produtividade potencial das culturas e valores da capacidade tampão de fósforo (CTP) do solo com a finalidade de determinar a dose do fertilizante fosfatado utilizado na adubação corretiva de culturas anuais de menor valor agregado em sequeiro na região do Cerrado, em função do teor de argila no solo, para os métodos Mehlich-1 e resina. Fonte: Adaptado de Sousa et al. (2006) apud Sousa et al. (2016).

Para saber mais sobre as práticas corretivas realizadas para as culturas  aguarde os próximos posts ou entre em contato com o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão – GAPE que possui área de atuação em nutrição de plantas e adubação.

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Referências

BRASIL. Conab. Conab (org.). Acompanhamento da safra brasileira grãos. 7. ed. Brasília, 2020. 33 p.

FURTINI NETO, Antônio Augusto et al. Fertilidade do solo. 2001. 261 f. Monografia (Especialização) – Curso de Lato Sensu, Universidade Federal de Lavras, Lavras.

SOUSA, D. M. G. de; RITCHEY, K. D. Uso do gesso no solo de Cerrado. In: SEMINÁRIO SOBRE O USO DO FOSFOGESSO NA AGRICULTURA, 1., 1985, Brasília, DF. Anais… São Paulo: IBRAFOS; Brasília, DF: EMBRAPA, 1986. p. 119-144.

SOUSA, Djalma Martinhão Gomes de et al (ed.). Manejo da Adubação Fosfatada para Culturas Anuais no Cerrado. Planaltina: Embrapa, 2016. 10 p.

VITTI, Godofredo César. Adubação de culturas de interesse econômico: Soja – Café – Milho – Sorgo. Piracicaba: Esalq, . 150 p.

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