Reposição de animais: Como podemos lucrar com este movimento?

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Foto: Rally da Pecuária.
Foto: Rally da Pecuária.

A recria e a engorda na pecuária de corte têm recebido desafios cada vez maiores com aumento do custo da reposição de animais.

Nas últimas décadas, conforme observamos no gráfico 1, o ágio (valor pago a mais) na arroba dos animais de reposição sobre a arroba do boi gordo tem crescido e aumentado a sua representatividade nos custos da Pecuária.

Gráfico 1 – Ágio da arroba do bezerro sobre o boi gordo.

Ágio da arroba do bezerro sobre o boi gordo. 
Fonte: Agromove.
Ágio da arroba do bezerro sobre o boi gordo.
Fonte: Agromove.

No artigo “A lucratividade na pecuária de corte está relacionada com a Produtividade ou com a Comercialização?”, abordamos a importância da reposição de animais no sistema de custos. Hoje, vamos abordar como podemos lidar com estas mudanças.

Mudança no sistema de produção de bezerros

Ao longa das últimas décadas, os rebanhos de cria, devido a sua baixa eficiência produtiva, estão se deslocando para as regiões de terras mais baratas no país. Conforme podemos verificar na figura 1, este movimento se direciona para as terras ao Centro Oeste e Norte do país.

Distribuição do Rebanho bovino no Brasil (1990, 200, 2015).
Fonte: Vieira Filho (2017).
Distribuição do Rebanho bovino no Brasil (1990, 200, 2015).
Fonte: Vieira Filho (2017).

Desafios da produção

O deslocamento para terras mais baratas, também trouxe o efeito da menor produtividade destas regiões em relação a regiões mais produtivas. As terras menos produtivas e diversos outros fatores que envolvem um sistema produtivo eficiente, são desafios nestas regiões. Abaixo citamos algumas destas adversidades:

  • Dificuldade em incorporar novas áreas:
    • Barreiras Ambientais
    • Aumento do Preço da Terra
  • Logística – péssimas condições das rodovias nas regiões de expansão (Norte e Centro Oeste) geram desincentivo à indústria e produção.
  • Baixa Qualidade das Instituições, gerada pela falta de união no Setor, causa diversos problemas como:
    • Dificuldades na Obtenção de Crédito
    • Baixa Educação e Treinamento
  • Êxodo Rural.
  • Limitações para a Implantação de Tecnologias:
    • Dificuldades em aumentar a produtividade
      • Por área
        • Capital para reforma e adubação de pastos
        • Baixos Índices de Produtividade
      • Por animal
        • A região Norte tem os piores índices de nascimento e produtividade por cabeça.
          • Falta de conhecimento
          • Cultura tradicionalista e extrativista

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Além disto, nos últimos anos, o rebanho também tem desacelerado o seu crescimento, conforme observamos no gráfico 2.

Gráfico 2 – Evolução do Rebanho Efetivo no Brasil (1985 – 2016).

Evolução do Rebanho Efetivo no Brasil (1985 - 2016).
Fonte: IBGE.
Evolução do Rebanho Efetivo no Brasil (1985 – 2016).
Fonte: IBGE.

Este efeito de desaceleração do crescimento do rebanho versus o crescimento da demanda por carne no mundo (tabela 1), é uma das causas para o aumento do custo da reposição de animais no processo produtivo.

Tabela 1 – Crescimento do Consumo de Carne Bovina de 2018 a 2026.

Crescimento do Consumo de Carne Bovina de 2018 a 2026. 
Fonte: Farmnews.
Crescimento do Consumo de Carne Bovina de 2018 a 2026.
Fonte: Farmnews.

Outro ponto que irá impactar o custo da reposição de animais na próxima década é o Brasil ser um dos principais países com capacidade para suprir este crescimento da demanda. A expectativa da FAO é um crescimento de 30% das exportações brasileiras na próxima década. Ou seja, a demanda por carne será crescente.

Como iremos suprir a demanda por bezerros na próxima década?

Dados os desafios em se ampliar a área para produção no mundo, a única forma de suprir esta demanda será através do aumento produtivo. Este aumento poderá vir de dentro das fazendas de criação ou dos elos à frente da cadeia. Vamos explicar melhor abaixo.

Aumento Produtivo na Criação de Bezerros

Quando observamos os efeitos do deslocamento do rebanho para as regiões Norte e Centro Oeste, percebemos uma redução de produtividade. Esta perda pode ser percebida na queda da taxa de natalidade e no peso ao desmame dos animais.

A taxa de natalidade média no Brasil se situa ao redor 63% nos rebanhos de cria. No entanto, as regiões ao Norte, devido aos maiores desafios, têm taxas de 43%. Portanto, uma forma de suprir o crescimento de demanda está em investir nas taxas de natalidade.

Outra forma de suprirmos a demanda está em acelerar o processo produtivo, ou seja, aumentar o peso ao desmame ou a produção por hectare. Hoje, o peso ao desmame no país situa-se ao redor de [email protected], mas o Norte ainda desmama animais com peso ao redor de 5,[email protected]

Conforme verificamos no gráfico 3, para produzir mais arrobas/ha, é necessário aumentar significativamente os gastos com suplementação e outros custos variáveis.

Gráfico 3 – Custos de Produção na Pecuária na fase Cria (2017).

Custos de Produção na Pecuária na fase Cria (2017).
Fonte: Athenagro.
Custos de Produção na Pecuária na fase Cria (2017).
Fonte: Athenagro.

Este aumento de produtividade, também gera um aumento no custo da arroba produzida. O que gera um desafio: crescer a produtividade do sistema de cria e repassar este aumento de custo.

O crescimento da produtividade neste sistema, traz um aumento significativo dos custos variáveis, o que demanda uma capacitação dos produtores em lidar com a volatilidade do mercado de commodities. Observe que nos sistemas pouco produtivos, não existia a demanda por esta competência. Conforme a produtividade cresce, a nutrição sobe de 22% dos custos para 50%. Portanto, os produtores necessitam se capacitar para lidar com a gestão do mercado.

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Aumento da produtividade na Recria e Engorda

Outra forma de atendermos a demanda crescente é aumentar a produtividade na recria e na engorda. Apesar da reposição de animais ganhar representatividade nos custos da recria e engorda, estes elos são mais eficientes em produtividade e reduzem o custo da arroba produzida com o aumento da produtividade, gráfico 4.

Gráfico 4 – Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017).

Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017). 
Fonte: Athenagro.
Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017).
Fonte: Athenagro.

No entanto, podemos observar no gráfico 4, produzido pela Athenagro, que a reposição de animais aumenta sua representatividade nos custos de 50% para 62%, com o aumento da produtividade. Os custos variáveis também crescem. Somente a nutrição, representa algo próximo a 23% dos custos totais em um sistema de alta produtividade.

Esta mudança no comportamento dos custos, demanda uma maior atenção ao sistema produtivo e comercial para que a empresa possa maximizar os lucros com o crescimento. Uma observação importante, é o fluxo de caixa crescer significativamente com o aumento de produtividade e, praticamente, 75% a 85% destes custos são variáveis.

Uma parte significativa destes custos está relacionada a commodities que apresentam uma alta volatilidade. Um erro na comercialização dos insumos, da reposição ou na venda da produção, pode facilmente consumir o resultado obtido com o ganho produtivo. Portanto, este crescimento produtivo terá que caminhar de mãos dadas com a Eficiência na Gestão Comercial.

No gráfico 5, podemos verificar que os sistemas de engorda em confinamento ou com ração estão ganhando representatividade no país. O desafio de crescer com rentabilidade nestes sistemas está relacionado a um bom entendimento da Cadeia Produtiva, suas tendências e desafios.

Gráfico 5 – Bovinos Confinados no Brasil 2001 a 2017.

Bovinos Confinados no Brasil 2001 a 2017. 
Fonte: IBGE, Athenagro.
Bovinos Confinados no Brasil 2001 a 2017.
Fonte: IBGE, Athenagro.

Os sistemas de recria e engorda a pasto que possuem ciclos mais longos, também terão que aprender a lidar com os ciclos pecuários e o aumento significativo do custo da reposição de animais. Quando pensamos que o retorno de uma operação destas pode levar 2 anos para ocorrer, a atenção na reposição passa a ser essencial. Este custo pode representar entre 50% e 65% dos custos totais. Ou seja, um erro na largada do negócio pode acabar com o investimento de 2 anos.

Precisamos considerar que em determinadas condições de mercado, os preços do boi gordo podem cair 20% em 2 anos. Podemos citar como exemplos; o período de jul/2008 a nov/2009 com queda de 20% nas cotações; de nov/2010 a ago/2012 as cotações cairão 20,5%; de abr/2016 a jul/2017 os preços derrubaram 20,38%.

Projeção Preços Boi Gordo 2019 Fonte: Agromove
Projeção Preços Boi Gordo 2019
Fonte: Agromove

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2 COMENTÁRIOS

  1. Muito interessante essa matéria! Sou engenheiro agrônomo e tenho interesse em receber sempre informações sobre o setor agropecuário. Parabéns!

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