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Importância dos Sais Minerais em Dietas Bovinas

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Gado no Cocho. Foto: Rogério Domingues.
Foto: Rogério Domingues.

Os sais minerais apresentam-se como item indispensável na composição das dietas bovinas, tendo em vista que leva a melhora da produção de leite, aumenta a taxa de natalidade, aumenta o peso à desmama, diminui a idade de abate, entre outros benefícios. Desta forma os criadores devem se atentar para que na nutrição de seu rebanho não ocorra a deficiências desses elementos.

Existem duas variantes principais de minerais na nutrição dos bovinos, e essas duas variantes são essenciais para o bom desenvolvimento das funções vitais. Uma das variantes tem por característica ser armazenada pelo organismo do animal, principalmente no fígado, e são utilizadas à medida que são necessárias, sendo assim não necessitam ser ingeridas diariamente. No entanto, muitas vitaminas não são armazenadas pelos bovinos, o que exige uma ingestão diária suficiente para não haver prejuízos que reflitam em queda de produção, desempenho reprodutivo, ou mesmo, morte.

Outra característica dos sais minerais é que os mesmos não podem ser sintetizados pelo animal, logo devem estar presentes na alimentação. Quando pensamos em bovinos de pastagem a ingestão desses minerais ocorre através das plantas forrageiras, que absorvem elementos do solo. Sendo assim, a disponibilidade de minerais nas forragens vai ser dependente de fatores como sua espécie, a concentração mineral disponível no solo, assim como o tipo de solo e as formas químicas que nele se encontram, por isso um mesmo tipo de pastagem apresentará diferentes níveis de minerais em diferentes regiões do país.

A utilização dos minerais pelos ruminantes é complexa e atualmente, 15 minerais são considerados essenciais. Apesar da importância dos minerais, os mesmos não contribuem com energia para o animal e sua participação no ponto de vista quantitativo para o crescimento e produção é pequena. Todavia, são coadjuvantes sem os quais a produção animal não seria possível, pois são fundamentais para o funcionamento adequado de quase todos os processos bioquímicos do organismo, como composição estrutural e de hormônios, participação em fluidos intra e extracelulares e catalisadores enzimáticos.

Funções

Os minerais desempenham basicamente 03 (três) tipos de funções no organismo animal:

  • Atuam como componentes estruturais dos órgãos e tecidos corporais, tais como o Cálcio, Fósforo e Magnésio;
  • Atuam como componentes dos fluídos e tecidos corporais que intervêm na manutenção da pressão osmótica, do equilíbrio ácido-base, da permeabilidade da membrana e transmissão de impulsos nervosos (Sódio, Cloro, Potássio, Cálcio, Magnésio);
  • Atuam como catalizadores em sistemas enzimáticos e hormonais (Ferro, Cobalto, Cobre, Zinco, Selênio e Magnésio).
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Classificação

Os minerais podem ser classificados em macro e microminerais, e ambos são de  extrema importância para o organismo dos bovinos de leite e corte. No grupo dos macrominerais, temos: sódio, fósforo, cálcio, magnésio, potássio, cloro e enxofre. Já no dos microminerais, destacamos: ferro, manganês, iodo, zinco, cobre, selênio, cobalto e molibdênio. Entretanto, a quantidade ideal de minerais a ser suplementada na dieta dos bovinos depende de inúmeros fatores, como idade, raça, nível de produção, entre outros.

Minerais Essenciais

Dentre os minerais essenciais na dieta dos bovinos podemos destacar:

Cálcio e Fósforo

Estão entre os minerais que tem capacidade de armazenamento no organismo do animal. Por volta de 99% do cálcio e 80% do fósforo são encontrados nos ossos e dentes e podem ser mobilizados, quando necessário, para uso no metabolismo. Esses dois elementos são extremamente importantes para o desenvolvimento ósseo e manutenção da estrutura óssea dos bovinos e bubalinos. Deve-se atentar para o fato de que nas pastagens brasileiras o fósforo é quase sempre deficiente, principalmente para animais de pastagem, tendo em vista que sua disponibilidade é maior em pastagens formadas por leguminosas.

A absorção desses minerais é dependente diretamente da disponibilidade de vitamina D3 no organismo dos animais. O cálcio desempenha importantes funções fisiológicas no animal, como transmissão de impulsos, contração e relaxamento muscular e participa da coagulação do sangue. O fósforo exerce papel vital em diversas funções metabólicas, principalmente na utilização e transferência de energia (ATP).

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Magnésio

O magnésio é amplamente distribuído entre os tecidos vegetais e animais, mas cerca de 70% de todo o magnésio corporal localiza-se no esqueleto. A deficiência de magnésio caracteriza-se por: atraso de crescimento, diminuição do apetite, déficit de coordenação e convulsões musculares. Os bezerros que se alimentam exclusivamente de leite podem apresentar deficiências nos ossos e dentes por falta desse alimento.

Enxofre

O enxofre é importante na composição de proteínas, algumas vitaminas e inúmeros hormônios. Os microrganismos do rúmen possuem capacidade para converter o enxofre inorgânico em compostos orgânicos sulfurosos que podem ser utilizados pelo animal. Um exemplo de cultura rica em enxofre é a silagem de milho.

Na deficiência de enxofre a síntese de proteína microbiana é reduzida e o animal apresenta sinais de desnutrição proteica, além de redução do apetite, perda de peso, fraqueza, excessiva salivação, lacrimação e tristeza, podendo levar à morte.

Sódio, Cloro e Potássio

Destes três elementos, o sódio é o mais importante para os bovinos, uma vez que não tem se observado deficiência de cloro e potássio. O sódio e o cloro juntos formam o cloreto de sódio, que é o sal comum ou sal grosso. Os bovinos têm grande avidez pelo sal comum, por isso é utilizado em todos os suplementos minerais e suas misturas, e é o que limita a ingestão voluntária da mistura mineral. A maioria dos alimentos ricos em proteínas contém altos níveis de potássio, e geralmente as pastagens possuem teores maiores que os requeridos pelos bovinos.

Deficiências de sódio e cloro podem ocorrer devido às plantas forrageiras apresentarem normalmente baixos teores de sódio e em virtude da perda de sódio pelo suor, principalmente em animais mantidos em ambientes quentes ou usados para trabalho. O primeiro sintoma de deficiência de sódio é a depravação do apetite, manifestada pelo hábito de consumir madeiras, terra, paredes e suor de outros animais. Outros sinais de deficiência são a diminuição do apetite, perda de peso, queda da produção de leite, acompanhada da redução do teor de gordura do leite.

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Cobalto

Quando existe deficiência de cobalto, as bactérias do rúmen não conseguem sintetizar vitamina B12 (o cobalto é utilizado como matéria-prima da vitamina B12), por isso a deficiência de cobalto é, na verdade, deficiência de vitamina B12. É muito comum animais sob boas pastagens apresentarem deficiência de cobalto. Tal fato se deve as necessidades aumentadas de minerais pelo alto valor nutritivo das pastagens. Quanto melhor a alimentação, maior é a exigência de minerais para processar (digerir) tais alimentos.

Dentre os sintomas apresentados por animais com esta deficiência estão: pelos arrepiados e a vassoura da cauda se desprende com facilidade, até a perda de pelos da cauda, perda gradual de apetite, queda de peso e anemia severa.

Ferro e Cobre

A deficiência de ferro é muito comum em bezerros e em animais que sofreram perda excessiva de sangue. Dentre as causas dessa perda de sangue pode-se destacar a presença de verminoses e carrapatos. A deficiência de tal mineral pode levar à anemia e perda de apetite, além de uma deficiência de desenvolvimento nos bezerros.

A deficiência de cobre poderá causar ainda deformações ósseas, despigmentação, lesões no coração com morte súbita e diarreia persistente.

Iodo

Os hormônios produzidos pela tireoide (tiroxina e triodotiroxina) são responsáveis pela regulação da taxa metabólica do animal, e para que esses sejam sintetizados é necessário a disponibilidade de iodo no organismo. Cerca de 70-80% do total de iodo no organismo se encontra na glândula tireoide.

A deficiência de iodo se caracteriza pelo aumento da tireoide (bócio, papo e papeira), nascimento de bezerros sem pelos e com alta mortalidade, crescimento e maturidade retardados, alteração na reprodução como infertilidade e esterilidade, cios irregulares ou ausência de cio.

Manganês e Zinco

O manganês e o zinco atuam como ativadores de enzimas no organismo do animal. Deficiência de manganês em bovinos provocam falhas reprodutivas em fêmeas e machos, má formação óssea, paralisia e deterioração do sistema nervoso central. Já a deficiência de zinco é caracterizada por diminuição do desenvolvimento, apatia, dermatite (inflamação da pele), que é mais severa no pescoço, cabeça e membros, além de prurido (coceira).

Selênio

Embora se pensasse no selênio como um elemento tóxico para os bovinos, atualmente o mesmo é reconhecido como essencial, devido ao fato de uma associação entre essa substância e a retenção de placenta e de vitamina E. A deficiência de selênio é muito comum em bovinos que se alimentam de pastagens desenvolvidas em solos ácidos. Nos bezerros, a deficiência de selênio pode se manifestar pela doença do musculo branco, e nos adultos vai acarretar prejuízo direto no desempenho reprodutivo.

Cromo

O cromo é um mineral essencial que está diretamente relacionado com a insulina, é fator de tolerância da glicose e regulador do nível de colesterol. Sendo assim animais com a deficiência desse mineral podem apresentar sintomas como hiperglicemia, glicosúria, elevação nas taxas de colesterol e triglicerídeos.

Suplementação Mineral 

A suplementação mineral deve ser feita normalmente pela adição de misturas minerais preparadas e colocadas em cochos de ração ou próprios para mineralização, uma vez que a alimentação diária dos bovinos e bubalinos não atende os requerimentos diários de minerais desses animais. Os bovinos não apresentam um consumo especial pela maioria dos minerais, exceto para o sal comum. Devido a sua aceitabilidade, o sal é veículo dos outros minerais e o limitador do consumo da mistura mineral.

A mistura mineral  pode ser incorporada nas rações concentradas de bovinos de leite ou animais confinados. Para o gado em regime de pastagem, que não recebe concentrado, é preciso confiar na ingestão voluntária da mistura, por isso, ela deve ser bastante palatável.

Vários fatores influenciam o consumo voluntário da mistura mineral, entre eles: fertilidade do solo e tipo de forragem, disponibilidade de nutrientes energéticos e proteicos, necessidades individuais, conteúdo mineral na água de bebida, palatabilidade da mistura, administração recente de boa mistura mineral e forma física do produto (blocos, pó, etc.).

O consumo médio de mistura mineral é de 60g por cabeça/dia, ou, 1,95kg/mês, ou ainda aproximadamente 25kg/ano. Ressaltamos que não atingiremos um nível aceitável de produtividade para o rebanho nacional sem o uso diário de uma mistura mineral completa.

Vitaminas na Nutrição de Bovinos de Corte

As vitaminas, tal como os minerais, têm funções chave como cofatores de enzimas ou elementos reguladores. Processos metabólicos são desencadeados ou controlados por vitaminas. As quantidades requeridas de vitaminas são muito pequenas, mas vitais para o animal e a concentração correta na dieta pode otimizar o desempenho animal. Os exemplos mais comuns de vitaminas essenciais são vitaminas A, D e E.

Considerações Finais

A mineralização é uma das práticas nutricionais por mais tempo usadas na pecuária nacional e, exatamente por estar a tanto tempo incorporada à produção, nem sempre recebe a devida atenção. É importante ir contra isso e investir na melhor mineralização possível, pois há sempre grandes chances de resposta ao se suplementar corretamente. Já com relação à suplementação de vitaminas, apesar de haver poucas situações em que há resposta, elas não devem ser desperdiçadas. Além disso, devemos ter em conta que, com o aumento do potencial produtivo dos animais, em função do melhoramento, a tendência é que essas situações de resposta à suplementação vitamínica aumentem.

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