Bioinoculantes e seu impacto no Agronegócio

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Bactérias em simbiose com tecidos de uma planta hospedeira, representando o uso de bioinoculantes.
Bactérias em simbiose com tecidos de uma planta hospedeira, representando o uso de bioinoculantes.

Dando continuidade ao enfoque sustentável, e complementando o texto sobre Biotecnologia. Esse irá esclarecer o que são Bioinoculantes, como eles se inserem no Agronegócio e sua importância.

Nos últimos anos, a Agricultura tem sofrido fortes críticas a respeito de seu impacto no meio ambiente. Existe uma forte pressão social e política sobre a atividade, fazendo assim que nossa agricultura evolua e se adeque.

Para sanar esses problemas diversas instituições de pesquisa e ensino têm buscado desenvolver técnicas e tecnologias mais eficientes, assim resultando em melhores índices produtivos e gerando menores impactos. Se você já é nosso leitor provavelmente está ciente sobre algumas dessas abordagens, como: o uso de Biotecnologia, Rotação de Culturas, o Controle Biológico e Plantio Direto.

O que são Bioinoculantes?

Figura 1 - Bactérias representando bioinoculantes.

Figura 1 – Bactérias representando bioinoculantes.

Bioinoculantes são produtos que possuem microrganismos benéficos para o desenvolvimento das plantas ou para seu processo tecnológico. Existe algo similar para animais, os probióticos, auxiliando na digestão e melhor absorção dos alimentos.

Um dos mais famosos exemplos de bioinoculantes é o uso de bactérias dos gêneros Bradyrhizobium e Rhizobium, as quais serão abordadas mais a frente.

Bom para o agricultor, melhor para o ambiente

Figura 2 - Agricultor feliz, representando os ganhos gerados pelo uso de bioinoculantes e sua redução de impactos no ambiente.
Figura 2 – Agricultor feliz, representando os ganhos gerados pelo uso de bioinoculantes e sua redução de impactos no ambiente.
Foto: Sicoob.

Como nós sabemos a Agricultura é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico de nosso país. O Agro contribui com cerca de 30% do PIB, mas como mencionado anteriormente, nós temos muitos desafios pela frente.

Nesse cenário de forte pressão, a adoção de bioinoculantes se mostra extremamente útil. Um dos maiores problemas é o uso de fertilizantes nitrogenados. O nitrogênio é um elemento facilmente lixiviado, o que facilita sua percolação no solo até camadas mais profundas, contaminado as reservas de água. Mas esse não é o único problema, o nitrogênio pode ser carreado até rios e lagoas, causando eutrofização da água. Conjunto a isso, o excesso de nitrogênio aplicado no solo pode levar à emissão de gases do efeito estufa.

Diante dessa problemática, o uso de bioinoculantes é uma das grandes apostas do nosso país. O Brasil tem investido em uma maior incorporação dessa tecnologia nas mais diversas culturas, como: feijão, milho e soja. Os programas buscam não somente aumentar o uso de bioinoculantes, mas também desenvolver uma agricultura com baixa emissão de carbono. Tais ideais são convergentes às metas estipuladas pelo Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono).

A EMBRAPA é quem está a frente de tal projeto, mas não está atuando sozinha. O projeto conta com a participação de diversos parceiros, em especial agricultores empresariais e familiares, gestores públicos, instituições de ensino e pesquisa e diversas cooperativas.

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Quem imaginaria de pequenas bactérias seriam parte fundamental de políticas globais de redução de impactos?

Importância dos Bioinoculantes na cultura da Soja

Figura 3 - Campo de soja inoculado com Rhizobium.
Figura 3 – Campo de soja inoculado com Rhizobium.
Foto: Basf.

Como mencionado previamente, a cultura da soja é uma das que mais se beneficia com o uso dos Bioinoculantes, algumas estimativas indicam uma economia e três bilhões de dólares anuais devido a redução do uso de fertilizantes nitrogenados (Hungria et al., 2005) .

O seu uso na cultura já é feito há algum tempo, atualmente é utilizado em várias regiões do Brasil, sendo responsável pela total disponibilidade de nitrogênio para a cultura da soja. Em alguns cenários, devido a problemas no solo ou outros fatores edafoclimáticos, a adubação nitrogenada de cobertura é recomendada. Entretanto, alguns trabalhos precursores têm estudado a aplicação de Bradyrhizobium e Rhizobium em cobertura, e demostrarei a seguir os primeiros resultados dessas pesquisas.

O Centro Oeste produz 42% dos grãos do país.

Devido a elevada importância na produção de grãos muitos estudos são voltados para esta zona agrícola. A região apresenta grande extensão territorial, possibilitando a existência de ampla variedade de solos. Apesar de ser a grande região produtora, parte dos solos se caracterizam pela baixa qualidade, o que ocasiona elevada dependência da FBN (Fixação Biológica de Nitrogênio) na cultura da soja.

Atualmente, a prática da inoculação do produto contendo as bactérias benéficas nas sementes ocorre momentos antes do plantio. Entretanto, alguns produtores sofrem com problemas de falha nos campos.

O problema pode estar relacionado a uma série de fatores, como o incorreto armazenamento dos inóculos, baixa qualidade do inoculante, aplicação incorreta nas sementes, baixa umidade no solo ou até mesmo pelo uso de fungicidas inadequados no pré-plantio.

Após o plantio, produtores devem avaliar a soja entre estágio V1 a V3, buscando verificar falhas na nodulação das plântulas. Quando problemas são encontrados em campo, a prática mais usual é a aplicação superficial de nitrogênio, de acordo com a necessidade verificada na análise de solo.

Mas esse texto não é sobre bioinoculantes? Deve estar se perguntando… E se eu te disser que pulverização do bioinoculantes diluído em água já é feita empiricamente há algum tempo, e que pesquisas provam sua real eficiência.

Trabalhos têm demonstrado que aplicação de 106 células bacterianas por plântula após os 15 dias de emergência resultam em maiores níveis de nodulação e acúmulo de matéria seca, quando comparados como solos onde nenhuma prática de manejo foi tomada. Mesmo sendo uma técnica promissora, melhorias devem ser feitas. Pois, a correção de falhas com adubação superficial ainda apresenta resultados mais satisfatórios economicamente ao produtor.

O processo de pulverização de bioinoculantes em pós-emergência para nodulação ainda é algo muito incipiente. Pesquisas devem ser realizadas buscando otimizar o processo. Podendo assim, gerar um substituto mais sustentável e talvez mais eficiente do que a prática de correção que utilizamos atualmente.

Outra atividade agrícola que é altamente dependente do uso de bioinoculantes é a silagem.

Silagem: sua dependência de Bioinoculantes

Figura 4 - Vacas holandesas se alimentando com silagem.
Figura 4 – Vacas holandesas se alimentando com silagem.
Foto: IEPEC.

A importância dos inoculantes biológicos na cultura da soja é gigantesca, mas não é a única a se beneficiar. A silagem é outra atividade que faz utilização constante dos bioinoculantes.

A silagem é dependente de três fatores que quando combinado ditam a qualidade do produto final. Os fatores são o teor de matéria seca (MS), o teor de proteína bruta (PB) e o teor de carboidratos ou açúcares solúveis em água (CSA).

A combinação desses três parâmetros é fundamental para uma etapa fermentativa de qualidade e é justamente nessa que os bioinoculantes são tão importantes.

A matéria seca e a quantidade de carboidratos são fundamentais durante o processo de fermentação. Ambos fatores são responsáveis por neutralizar o poder tampão da silagem,o qual pode prejudicar a ensilagem.

O processo de ensilagem, para ser estável dependente de duas variáveis: a temperatura da massa e a flutuação do pH. Para que ambas sejam estáveis e adequadas é necessário o uso de bioinoculantes.

Isso se deve ao fato das plantas possuirem naturalmente populações de bactérias epifíticas (vivem dentro da planta) que podem causar alterações das condições, prejudicando a ensilagem.

O uso dos bioinoculantes é fundamental para direcionar o processo fermentativo de maneira correta, evitando que populações de bactérias indesejáveis se manifestem. Dentre as principais utilizadas estão as bactérias produtoras de ácido lático (BAL). Bactérias heteroláticas, como por exemplo Lactobacillus buchneri também são comumente utilizadas, por possuírem poder antifúngico, o que atrapalha o crescimento de leveduras na massa, sendo essa uma das maiores ameaças ao processo.

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Perspectivas de um futuro mais sustentável

Figura 5 - Representação de uma agricultura mais sustentável.
Figura 5 – Representação de uma agricultura mais sustentável.
Foto: Novozymes.

Fica evidente que o uso dos bioinoculantes é de suma importância atualmente para a agricultura. Existem ainda muitas possibilidades inovadoras de expansão de seu uso. Assim podendo colaborar com o desenvolvimento do agronegócio mais sustentável e produtivo.

Pesquisas ainda insipientes buscam estudar a comunicação de comunidades bacterianas, para que possamos entender os seus mecanismos de troca de informação. Esses estudos podem contribuir para criação de comunidade sintéticas produtoras de compostos que auxiliem no desenvolvimento da cultura.

A estimativas são para que essas tecnologias sejam refinadas e aplicadas em campo nas próximas décadas. Resultando em uma agricultura mais produtiva e que cause menos impacto no meio ambiente.

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>> Leia mais sobre a Cultura da Soja em nos nossos artigos: “Cultura da soja: sua importância na atualidade”, “Inoculação de bactérias na cultura da soja”, “Principais fatores que influenciam os preços de milho e soja no mercado brasileiro” e “O Mercado da Soja e as implicações da guerra comercial entre EUA e China”.

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