Lucro na Pecuária: 7 passos simples para evitar que ele desapareça!!!

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Touro de Wall Street.
Touro de Wall Street.

Lucro na Pecuária: Nós queremos!

Muitas vezes, produtores que estavam extremamente otimistas com a atividade no início dos investimentos, se frustram com o resultado obtido ao final da operação.

Se você é uma das pessoas que teve seu lucro na pecuária reduzido por alguma surpresa de produção, clima ou do mercado, vou te passar 7 passos para melhorar a sua gestão e garantir o seu resultado.

1. Entenda para quais atividades você deve dirigir sua atenção para aumentar o lucro na pecuária e quais você deve delegar.

O proprietário ou o gestor de uma fazenda tem muitas atividades para dar atenção e, muitas vezes, perde seu tempo em atividades que geram pouco retorno. Esta falta de foco, é um dos principais motivos da decepção com o seu lucro na pecuária.

Para exemplificar o problema vamos observar o gráfico 1, produzido pela Athenagro. Repare que o custo da reposição (R$ 66,25/@) em um sistema de baixa produtividade representa 53% do custo total. Ao aumentarmos o nível tecnológico, a reposição passa a representar 60,7%.

Esta simples alteração já aumenta o risco de mercado da atividade. Como o preço da reposição costuma ter uma variação de 10% dentro de um ano, se errarmos o momento de compra dos animais, teríamos um aumento de 5,3% e 6,1% nos respectivos custos de um sistema de baixa e alta produtividade.

Gráfico 1 – Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017).

Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017). Fonte: Athenagro.
Custos de Produção na Pecuária nas fases Recria e Engorda (2017).
Fonte: Athenagro.

Ao considerarmos todo o custo variável, ou seja, tudo que se compra fora da fazenda, teríamos uma representatividade de 63,2% e 94,0%, nos respectivos custos de um sistema de baixa e alta tecnologia. Portanto, o mesmo aumento de 10% nos custos variáveis teria um impacto de 6,32% e 9,4% para os respectivas tecnologias.

Com o aumento da tecnologia, onde você imagina ser mais importante a atenção do proprietário?

O que gostaríamos de destacar aqui é dependendo da atividade (cria, recria ou engorda) e do nível tecnológico aplicado, o foco das atenções do gestor ou proprietário para “dentro” ou para “fora da porteira”, deve se rebalancear. Estabelecer indicadores financeiros e contábeis que orientam o empresário onde focar a atenção é de extrema importância.

Saber delegar é essencial para melhorar a gestão “fora da porteira”.

Porém, o que encontramos na realidade, são produtores que eram bem sucedidos com a gestão “dentro da porteira” no sistema de baixa tecnologia ou atividade de cria e pioram seus resultados ao intensificar a fazenda ou mudarem para atividade de engorda. Isto acontece porque estes produtores ao intensificarem, mantém seu foco nas competências que possuíam “dentro da porteira”. Porém, não reparam que as oscilações do mercado passaram a ter maior impacto no seu negócio.

Gráfico 2 – Para aumentar o Lucro na Pecuária, ajuste a Gestão de acordo com o nível de intensificação.

Para aumentar o Lucro na Pecuária, ajuste a Gestão de acordo com o nível de intensificação. 
Elaboração: Agromove.

Para aumentar o Lucro na Pecuária, ajuste a Gestão de acordo com o nível de intensificação.
Elaboração: Agromove.

Quando consideramos o impacto destas oscilações na receita obtida com a venda da produção, os riscos aumentam se a dedicação para “dentro e fora da porteira” não se reajustarem. A gestão da receita é uma atividade “fora da porteira” e tem alto impacto no lucro na pecuária.

2. Faça um bom planejamento.

Também é comum encontrarmos produtores reclamando do preço de venda ou do custo de produção. No entanto, poucos deles realizaram um planejamento do negócio.

  • O que é um bom preço de venda?
  • Qual o lucro que pretendo obter?
  • Quanto pretendo pagar na minha ração para executar meu plano?

Estas são perguntas básicas que devemos fazer ao preparar um bom plano. Mas, na maioria das vezes, não encontramos estas respostas com a produção. Quando encontramos as repostas, fazemos as seguintes perguntas:

  • Se alcançar este preço, você vende? Ou compra?
  • Se conseguir este lucro, você fecha a operação com o frigorífico ou com os fornecedores?

Na maioria das vezes a resposta é não, pois acredita-se que o mercado irá subir/cair mais e o resultado pode ser melhor. Porém, o que acontece, é o mercado oscilar e o produtor acabar perdendo a oportunidade.

Um bom plano envolve conhecer o cenário que nos rodeia.

Nossa sugestão é a realização de um bom plano de negócio. Segue alguns passos:

  1. O primeiro passo é entender onde estão as prioridades do negócio que mais impactam o resultado. Estão “dentro ou fora da Porteira”?
  2. Projetar cenários positivos e negativos para cada item importante dos custos e receitas, gráfico 3. Entender o cenário macroeconômico, a oferta e demanda e a cadeia de carne são essenciais para um bom plano.
  3. Estabeleça metas sobre Benchmarks conhecidos e viáveis para cada nível de tecnologia. Metas financeiras e técnicas.
  4. Acompanhe e revise os cenários e as premissas.
  5. Tenha sempre um plano “B” em mãos. Às vezes, as oportunidades aparecem nos piores cenários, quando menos esperamos.

Gráfico 3 – Projeção de Preços do Boi Gordo – Tendência Principal, Preços Máximos e Mínimos.

Projeção Preços Boi Gordo 2019 Fonte: Agromove
Projeção Preços Boi Gordo 2019
Fonte: Agromove.

O grande problema de um planejamento é a oscilação do mercado e as oportunidades não aparecerem ao mesmo tempo. Para explorarmos as oportunidades, precisamos alinhar a estratégia e gestão com as tecnologias e ferramentas existentes.

3. Veja que tecnologias podem ser utilizadas para otimizar o seu plano e aumentar o seu lucro na pecuária.

Uma vez entendidas as prioridades e desenhado o plano, você deve buscar as tecnologias para a execução do plano. Que tecnologias devemos usar nos seguintes cenários:

Os preços devem cair no primeiro semestre e subir no segundo.

Neste caso, tecnologias como vedação de pastagens, que permitem esticar a produção para o segundo semestre a um custo barato, podem ser interessantes.

Os preços devem subir no primeiro semestre e cair no segundo.

Neste caso, devemos pensar em tecnologias que reduzem o custo para a produção que não pode ser antecipada, como vedação de pastagens, suplementação com volumosos e proteção de preços.

Tecnologias que possibilitam acelerar a venda dos animais mais pesados para o primeiro semestre, como suplementação de grãos, também são interessantes. Observe o gráfico 4 e veja que estes cenários já ocorreram no passado.

Lembre-se que o mercado traz surpresas e, muitas vezes, precisamos mudar as estratégias e tecnologias adotadas para aproveitar as oportunidades. Entender as premissas que afetam o mercado em eventos econômicos, como a crise da carne fraca ou de aftosa, podem fazer toda a diferença entre ter lucro na pecuária ou ter prejuízo. Na mudança de cenários, devemos nos perguntar:

Que tecnologias poderíamos utilizar para aproveitar este cenário?

Quais oportunidades poderíamos aproveitar em momentos de stress?

existem diversas tecnologias. o importante é entender o cenário NO QUAL estamos trabalhando e adequar a tecnologia para melhor explorÁ-lo.

4. Prepare seu fluxo de caixa para aproveitar as oportunidades quando estas aparecerem.

Um bom plano de negócios nos permite visualizar as possíveis oportunidades. Para aproveitá-las, é necessário desenhar um fluxo de caixa do negócio e ter uma estratégia de ação. Observe o gráfico 4, e pense em quais oportunidades poderiam ter sido aproveitadas nos cenários de 2016 e de 2017.

Gráfico 4 – Preços do Boi Gordo Índice Esalq SP, em 2016 e 2017 (R$/@).

Preços do Boi Gordo Índice Esalq SP, em 2016 e 2017 (R$/@).

Preços do Boi Gordo Índice Esalq SP, em 2016 e 2017 (R$/@).
  • Quais estratégias você utilizou nos cenários acima?
  • Foram lucrativas?
  • Quais as premissas do seu cenário? Acertou? Por que errou?

Muitas pessoas reclamam que não aproveitam as oportunidades porque não tinham fluxo de caixa. Porém, elas esquecem que existem diversas ferramentas jurídicas, financeiras e comerciais que podem ajudar a resolver as questões de fluxo de caixa. Exemplo: uma opção de venda (put), para se proteger de uma eventual queda nos preços. Pode custar menos de R$ 1,50/@. Observe no gráfico 4, que o mercado caiu R$ 20,00/@ de janeiro a julho de 2017. Com apenas R$ 27.000, poderia se proteger um prejuízo de R$ 360.000,00.

O problema está em planejar a estratégia, entender/preparar o fluxo de caixa e explorar a oportunidade.

Utilize as ferramentas de mercado para auxiliar Na gestão do fluxo de caixa.

Ajustar a estratégia ao fluxo de caixa leva tempo. Portanto, estar preparado para esta ação é uma responsabilidade do gestor e do empresário.

5. Utilize métricas para acompanhar o seu plano e revise-as periodicamente.

Um bom plano de ação possui métricas para direcioná-lo e acompanhar se está caminhando para onde se espera. Por mais óbvio que isto possa parecer, muitas fazendas não possuem estas medidas.

As métricas podem ser técnicas e para isto, devem estar associadas a tecnologias envolvidas. Cada nível de tecnologia está associado a um grau de desempenho esperado. O bom gestor deve cobrar de seus técnicos e consultores as expectativas de desempenho das tecnologias aplicadas. A partir destas, deve revisá-las com a periodicidade indicada e fazer as correções, quando necessário.

Também devemos estabelecer métricas financeiras. Para isto, é necessário estabelecer cenários conforme comentado no item 2. Devemos encontrar as referências que gostaríamos de superar em nosso desempenho econômico. Determinar as premissas que fazem parte do cenário e revisá-las constantemente. Por exemplo: IPCA + 7%.

Escolher BEnchmarkS desafiadores é essencial para manter a equipe alinhada.

Quem não gosta de um bom desafio? Determinar os desafios, dar condições para que eles sejam atingidos, alinhar a equipe, delegar e revisar, é essencial para o sucesso de uma estratégia. Quanto maior o nível tecnológico, maior a necessidade de bons líderes. O bom empresário sabe identificar e criar líderes competentes.

6. Busque ferramentas para proteção de risco.

Conforme apresentamos nos itens anteriores, quanto maior o nível de intensificação da produção, maior o fluxo de caixa necessário na atividade, maior a exposição ao cenário externo e, portanto, maior o risco envolvido no negócio.

A rentabilidade do negócio também deve ser maior. Porém, esta está atrelada à capacidade de gestão do empresário. Para isto, ele necessita capacitar sua empresa e equipe para utilizar as ferramentas que reduzem o risco e os auxiliam a explorar as oportunidades “fora da porteira”.

Existem diversas ferramentas que auxiliam a reduzir o risco produtivo (seguro agrícola, tecnologias, etc.) e do mercado (mercado futuro, contratos, etc). Porém, o importante é saber utilizar as ferramentas nos momentos adequados. Exemplo: de que adianta gastar R$ 1,50/@ com uma proteção para queda de preços (put) se o mercado já caiu.

O segredo para utilizar as ferramentas de risco é antecipar os cenários de mercado.

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7. Não especule, comece a vender quando a sua meta for atingida.

Sabemos o quão difícil é seguir esta regra. Quando o mercado está subindo ou caindo, há sempre aquela esperança de que vai subir/cair um pouco mais…… Mas também sabemos do resultado quando somos surpreendidos com uma reversão rápida do mercado.

Um bom planejamento, deve prever qual o risco a empresa deseja correr.

Sabemos que cada empresa ou empresário suporta um nível de risco e não gostam de perder. Portanto, deixar a regra clara no início do jogo é muito importante.

Gerenciamento de Risco para aumentar o Lucro na Pecuária.
Elaboração: Agromove.
Gerenciamento de Risco para aumentar o Lucro na Pecuária.
Elaboração: Agromove.

Aprender a desenhar cenários não é algo fácil. Existem muitas variáveis. Com o tempo, alguns gestores aprendem a lidar com estas variáveis e direcionam melhor o risco. Porém, a grande maioria especula sem conhecer as variáveis e acaba se decepcionando com os resultados da intensificação da produção.

Se você se interessou pelos nossos artigos acompanhe nossos e-mails e blog, onde ensinaremos você a lidar com o risco, com as tecnologias e o mercado.

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