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Índice de Confiança do Agronegócio (ICAGRO)

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Fonte: http://icagro.fiesp.com.br/
Fonte: http://icagro.fiesp.com.br/

O que é o ICAGRO?

Sempre trabalhei com agronegócio. Atuei por 35 anos em empresas de fertilizantes. Neste período eu vi nascer os indicadores de confiança da indústria, da construção civil, do varejo, do consumidor e considerava que seria muito importante ter um indicador econômico de confiança para o Agronegócio.

Sempre pensamos o agronegócio como estratégico para o Brasil e não tínhamos ainda um indicador econômico de confiança que pudesse apresentar informações sobre a percepção atual e as perspectivas futuras da econômia do Brasil e do agronegócio. Queríamos que estas percepções e expectativas fossem apuradas com os produtores agropecuários, as cooperativas e as indústrias ligadas ao segmento.

Assim, o Índice de Confiança do Agronegócio – ICAGRO foi criado no final do ano de 2013. Seus resultados são direcionados àqueles que desejam aprofundar o conhecimento estratégico do agronegócio do Brasil considerando as empresas do “antes” da porteira, de “dentro” da porteira e do “após” porteira/fora da porteira (Figura 1).

O levantamento das informações para análises deste indicador de confiança é levantado trimestralmente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Conta atualmente com o patrocínio do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG) e o trabalho de campo é realizado pela Agroconsult.

Figura 1. A cadeia do agronegócio.
Figura 1. A cadeia do agronegócio.

Como é medido o ICAGRO?

O ICAGRO mede as percepções atuais e as expectativas futuras pelos agentes da cadeia do setor (antes, dentro e após porteira), através de um conjunto de variáveis que foram cuidadosamente estudadas e pensadas após algumas entrevistas qualitativas exploratórias com os agentes desta cadeia.

É importante destacar que o elo do antes da porteira conta com 25 empresas formado pelas indústrias de fertilizantes, de máquinas e implementos, sementes e produtos de defesa vegetal, nutrição e saúde animal, cooperativas, revendas, fabricantes de silos e bancos.

O elo de dentro da porteira conta com 645 produtores rurais sendo 100 (corte e leite) pecuaristas e 545 agricultores (Figura 2).

O elo do após porteira conta com 25 empresas formado pelas indústrias de alimentos, de energia, tradings, cooperativas, armazenadores e operadores logísticos.

Assim, o painel A representa os produtores rurais, o painel B as indústrias do antes da porteira e o painel C as indústrias do após porteira.

Figura 2. Composição da amostra do ICAGRO levantada trimestralmente (valores em %).
Figura 2. Composição da amostra do ICAGRO levantada trimestralmente (valores em %).

Para dar robustez aos resultados, outros levantamentos são realizados em paralelo:

  • o Perfil do Produtor Agropecuário;
  • o Painel de Investimentos;
  • a Sondagem de Mercado.

Embora eles não entrem na composição do ICAGRO, essas sondagens ajudam a explicar seus resultados.

O Painel de Investimentos, medido anualmente, mostra a intenção de investimentos do produtor agropecuário brasileiro em custeio e padrão tecnológico, máquinas e implementos agrícolas, infraestrutura e, gestão de pessoas e ajudam a entender o comportamento dos mercados de insumos.

A Sondagem de Mercado, com uma periodicidade trimestral, aborda os resultados de temas relevantes para o agronegócio brasileiro, como: período de aquisição de insumos, mix de financiamento, adoção de tecnologias, veículos de comercialização, entre outros.

A partir da mesma amostra que compõe o ICAGRO, o Perfil do Produtor Agropecuário apresenta informações sobre sua escolaridade, sucessão, processo de tomada de decisão de compra, gestão do negócio, interação com a indústria e cooperativas, visão sobre o Governo, e os problemas considerados importantes.

Qual é a metodologia do ICAGRO?

O ICAGRO é medido com uma escala que vai de 0 a 200 pontos, onde 100 pontos indicam neutralidade. Valores abaixo de 100 pontos apontam insatisfação/pessimismo e acima de 100 pontos indicam satisfação/otimismo do setor com a situação dos negócios e com as condições gerais da economia. Leia mais sobre o panorama ICAGRO dos últimos anos aqui.

O ICAGRO é composto por sondagens nos três elos da cadeia:

  • produtor rural (Painel A);
  • indústria antes da porteira (Painel B);
  • indústria após porteira (Painel C).

O peso de cada painel foi definido de acordo com a participação de cada um destes elos no PIB do Agronegócio Brasileiro, calculado pelo Cepea-USP/CNA. Excluímos o setor de serviços do cálculo do Cepea e redistribuímos o peso para os demais elos. Sendo assim, o Painel A tem um peso de 42%, o Painel B tem peso de 17% e o Painel C tem um peso de 41% no cálculo final do ICAGRO.

As 50 entrevistas do painel B e C são realizadas com as lideranças das empresas que compõem estas amostras. Para o painel A, são realizadas 645 entrevistas válidas com agricultores e pecuaristas. Esse painel é formado por produtores que cultivam soja, milho, trigo, arroz, cana, café, laranja e algodão e pecuaristas, tanto de corte como de leite, localizados em 16 estados brasileiros (Figura 3).

Figura 3. Abrangência geográfica (dentro da porteira – agricultores e pecuaristas).
Figura 3. Abrangência geográfica (dentro da porteira – agricultores e pecuaristas).

A amostra conta com produtores pequenos, médios e grandes e representa os produtores que respondem pela formação do Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira. São consumidores de tecnologia e de serviços das indústrias, cooperativas e representam o dinamismo do setor. O tamanho da amostra para cada cultura e região foi definido em linha com sua respectiva participação no VBP. A pesquisa possui um erro padrão de 4,5% para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Em relação ao tamanho das propriedades, adotou-se a seguinte estratificação entre pequenas, médias e grandes propriedades, de acordo com a realidade produtiva de cada Estado e com as experiências dos pesquisadores. Esta definição pode ser avaliada e discutida, conforme a Figura 4.

Figura 4. Definição metodológico para o tamanho das propriedades.
Figura 4. Definição metodológico para o tamanho das propriedades.

A coleta de dados é realizada a cada 3 meses e vem sendo divulgado deste o quarto trimestre de 2013. Um instrumento estruturado de coleta de dados vem sendo utilizado desde 2013 para o levantamento quantitativo dos dados em entrevistas pessoais e pelo telefone.

O que é levantado ou perguntado para os entrevistados?

O ICAGRO pesquisa variáveis em dois períodos de referência: situação atual e expectativas para a(s) próxima(s) safra(s). As questões são respondidas através da uma escala Lickert de 5 pontos.

Temos dois blocos de levantamentos: um sobre o negócio dos entrevistados e outro sobre as condições da economia do Brasil.

Para o levantamento de dados sobre os negócios, considerando a percepção atual, 1 significa muito abaixo do esperado e 5 muito acima do esperado. Para as expectativas futuras 1 significa muito abaixo do planejado e 5 muito acima do planejado.

Para o levantamento das condições gerais da economia do Brasil, considerando a percepção atual, 1 significa pioraram muito e 5 melhoraram muito. Para as expectativas futuras 1 significa muito pessimista e 5 muito otimista. Assim, as Figuras 5 e 6 mostram os constructos do ICAGRO com os seus respectivos pesos para a composição do indicador de confiança que pode chegar a 200 pontos.

Figura 5. Variáveis de análise e pesos do Painel A – Produtores.
Figura 5. Variáveis de análise e pesos do Painel A – Produtores.
Figura 6. Variáveis de análise e pesos dos Painéis B e C - Indústrias.
Figura 6. Variáveis de análise e pesos dos Painéis B e C – Indústrias.

Como podemos avaliar as respostas dos pecuaristas?

Vamos iniciar nossas análises com o ICAGRO considerando os três painéis estudados. A Figura 7 mostra os resultados até o quarto trimestre de 2018. Eles indicam que o ICAGRO nunca esteve tão alto, desde o terceiro trimestre de 2013.

Figura 7. Histórico do ICAGRO e o recorde no quarto trimestre de 2018.
Figura 7. Histórico do ICAGRO e o recorde no quarto trimestre de 2018.

Vamos destacar o painel A para ver os resultados entre os agricultores e os pecuaristas, separadamente. A Figura 8 mostra estes resultados.

Figura 8. Resultados do painel A.
Figura 8. Resultados do painel A.

Dos 21 trimestres em que o estudo já foi realizado, foi apenas a terceira vez em que o índice dos pecuaristas fechou acima de 100 pontos – o que dá uma boa medida do quanto é notável o resultado de 109,6 pontos atingido no 4º trimestre de 2018, uma alta de 20,7 pontos. O crédito e as condições gerais da economia sustentaram o inédito nível de confiança (Figura 9). O que impediu o ICAGRO de ser maior são as condições do preço recebido pelos pecuaristas e os custos de produção.

Figura 9. Resultados dos pecuaristas.
Figura 9. Resultados dos pecuaristas.

Quais os maiores problemas dos pecuaristas?

A Figura 10 mostra a evolução histórica dos problemas declarados pelos pecuaristas.  A cada trimestre perguntamos espontaneamente (a) Quais são os 03 principais problemas para o seu negócio? Em seguida questionamentos com estímulos: (b) Destes problemas que você citou, qual é o primeiro maior problema? Qual o segundo maior problema? E por fim, qual o terceiro maior problema?

Figura 10. Os principais problemas dos pecuaristas.
Figura 10. Os principais problemas dos pecuaristas.

Historicamente, observamos que o preço de venda da produção, o aumento do custo de produção e a falta de trabalhador qualificado são os principais problemas dos pecuaristas. Em seguida, temos o clima e a infraestrutura logística. A única variável não controlável desta lista é o clima. As outras poderiam ser melhor gerenciadas pelos pecuaristas.

As empresas do antes e após porteira desta cadeia deveriam olhar estes dados com uma visão crítica. Ou seja, como poderiam influenciar e colaborar com os seus clientes pecuaristas para que suas performances aumentem e para que consigam desenvolver capacidades dinâmicas, que poderiam melhorar as suas análises e, controlar estas variáveis para obterem desenvolvimento de vantagens competitivas no negócio.

Restou alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

>> Leia mais em: “Quais os principais desafios da pecuária intensiva?”. Neste artigo, comentamos como uma boa gestão diminui o risco na pecuária e como ferramentas podem reduzir os problemas “preço de venda do meu produto” e “aumento do custo de produção”.

>> Leia mais em: “Vamos falar sobre gestão na pecuária de corte”. Neste artigo, apresentamos como levar Gestão e Estratégia para as Fazendas.

>> E se quiser saber se a lucratividade na Pecuária de Corte está relacionada com a produtividade ou com a comercialização, acesse o nosso artigo “A lucratividade na Pecuária de Corte está relacionada com a produtividade ou com a comercialização?”.

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