Vamos falar sobre gestão na pecuária de corte

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Brahman Portobello
Foto: Carlos Lopes.

A pecuária de corte vem recebendo uma crescente demanda por produtividade, bem estar animal, sustentabilidade, carne de qualidade e os pecuaristas estão sentindo a necessidade de mudar a forma como seus negócios são conduzidos.

Precisam melhorar os resultados obtidos, levando Gestão e Estratégia para as fazendas.

Temos muito a acrescentar, em função das inúmeras dificuldades encontradas na atividade como:

  • o baixo preço pago pela arroba produzida
  • altos custos de produção
  • dificuldades em alcançar os níveis de qualidade exigidos pela indústria
  • contratação de recursos humanos de qualidade

Alguns produtores não conseguem entender como tantas outras atividades pecuárias progridem para alcançar o sucesso. Enquanto que suas fazendas não conseguem gerar a lucratividade necessária para que se mantenham na atividade.

Esse é um grande problema que perturba diversos pecuaristas no Brasil. Nesse contexto, surge a seguinte pergunta: o que deve ser feito para se obter sucesso?

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Neste artigo, abordaremos alguns pontos importantes ligados à gestão na pecuária de corte. Peças chaves para aumentar a rentabilidade do negócio.

Bons funcionários são importantes
Mas como conseguir funcionários comprometidos com a empresa?
O pecuarista precisa conhecer o seu negócio
O pecuarista é responsável pelo sucesso dos seus negócios
O conhecimento técnico é importante
É preciso eliminar gargalos
Saber qual a variabilidade dos indicadores é essencial

Bons funcionários são importantes

Um dos maiores desafios da pecuária de corte é atrair e reter bons funcionários.

É também desafiador reter um funcionário que seja engajado, que cumpra horários, seja proativo e que, além disso, seja feliz. Quando alcançado, esse pode ser o maior diferencial competitivo das fazendas de sucesso.

Isso pode ser obtido de maneira simples: o funcionário precisa estar alinhado com a cultura da empresa. Para isso, é necessário que alguns itens sejam definidos logo na contratação.

É preciso deixar claro quais são as normas de conduta, salário, benefícios e quais são as atividades que estão sob sua responsabilidade. Esse último item remete principalmente ao treinamento que deve ser oferecido através da escrita de procedimentos operacionais (sucinto e claro). E, principalmente, esclarecer que aquilo que está sendo feito tem um papel fundamental para o sucesso da fazenda.

Além disso, é de grande importância que haja acompanhamento de todas as atividades. E, a partir disso, desafie a pessoa a cada vez progredir mais na busca das metas.

Outro ponto importante é saber delegar atividades. Isso é essencial para que todos exerçam as funções de acordo com suas competências. Para isto, é primordial que o pecuarista saiba o que é importante delegar e o que ele deve assumir como responsabilidade. Pois está diretamente relacionado com a rentabilidade da atividade.

Dessa forma, construir um bom modelo de custos que identifique as atividades relevantes e as que devem ser delegadas se torna extremamente importante.

Não podemos esquecer, que para que toda atividade seja bem exercida, o responsável deve estar capacitado a desenvolvê-la. Por isto, o treinamento e acompanhamento técnico é essencial.

Mas como conseguir funcionários comprometidos com a empresa?

Segundo o Professor Paulo Fernando Machado da Esalq/USP, primeiramente, é necessário mapear os comportamentos que se quer nas pessoas. Para isso, é preciso persuadi-las a entenderem a cultura da empresa e fazer com que a pratiquem. Esse é um ponto bastante desafiador, pois envolve mudanças nas atitudes e na mentalidade.

O bom líder também sabe reconhecer os bons e maus comportamentos. Ele deve representar a cultura da empresa. Para isto, é essencial que busque o comportamento de equipe. Que reconheça quando as metas foram cumpridas e saiba reconhecer quais são os funcionários que estão desalinhados com a cultura da empresa. A falta de percepção com relação a esses quesitos pode ser um tiro no pé da cultura da empresa.

Com bastante esforço e dedicação, é perfeitamente possível obter funcionários comprometidos. Uma das formas de “fazer acontecer” é escolher os gatilhos mais apropriados a cada pessoa e os comportamentos mais fáceis de serem executados. A melhor forma de fazer isso é começando devagar, dia após dia, com coisas simples até chegar a atividades mais complexas.

Por exemplo, fazer um peão entender que a leitura correta do cocho pode diminuir o desperdício de alimentos. E com isso aumentar a rentabilidade da produção.

Com o passar do tempo, as pessoas se acostumam com sua nova forma de pensar e agir e ao mesmo tempo, fazem coisas que as deixam felizes e mais perto do sucesso. Em resumo, a melhor forma de mudar um comportamento, é deixar as coisas mais simples. Criar novos hábitos até eliminar ou reduzir comportamentos existentes e aumentar a motivação, através da diminuição ou retirada de barreiras.

O pecuarista precisa conhecer o seu negócio

É muito importante, que o proprietário tenha conhecimento de tudo que esteja ocorrendo dentro de sua empresa para focar em resultados e obter lucro.

Fica muito mais fácil conhecer a empresa, quando todos os processos são mapeados. E isso se refere a conhecer, por exemplo, quem são os clientes, os fornecedores e quais produtos são vendidos pela empresa.

Uma das metodologias utilizadas para mapear processos é chamada de SIPOC, exemplo apresentado na figura 1.

Figura 1 - SIPOC.
 Fonte: Agromove.
Figura 1 – SIPOC.
Fonte: Agromove.

A sigla vem do inglês e se refere a fornecedores, insumos, processos, produtos e mercado. E pode ser utilizado tanto para projetos complexos, quanto em negócios já existentes. Refere-se a um modo estruturado para se discutir um processo. E gerar consenso entre os envolvidos antes que se comece a desenvolver diversos mapas do processo. O uso dessa ou outras ferramentas de organização irão ajudar o pecuarista, a conhecer seu negócio, organizar de maneira simples e fácil todos os processos de dentro da fazenda.

Conforme comentamos no artigo “A lucratividade na Pecuária de Corte está relacionada com a produtividade ou com a comercialização?”, o pecuarista precisa aprender a olhar seu negócio dentro e fora da porteira. Um bom sistema de custos irá identificar quanto do negócio está relacionado com a gestão externa (comercialização). E quanto está relacionado com a gestão interna (produtividade). Somente a partir deste entendimento ele poderá direcionar as responsabilidades.

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Entender a tendência do negócio, planejar e rever o planejamento, alinhando as ações da equipe é essencial para se obter os melhores resultados. Uma vez que um erro na compra de insumos ou na venda dos animais de 5% pode comprometer um aumento de 20% na produtividade da fazenda.

O pecuarista é responsável pelo sucesso dos seus negócios

É muito importante que os responsáveis pelo negócio orientem seus funcionários para o sucesso. Os gestores devem criar metas claras e objetivas. Para isto, estabelecer bons indicadores como taxa de prenhez, peso ao desmame, conversão alimentar e rendimento de carcaça são essenciais.

Dessa forma, o pecuarista se torna totalmente responsável pelo sucesso de sua produção. E, independentemente do tamanho de sua propriedade, sua mentalidade gerencial é a variável que mais pode afetar seu negócio.

Mas o que isso significa?

Produtores que têm essa característica são altruístas. Possuem um propósito nobre para seu negócio. Têm funcionários felizes e empenhados, fazendo com que o dinheiro seja consequência da razão de ser do seu negócio. São pessoas humildes, que orientam, colocam a mão na massa e, principalmente, dividem o sucesso com os demais.

Por serem empreendedores, conseguem atrair e manter pessoas certas. Fazem as pessoas crescerem e por fim são inovadores, pois sempre querem fazer mais. Não se conformam com os resultados e estão sempre abertos a novidades.

Ter uma mentalidade gerencial na maioria das vezes não é fácil e requer mudanças no comportamento. Mas é perfeitamente possível com muita dedicação.

O conhecimento técnico é muito importante na pecuária de corte

Mesmo com os processos mapeados, apenas conhecer o próprio negócio não é suficiente para levar uma fazenda ao sucesso.

Conhecimento técnico é muito importante. Pois a partir de decisões tomadas em relação a toda parte de ambiência, nutrição, reprodução, manejo e sanidade é possível avaliar se o trabalho realizado com os animais está resultando em lucro para a empresa.

O conhecimento técnico é essencial, pois é ele que aumenta a nossa produtividade. O aumento da produção tem a capacidade de diluir os custos fixos e variáveis, pois melhora a utilização dos insumos.

Conforme já vimos no artigo, um aumento de 20% na produtividade tem alto impacto na rentabilidade do negócio. Pois aumenta a quantidade de produto vendido e reduz o tempo de uso do capital aplicado.

Além disso, é importante o dono do negócio ter ciência de requisitos básicos de administração. E saber, por exemplo, os custos que tem para produzir uma arroba de carne e qual foi o lucro obtido pela venda deste animal, de forma a aumentar a margem líquida.

É importante que o foco seja em aumentar o ganho de peso. Para que outros custos como alimentação, sejam diminuídos. E dessa forma, não precisar alterar a quantidade e qualidade de alimento que se fornece aos animais.

A partir disso, conclui-se que o sucesso do negócio está em aumentar a quantidade de arrobas vendidas. Pois os custos fixos são diluídos e a margem líquida é maior.

É preciso eliminar gargalos

É de extrema importância que os gargalos da produção sejam eliminados (por exemplo, animais com baixo peso na desmama). E que principalmente, se priorize aqueles problemas que podem ser resolvidos em curto prazo. Um bom exemplo são questões de ambiência e nutrição.

Para isso, é importante ter controle de todos os itens que têm impacto na lucratividade da empresa, estabelecer processos operacionais e motivar todos os envolvidos no negócio. Uma forma de se fazer isso é realizar o levantamento dos indicadores que deverão ser controlados. Principalmente aqueles que mais influenciam no resultado do negócio.

Existem diversos exemplos, tanto na área técnica como na área gerencial que podem ser citados. A prioridade sempre deve ser dada aos que são urgentes, de alto impacto no resultado e resolvidos no curto prazo. Como casos de mortes de bezerros, animais estufados ou com acidose ou cochos com sobras excessivas de comida. Sem esquecer da gestão comercial. Estes são exemplos de que precisamos de olhos treinados em toda a fazenda. E que precisamos delegar e treinar pessoas para realizar estas correções.

Além de itens de controle técnicos, é importante também controlar itens que tragam o retrato econômico da empresa. Ou seja, qual é a atividade que está dando mais lucro? E para isso, indicadores de controle para se obter essa informação, devem ser estabelecidos.

Como fazer isso? Para que a gestão seja feita com maestria é essencial delegar. Todos sabemos que precisamos de outras pessoas para exercer as atividades que uma empresa demanda. Assim, para estarmos atentos a todos os detalhes e corrigir os gargalos é essencial que as pessoas responsáveis estejam alinhadas com as metas.

Saber qual a variabilidade dos indicadores é essencial

Muitas pessoas tendem a complicar demais. Implantando muitos indicadores e perdendo a referência do que é importante e que impacta no resultado. Um bom sistema de custos ajuda a identificar as prioridades. Por isto, a recomendação é sempre começar pelo que tem alto impacto no resultado. Conforme evoluímos na gestão, aumentamos os indicadores.

Em razão da alta relevância na gestão externa (insumos e receitas). Sempre recomendamos combinar indicadores com foco nos itens importantes (custos variáveis e receita) com indicadores produtivos e técnicos.

Assim, a partir do momento que se sabe o que se deve controlar (itens de controle) e como controlar (indicadores) é possível estabelecer processos operacionais padrões. Exemplo preenchido na figura 2.

Figura 2 - Exemplo de Procedimento Operacional Padrão preenchido.
Fonte: Agromove.
Figura 2 – Exemplo de Procedimento Operacional Padrão preenchido.
Fonte: Agromove.

A padronização deve ser feita, para que sempre seja entregue um produto de qualidade ao cliente. No entanto, mais importante que estabelecer processos, é entender as variações que podem ocorrer com os indicadores.

Vamos ver alguns exemplos.

A taxa de prenhez é um indicador de sucesso do manejo reprodutivo de uma fazenda. Agora, qual é o intervalo ideal em que pode se observar se o manejo reprodutivo está adequado? Será que os resultados obtidos não são normais para animais de determinada raça? Em determinada região e numa dada estação do ano?

As variações no consumo de matéria seca são muito importantes. Principalmente quando conseguimos monitorá-las de forma adequada como quando confinamos os animais. Ao realizar uma simples leitura de cocho é possível observar alterações em consumo. Mas será que isso é normal ou algum problema está acontecendo?

Ausência de indicadores consistentes e objetivos faz com que seja difícil saber quão bem os programas de manejo reprodutivo e nutricional estão sendo feitos. E sem indicadores ou índices objetivos, há uma tendência em aceitar a situação presente, mesmo que ela não seja satisfatória.

Muitas pessoas tendem a achar problemas onde eles não existem. O que queremos dizer é que, o problema realmente existe se os valores obtidos estejam fora do padrão. E essa informação só será possível ser observada se tiver a correta monitoria dos resultados obtidos.

Cada dado coletado, possui uma variação e é preciso saber o que é normal ou não, em um determinado intervalo. Todo processo que tem causa comum de variação pode ser chamado de estável e não é possível eliminá-lo.

Em muitas situações, os envolvidos no negócio não estão satisfeitos com os resultados, mesmo estando dentro dos parâmetros. Porém, é necessário entender que é normal todo processo ter variação. E, mais importante que isso, é saber o que é uma variação normal.

A taxa de prenhez e redução no consumo de alimentos, como citado acima, têm impacto nos resultados do pecuarista. Sabendo disso, é necessário saber quais são os limites permitidos para a variável. Como esses números podem variar dentro do que é permitido, encontrar quais são as causas dessa variação e a partir disso, estabelecer processos para que essa variação seja a menor possível.

Em resumo

O pecuarista precisa engajar funcionários através do estabelecimento de uma cultura da sua empresa e conhecer seu próprio negócio. Isso será importante para que as necessidades do seu cliente (no caso de pecuária de corte, os frigoríficos) sejam atendidas. Para isso, é importante adotar procedimentos de padronização das atividades realizadas na fazenda. Estas devem ter o controle periódico, principalmente naqueles itens que têm impacto direto sobre a produção. Para isso, todos os setores devem ter pessoas responsáveis pelo controle e realização das tarefas. Para que sejam sempre realizadas da mesma forma, garantindo assim a padronização de todos os produtos. Caso algum item controlado saia dos limites de variação. É necessário descobrir as causas e propor ações para que esse item volte à normalidade.

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