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Planejamento produtivo na pecuária

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Peões a cavalo levando a boiada.
Foto: @fazendapelosmeusolhos.

“PASTO VERDE! ATÉ QUANDO?”

Se tem uma coisa que está constantemente presente na cabeça do pecuarista é qual será o gasto ao final do mês. Outro pensamento que também não sai, é a difícil previsão de qual será o lucro depois de todo o processo. E, na verdade, estas perguntas causam preocupações ao pecuarista, ao sócio administrador, ao CEO. Falamos sobre a importância da geração de caixa para o sócio em nosso webinar. Assista!

No entanto, um pouco de planejamento pode diminuir esta tensão, em muito.

Um dos pontos principais e mais importantes a se planejar é a parte nutricional.

Com ele, é possível prever o tempo de engorda e, consequentemente, quando a venda será realizada e com isso, determinar o melhor momento para a venda e lucrar mais com isso. Saiba como encontrar o melhor momento para a compra e venda do gado aqui.

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E para que todas as dúvidas sobre este assunto se esclareçam, o especialista Rogério Domingues escreveu uma carta ao leitor destrinchando este planejamento e porque ele é tão importante.

Caso tenha interesse no trabalho deste excelente profissional acompanhe também suas entrevistas para a Agromove: “Conversa com especialista: vedação de pastagem para reservar alimento para a seca” e “Engorda: 7 principais entraves”.

Introdução

Rogério Fernandes Domingues formou-se em 1998, pela ESALQ-USP, no curso de Engenharia Agronômica, terminou a especialização em Nutrição Animal e Pastagens em 2003, também pela ESALQ-USP, e MBA em Agronegócios pela FGV em 2010. Rogério iniciou seus trabalhos com pecuária e produção animal durante o período de sua graduação, estagiando no Clube de Práticas Zootécnicas – CPZ do Departamento de Zootecnia até sua formação.

No ano de 1999, passou a trabalhar com a empresa Parmalat no Departamento de Assistência Técnica ao Produtor, sendo responsável pela região norte do Estado de SP e posteriormente, pela região da cidade de Jundiaí. Em 2000, iniciou seus trabalhos com a parte de formação de pastagens, semiconfinamento e produção de silagem no Estado do MT e ao final do ano de 2001, passou a atuar no MS, nas propriedades da Família Misrahi, trabalhando na reestruturação das unidades produtoras que exploravam a pecuária de corte.

Após realizar a pós-graduação, Rogério foi contratado pelo grupo Vilela de Queiroz, em Barretos, tornando-se responsável por toda a parte técnica e planejamento agrícola e da atividade pecuária da mesma, em Fazendas em GO, MT, RO, PA e TO. Em 2012, no norte de Minas, região de Montes Claros, assumiu um grupo de fazendas como responsável técnico e gerencial em uma pecuária de ciclo completo, ou seja, cria, recria, engorda em confinamento, além de agricultura irrigada. A partir do ano de 2014, passou a trabalhar com assessoria e gestão-integrada de diversas fazendas, nos Estados de SP, MG, MS, MT e GO, participando de todas as etapas de gestão e planejamento operacional-financeiro das atividades agrícolas e pecuária destas propriedades. Outra atividade realizada é a avaliação e análise de viabilidade (projetos) de sistemas de produção envolvendo agricultura, pecuária e recentemente, a integração entre as duas atividades.

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Carta ao leitor

“Com as chuvas, se refazem as expectativas de bons tempos, com pastos verdes e baixos custos de produção.

Isso é verdadeiro, e um alento nesse tempo turbulento de aumentos de custos de produção (seja pela desvalorização cambial, seja pela escassez da oferta de insumos ligados à produção, como aqueles que compõem a base dos produtos utilizados para suplementação).

Nesta hora, o pastejo é indispensável para maximizar a margem econômica da atividade. Ou seja, importante produzir barato, visto que tempos difíceis são previstos.

A pergunta é:

Você está preparado para a próxima etapa do processo natural de produção?

Porque, assim como a certeza da alvorada do próximo dia, o que ocorrerá será algo parecido com isso:

Fig. 1. Fluxograma de transição do verão chuvoso para a seca. Fonte: Fazenda JL e Agropecuária Stocco.
Fig. 1. Fluxograma de transição do verão chuvoso para a seca. Fonte: Fazenda JL e Agropecuária Stocco.

A foto da esquerda mostra um bom posicionamento, com baixos custos, contudo, de modo súbito, a condição apresentada na imagem central começará a se desenhar em nossas propriedades, e muito rapidamente, quase que em um piscar de olhos, após a transição (como o tempo tem passado depressa…) estaremos novamente com o período seco estabelecido e assim, estaremos posicionados bem ali…, no extremo direito da imagem…, e aí a coisa pode “apertar”.

Digo apertar no sentido da aproximação da perda dos índices zootécnicos e financeiros, realizados no período de pastagens abundantes (caso suas metas e seu planejamento não tenham sido realizados de modo antecipado e estratégico);

Essa situação ocorre todos os anos, e é explicada em função de que cerca de 93% do território brasileiro encontra-se na denominada “Zona Tropical”, ou seja acima do Trópico de Capricórnio; paralelo à linha do Equador, localizado no hemisfério Sul da Terra, na latitude de 23º26’14” Sul; e essa região é a mais representativa para pecuária de corte nacional.

Aqui temos duas estações muito bem definidas: a chuvosa e a seca (lados esquerdo e direito da foto, respectivamente), lembrando que na maior parte do território, o período chuvoso se dá dos meses de setembro/outubro para março/abril; enquanto acima da linha do Equador e na faixa do litoral nordestino, o período chuvoso se inverte, ou seja, de março/abril para setembro/outubro e isso define o potencial produtivo de nossa atividade.

No planejamento produtivo existem opções como:

– Contínuo processo de produção dentro de mesma propriedade, trabalhada no período de verão chuvoso; somente com manejo nutricional de alimentos volumosos, seja por diferimento ou pela oferta de volumosos suplementares, e pelo ajuste dos suplementos minerais e vitamínicos, ligados a fontes proteicas e ou proteicas-energéticas.

– Venda de animais em função da drástica redução do alimento principal (pasto) em razão da condição de estacionalidade.

Confinamento dos animais na propriedade que tenha a estrutura para continuidade do ciclo. Também o envio desses animais para estruturas especializadas de confinamento, nas diferentes modalidades comerciais existentes, pode ser uma boa opção; visto que esse processo ocorre no final do período de recria, que coincide com a reposição de animais jovens e com isso se dá a redução da carga animal, e com o período de mais escassez dos alimentos (seca).

– Suplementação à Pasto, seja para prática de sequestro de animais em produção (comuns no caso de fêmeas em reprodução ou recria de bezerros desmamados), seja para Terminação intensiva à pasto (TIP), com o fornecimento de alimentos concentrados (rações), devidamente balanceadas, para acabamento e abate nos animais. Essa prática corre em áreas de pastagens previamente preparadas, com estruturas cercas, de cocho, água e equipamentos para o fornecimento, projetados para o suporte tal demanda;

– Ou mesmo a diversificação das alternativas acima descritas conforme a produtividade das pastagens decorrentes da estação de crescimento, ou estratégias envolvendo custos de insumo, preço de venda, ou mesmo necessidade de novos investimentos.

– Tudo isto deve estar atrelado a um bom planejamento comercial. Cada região possui suas características produtivas e comerciais e um bom planejamento deve levar em conta estes fatores para que o projeto apresente todo o potencial de rentabilidade.

Não existe nesse caso o certo ou o errado, nem a “receita pronta”, isso é uma característica única, do seu próprio negócio, que deve ser estabelecida sob a ótica de um planejamento de curto, médio e longo prazo, levando em consideração o inventário da demanda alimentar do seu rebanho (estando ele estabilizado ou em crescimento), dando o embasamento para seu plano de metas.

O que tenho visto é que o clima tem uma previsibilidade muito clara, principalmente sob a condição de meses de pastagens verdes, e do período seco, contudo, continuo observando muita gente que trabalha muito, perdendo dinheiro por não saber “lidar” com a condição da estacionalidade das pastagens, ou seja, com o momento em que as pastagens alteram a sua taxa de crescimento.

Alteração essa de redução, devido as mudanças de temperatura, fotoperíodo e principalmente pelo fim das chuvas e da disponibilidade de água, situação conhecida e vivenciada por produtores devido a repetibilidade de ano após ano.

Assim, está na hora de avaliar como será o nosso futuro próximo, aliás nosso e do nosso rebanho… Sua decisão deverá levar em conta as respostas para as seguintes questões: quando, como, quanto, onde fazer e por quem será feito. Parece simples, mas a tarefa nem sempre é fácil. Se precisar peça ajuda, tem muita gente competente para tal, não perca seu dinheiro, seu tempo e sua alegria de estar inserido no agro! Cuide-se e tenha sucesso!

Forte Abraço,

Rogério F. Domingues”

Você tem mais perguntas para o Rogério Domingues?

Seu e mail para contato é: rogerio_domingues@outlook.com;

Ele também pode ser encontrado no Instagram: @rogeriofernandesdomingues.;

No Facebook: Rogério Fernandes Domingues;

e no LinkedIn: Rogério Domingues.

Envie suas perguntas e conheça mais o trabalho deste excelente profissional!

>> Leia mais entrevistas em: “Conversa com especialista: Produção e Conservação de Silagem”. Nesta entrevista, Paulo Stacchini nos dá uma aula completa sobre silagem.

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>> Assista nossos webinars em https://blog.agromove.com.br/webinars/

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