Índices zootécnicos: o que são e qual a sua relação com uma bovinocultura de alta performance

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Foto: Nathalie Jail.
Foto: Nathalie Jail.

Alcançar altos desempenhos em um sistema de produção animal é um dos principais desejos do pecuarista, isto não é novidade! Além de muita dedicação e disciplina, o gerenciamento, bem como o grau de conhecimento sobre o modelo de criação, são mais do que indispensáveis. Na verdade são decisivos na definição se seremos ou não bem-sucedidos nesta atividade.

Introdução

Pense na seguinte situação: você é um empresário do ramo agrícola e necessita tomar uma decisão de produzir mais ou reduzir a quantidade de itens de um determinado produto. Entretanto, em sua empresa, você não possui nenhum sistema de controle de estoque. Não sabe quando o produto foi produzido e nem possui o conhecimento do tempo que você levou para escoar este produto para o mercado. Será que é possível administrar uma empresa nestas condições? Ou até mesmo tomar uma boa decisão? A resposta é absolutamente não!

Definitivamente, esta é uma situação fictícia que seria inimaginável ocorrer no âmbito empresarial atual, até mesmo um gestor com tal postura estaria mais fadado ao fracasso ou até mesmo estaria longe de ser um bom gestor. Afinal, nenhuma atividade sobreviveria em tais circunstâncias.

Mas acredite se quiser! Esta é uma realidade que existe e está presente no nosso dia a dia mais do que imaginamos. Basta tomarmos como exemplo a conjuntura da atividade de pecuária no Brasil e sua tradicional forma de se conduzir e produzir gado na maioria das fazendas. Claro, existem exceções, entretanto são consideradas minoria em um universo onde o sistema de pecuária de corte está predominantemente embasado em sistemas extensivos, com uma imensidão de terras subutilizadas quanto ao seu real potencial! Não é à toa que em função deste panorama, ainda testemunhamos fazendas com baixas lotações (UA/área), pouco investimento em tecnologia, apoio técnico, fatos que consequentemente definem um modelo ausente de informações e sem perspectiva.

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Assim como se passa para qualquer atividade, o conhecimento sobre os processos que fazem parte da mesma são pontos-chave para o sucesso do empreendimento. Para a pecuária não é diferente. E principalmente para aqueles que anseiam intensificar sua propriedade, o primeiro passo está justamente em ter domínio sobre esses eventos que naturalmente impactam o desempenho e resultado final, dentro de um complexo no qual integramos aspectos biológicos, manejo e exploração econômica.

Afinal de contas, como o produtor pode controlar estes processos na prática em sua fazenda?

Bom, primeiramente basta ele coletar as informações que estão prontamente disponíveis. Isto por meio de ferramentas capazes de mensurá-las e que estão camufladas no sistema produtivo. Ferramentas estas que denominamos de índices zootécnicos.

E o que são os índices zootécnicos e como eles podem nos auxiliar?

Os índices são nada mais do que indicadores produtivos, quantitativos e qualitativos capazes de expressar de forma mais clara ao produtor o que exatamente se passa na sua propriedade em função do seu manejo. Com o tempo, o registro dos índices compõe um banco de dados que originam um histórico. Informações importantíssimas que na prática, auxiliarão o produtor na identificação dos eventuais gargalos existentes e estabelecimento de medidas efetivas que solucionem o problema. Tudo isso acaba por ajudar na otimização do sistema produtivo. Além de permitir que o produtor possa inserir novas tecnologias mais facilmente, o que fatalmente acarretará em ganhos no desempenho geral do rebanho.

E por que é importante para o produtor o conhecimento dos índices zootécnicos?

A partir do domínio dos índices zootécnicos é possível traçar metas a curto, médio e longo prazo. Esta é uma visão essencial que garante a longevidade da atividade econômica, seja na fase de cria, recria ou engorda. Servem como um guia, auxiliando no entendimento da eficiência produtiva, reprodutiva e sanitária presentes em sua própria propriedade. Além de serem instrumentos que permitem o ajuste das eventuais deficiências no manejo, gestão e entraves que na maioria das vezes acabam onerando o processo produtivo global.

Figura 1 - Esquema da influência dos índices zootécnicos sobre o sistema produtivo animal.
Montagem: Nathalie Jail.
Figura 1 – Esquema da influência dos índices zootécnicos sobre o sistema produtivo animal.
Montagem: Nathalie Jail.

Agora que já sabemos a importância dos índices zootécnicos, vamos conhecer alguns dos principais utilizados na pecuária de corte e aprender a calculá-los?!

Taxa de Natalidade

Este índice nos permite mensurar a nossa eficiência quanto a geração de novos bezerros em nossa propriedade. Ele é calculado em função do número de bezerros nascidos em relação ao número de vacas cobertas ou inseminadas, como podemos observar na fórmula abaixo!

Taxa de Natalidade
Taxa de Natalidade

Taxa de Prenhez

O cálculo é simples! Basta estabelecer a razão do número de vacas com prenhez positiva em relação ao número de fêmeas inseminadas ou cobertas. Ou seja, ao final obteremos a porcentagem de fêmeas cobertas ou inseminadas que efetivamente ficaram prenhas.

Taxa de Prenhez
Taxa de Prenhez

Intervalo entre Partos

O intervalo entre partos nada mais é que o período compreendido entre o nascimento de dois bezerros consecutivos de uma mesma fêmea. Normalmente, ele é calculado pela diferença entre as datas dos partos ou pela soma do tempo de gestação da vaca com o Período de Serviço.

Período de Serviço

Já o período de serviço trata-se do espaço de tempo entre um parto e uma nova cobertura ou inseminação de sucesso. Ou melhor, uma prenhez positiva. Pode ser calculado de acordo com a diferença entre a data do nascimento do último bezerro e a data da próxima cobertura/inseminação.

Taxa de Mortalidade de Bezerros

Este índice nos mostra a taxa de bezerros nascidos que não chegaram a ser desmamados.

Taxa de Mortalidade
Taxa de Mortalidade

Taxa de Desmame

Índice que reflete o comportamento geral da atividade na fase da cria, pois, está intrinsecamente relacionado aos demais índices reprodutivos. Ou seja, uma eventual alteração nos mesmos, implica automaticamente nas modificações dos resultados finais de rentabilidade nesta etapa.

Taxa de Desmame
Taxa de Desmame

Produção Real

Retrata a quantidade de bezerros em Kg que a vaca desmamou durante o ano em sua propriedade.

Produção Real
Produção Real

Taxa de Descarte

Esta taxa corresponde a reforma do rebanho. Ou seja, quantas fêmeas são substituídas, por descarte ou morte, no rebanho em relação ao total de vacas da fazenda.

Taxa de Descarte Anual
Taxa de Descarte Anual

Taxa de Desfrute

A taxa de desfrute mensura a capacidade de produção da fazenda. Ou melhor, a capacidade do rebanho de gerar excedentes em relação ao rebanho inicial, em um determinado período. O resultado pode ser expresso em Kg, Arrobas ou Cabeças. Existem duas formas de calcular:

Taxa de Desfrute
Taxa de Desfrute

ou

Taxa de Desfrute
Taxa de Desfrute

Idade de Vendas dos Machos (Boi Gordo)

Indicador que nos mostra a idade em que os animais atingiram o peso ideal para o abate. Ou seja, na prática quanto menor essa idade, melhor é para o pecuarista. Significa que ele terá um giro maior de animais em sua propriedade.

Ganho Médio Diário (GMD)

Já o GMD estabelece o quanto de peso em Kg que o animal ganha por dia. Quanto maior o ganho médio diário, mais rapidamente o animal alcançará seu peso ideal para o abate.

GMD
GMD

Lotação Média Anual

Representa a carga animal que a propriedade manteve por unidade de área durante o ano.

Lotação Média Anual
Lotação Média Anual

Estes são apenas alguns índices que podemos trabalhar, além desses existem outros. No entanto, já com o domínio destes parâmetros é possível estruturar o perfil da propriedade. A partir da interpretação e conciliação do conhecimento teórico é possível designar estratégias e assim otimizar o sistema como um todo. Tudo isso através da confrontação dos resultados obtidos na propriedade com dados padrões que servem de comparativo e evidenciam, se você como produtor, caminha ou não dentro de uma performance satisfatória. O que observamos na prática é que a medida em que há maior aporte de técnica dentro do sistema produtivo, maiores serão os resultados verificados sobre os indicadores, como podemos observar na tabela abaixo (Figura 2).

Figura 2 - Comparativo dos principais índices zootécnicos em diferentes sistemas de produção de gado de corte. Refere-se a estimativas desenvolvidas com base em observações de realizadas com produtores e experimentos. Fonte: Adaptado de Zimmer & Euclides Filho (1997).
Figura 2 – Comparativo dos principais índices zootécnicos em diferentes sistemas de produção de gado de corte. Refere-se a estimativas desenvolvidas com base em observações de realizadas com produtores e experimentos.
Fonte: Adaptado de Zimmer & Euclides Filho (1997).

Se você quiser saber mais sobre outros tipos de parâmetros, como por exemplo os utilizados para a bovinocultura leiteira, clique aqui e confira!

Conclusão

Atualmente, tendo em vista o anseio da profissionalização por parte do setor da pecuária, o que se espera é que a velha tradição seja substituída aos poucos pelo novo olhar sobre a bovinocultura geral. Isso com certeza ficará mais evidente no futuro, principalmente com a competitividade e a necessidade de melhor aproveitar a área disponível para produção de alimentos.

No Brasil, só no primeiro trimestre de 2018, a atividade ligada à produção animal foi responsável por movimentar uma receita de U$S 1,6 bilhão, e segundo relatório divulgado pela Associação Brasileiras das Indústrias Exportadoras de Carnes Bovinas (ABIEC), o volume exportado neste mesmo período foi de 495,4 mil toneladas de carne para diversos países afora. Difícil mesmo é acreditar que apesar de tais números, nosso grau de tecnificação e controle estejam aquém, condição que contrasta com nossa atual posição de destaque no âmbito internacional, em relação ao volume de proteína animal comercializado. Vale relembrar que possuímos o segundo maior rebanho do mundo!

O lado positivo de toda esta história é que para todo um contexto deficiente, novas oportunidades são geradas, tanto como em relação ao potencial de exploração, como também a expansão da atividade ante a uma possível capacitação no setor.

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