O tratamento de sementes na agricultura atual

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Sementes, sementes tratadas, sementes germinando, plantações de milho, soja e feijão.
Sementes, sementes tratadas, sementes germinando, plantações de milho, soja e feijão. Montagem: Agromove.

Hoje, o produtor tem acesso a diversos tipos de tratamentos de sementes. Desde fungicidas, bactericidas e nematicidas até herbicidas e alguns nutrientes. É notável como o uso de sementes tratadas facilitou a agricultura moderna.

Neste texto, vamos falar um pouco sobre o tratamento de sementes e como ele é importante na agricultura atual.

Histórico

O tratamento de sementes é uma ferramenta extremamente moderna e tecnológica muito utilizada na atualidade. Mas, diferente do que muitos pensam, os primeiros relatos dessa atividade datam do século XVII.

A primeira referência de atividades, que viriam a dar origem a essa tecnologia, datam de 1670.

Um acidente afundou um navio cargueiro na costa da Inglaterra, o que imergiu toda a sua carga em água do mar. Parte desta carga, composta por sementes de trigo, foi resgatada e plantada normalmente. Percebeu-se então que os grãos que absorveram a água salina apresentaram menor índice de ferrugem, quando comparados com grãos que não passaram pelo processo. Essa técnica passou a ser usual para controlar alguns tipos de doenças desde então.

Existem também dados de 1770, que indicam o uso de sal e soda cáustica no tratamento de sementes de trigo para diminuir a incidência de ferrugem na cultura.

A partir de 1807, foram utilizados outros compostos inorgânicos para o combate de fungos e outras doenças. Porém, muitos foram proibidos posteriormente por conta da sua alta periculosidade, como os usados em 1917 (Carbonato de cobre (CuCo3) ) e em 1948 (metilmercúrio (MeHg) solubilizado em guanidina).

Em 1970, desenvolveu-se o Carboxin (2,3,dihydro-5-carboxanilido-6-methyl), primeiro fungicida sistêmico. É utilizado até hoje nos tratamentos de trigo e cevada.

Tratamento de sementes na fazenda X Tratamento de sementes industrial

A partir do momento que o produtor agrícola percebeu que a adição de compostos orgânicos e inorgânicos nas sementes permitia uma melhor germinação e uma lavoura mais uniforme, o tratamento de sementes passou a ser um método mais comum e conhecido.

Inicialmente, os tratamentos eram realizados nas próprias fazendas. Alguns compostos químicos era adicionados a um misturador (manual ou mecânico), ou então a uma betoneira e misturados às sementes. No entanto esse método era pouco efetivo, pois as sementes eram expostas aos compostos de forma desuniforme. Além disso, a produção era em baixa escala.

Figura 1: Misturador de sementes feito com barril.
Fonte: MFrural

Figura 1: Misturador de sementes feito com barril.
Fonte: MF Rural.

Hoje, muitos produtores ainda realizam este tratamento dentro de suas propriedades por conta do custo mais baixo.

Nos últimos anos, algumas empresas especializadas em agroquímicos, passaram a realizar estes tratamentos de maneira industrial. O tratamento industrial produz sementes tratadas com melhor recobrimento dos compostos adicionados e maior uniformidade.

Apesar do custo mais alto, é recomendável que o produtor decida pelo uso de sementes tratadas industrialmente. Isso se dá pelo fato da semente estar em melhores condições para a germinação.

As sementes tratadas industrialmente resultam em uma lavoura mais uniforme e uma planta melhor adequada às condições do ambiente em que será plantada.

No final do plantio, os custos acabam por serem abatidos, pois geram uma maior lucratividade.

Para mais informações, assista este vídeo informativo.

Tipos de tratamento de sementes

Hoje, os tipos de tratamentos de sementes são dos mais diversos. Vão desde o uso de químicos através do molhamento da semente, até outros tipos de processos como: Peliculização, Inoculação, Peletização, Aplicação de Bioestimulantes, etc.

A seguir, vamos descrever um pouco dos principais tipos destes tratamentos.

Tratamento por molhamento

Neste tipo de tratamento, os ingredientes ativos são dispostos em quantidade relativamente pequena. No entanto, essa quantidade é suficiente para proteger a semente até mesmo depois de sua germinação.

Com o emprego do molhamento há uma considerável redução dos custos no período de pré emergência e emergência da planta. Isso se dá pela diminuição da necessidade de pulverização de químicos.

Os compostos utilizados para este tipo de tratamento possuem uma seletividade extremamente alta. Ou seja, são tóxicos apenas para o organismo alvo (bactérias, fungos, nematóides) sem prejudicar o desenvolvimento da cultura.

Uma das grandes vantagens do molhamento é que pode ser associado a outros tipos de tratamento, permitindo às culturas uma melhor condição de desenvolvimento no campo.

Tratamento por peliculização

A peliculização ou film coating (película de recobrimento) foi desenvolvida inicialmente com a intenção de facilitar o processo de semeadura e proteger a semente no solo em situações adversas.

Esta técnica consiste no recobrimento da semente por uma camada de polímeros, composto por amido, resina natural, mucilagem e açúcares, e corantes.

O processo de peliculização facilita principalmente a semeadura, pois aumenta o fluxo (deixando a superfície mais lisa) das sementes, diminuindo a fricção entre as mesmas. Além disso, a coloração auxilia na identificação pelo produtor, diferenciando por tratamento e até mesmo por cultivar a ser plantado.

Uma peliculização bem feita protege a semente sem impedir a embebição e a germinação adequadas. Além disso, apesar de melhorar a aparência da semente (deixando-a mais lisa), essa técnica não altera seu tamanho nem formato.

Figura 2: Sementes de cebola peliculizadas.
Fonte: Agritu.

Figura 2: Sementes de cebola peliculizadas.
Fonte: Agritu.

Tratamento por peletização

O tratamento por peletização, consiste na aplicação de uma grossa camada de compostos cimentantes de granulometria fina, com o objetivo de aumentar o tamanho e dar à semente um formato arredondado.

Quando as sementes passam pela peletização, o processo de semeadura é facilitado. Pois, ao contrário das sementes nuas, a distribuição é feita com maior precisão e uniformidade no campo. Neste caso, os gastos com sementes são reduzidos e a necessidade de desbaste é minimizada ou até mesmo eliminada.

Este processo é feito principalmente em sementes muito pequenas, geralmente olerícolas, como a alface.

Figura 3: Sementes de alface peletizadas.
Fonte: Paraná Agro.

Figura 3: Sementes de alface peletizadas.
Fonte: Paraná Agro.

Tratamento por inoculação

Algumas culturas produzidas no Brasil, necessitam de alto teor do macronutriente nitrogênio (N). Isso ocorre principalmente com as leguminosas como soja e feijão, culturas para as quais o recomendado é a aplicação de 80 kg/ha, por exemplo. Saiba mais sobre a cultura da soja aqui.

No entanto, essas culturas são produzidas em larga escala no país, o que tornaria inviável a aplicação deste nutriente por meio de fertilizantes.

Apesar de muito exigentes em nitrogênio, as plantas leguminosas possuem a capacidade de associar-se a bactérias fixadoras de nitrogênio. Isso elimina a necessidade de realizar uma adubação química visando suprir este nutriente. Saiba mais sobre a fixação biológica de nitrogênio aqui.

As bactérias capazes de realizar esta simbiose, podem ser adicionadas à semente, juntamente com açúcares, com o auxílio de um composto adesivo. Este processo compõe a inoculação.

Legalmente, existe um padrão de inoculação ditado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o qual indica que deve ser feita a inoculação de 500 g de inoculante para 50 kg de semente.

Tratamento por condicionamento osmótico

Neste tratamento, a semente recebe um estímulo intenso que acelera o processo pré germinativo com o intuito de acelerar a germinação das plantas.

Este método é utilizado principalmente para plantas ornamentais visando uniformizar sua produção.

Neste processo, a semente é embebida em solução osmótica por um tempo e temperatura determinados. Após essa embebição, a semente é seca e torna a ter o teor de água original (em torno de 12%). Com este teor estabilizado, a semente pode ser armazenada novamente.

Benefícios do tratamento de sementes

Sementes tratadas, usualmente recebem a adição de compostos químicos que auxiliam na sua instalação e crescimento na lavoura. Estes compostos possuem atuação fisiológica nas plantas, auxiliando-as a estabelecerem crescimento vigoroso e com melhor aproveitamento do seu potencial produtivo. Esse crescimento é conhecido como efeito fitotônico, que é caracterizado pelas vantagens positivas no crescimento e no desenvolvimento das plantas, proporcionadas pela aplicação de algum ingrediente ativo.

Os principais compostos são:

  • Inseticidas, fungicidas, nematicidas, herbicidas, bactericidas e outros agroquímicos com a função de combater algum tipo de praga ou doença.
  • Micronutrientes. Estudos indicam que micronutrientes são elementos essenciais para o processo de germinação da semente.  
  • Bioestimulantes ou reguladores de crescimento. Substâncias compostas por hormônios vegetais ou sintéticos que atuam como promotores de crescimento.

Outro benefício que esse processo oferece é a proteção ambilateral das culturas que ocorre abaixo e acima do solo antes, durante e depois da germinação.

Conclusão

Com este texto concluímos que o tratamento de sementes é um método bastante eficiente e, a longo prazo, diminui os custos da produção na lavoura.

É muito utilizado desde há muito tempo e vem se mostrando cada vez mais tecnológico com o passar dos anos.

Dentre as tecnologias atuais, o uso de sementes tratadas industrialmente é o mais recomendado pelos especialistas. Por conceder à semente uma dose uniforme de agroquímico e permitir uma lavoura mais uniforme.

Existem diversos tipos de tratamentos de sementes que podem ser utilizados juntos ou separadamente, dependendo do objetivo para o qual é feito.

Ademais, o tratamento permite que sementes que antes eram ameaçadas por doenças, pragas ou até interferências climáticas, consigam crescer mais fortes, com melhor enraizamento, germinação uniforme e, é claro, produtividade.

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