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O futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina brasileira: Comercialização

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Vaca e seu bezerro.
Foto: @adrianogarcia.

Introdução

A comercialização pecuária é uma etapa extremamente importante. É nela que você consegue ver, de fato, o resultado de todo esforço a campo realizado até então.

No entanto, esta etapa ainda é muito pouco explorada pelo pecuarista e em muito pode ser melhorada.

Hoje, a comercialização apresenta melhoras com relação ao passado e pode-se ver o progresso ao longo do tempo ocorrendo de maneira bem rápida. Sabendo da importância desta etapa, alguns especialistas elaboraram previsões sobre a comercialização para 2040.

Neste texto, vamos citar e comentar quais são as tendências para 2040 para a comercialização, com base no trabalho do CiCarne/Embrapa O futuro da cadeia produtiva da carne brasileira: Uma visão para 2040″. Sobre as tendências para 2040, já escrevemos artigos sobre Insumos, Produção de Bovinos de Corte, Indústria Frigorífica.

Diferenciação de preço

O que tem acontecido na atualidade são as parcerias entre produtores e frigoríficos com financiamento de ração, acesso à biotecnologia da reprodução e acesso à bolsa de valores. Isso tem ajudado o pecuarista a manter o preço do boi estável ao ofertar animais para o mercado futuro ou de opções.

Apesar das parcerias, o produtor ainda não tem o que ele mais busca, maior poder de barganha, o que deixa para os frigoríficos o direito de ditar as regras aos produtores.

Além disso, a indústria processadora tem aumentado os critérios de avaliação individual do gado, selecionando a partir de qualidade e não de quantidade. O produtor precisa se especializar nos procedimentos contratuais e negociar melhores condições de venda, mesmo que possua um produto de boa qualidade. Isso tudo se baseia no fato de ter uma alta oferta e uma baixa demanda dos frigoríficos em si, permitindo que os mesmos sejam mais exigentes e possam pedir preços mais baixos.

Na próxima década, a previsão é que os preços da carne caiam. Já pode-se observar uma queda bastante expressiva (por volta de 5%) em cortes mais nobres como o contrafilé e o filé-mignon. Os fatores que influenciam esta queda são: taxa de câmbio, variação de custo, demanda global, clima, competição com outras carnes, restrições sanitárias externas e também, o ciclo do gado e a renda real do consumidor.

Para 2040, prevê-se que a alta variação no preço da venda da carne, muito presente no dia a dia do produtor hoje, vai ser muito menor e estável. Esta estabilidade será possível graças ao aumento da qualidade e padronização dos cortes, mas é necessário ficar atento, visto que outros fatores que não apenas a qualidade da carne, podem afetar esta oscilação.

Um outro assunto que deve ser levado em consideração para 2040 é a variabilidade de produtos, com ela será possível separar o produto em nichos, dentre eles: tipo de corte, tipo de produção, certificação do animal e outras características. Apesar da alta heterogeneidade em território e poder aquisitivo.

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Mercado Interno

O mercado interno, atualmente, é responsável por cerca de 79% do consumo total da carne bovina produzida no país. Estudos, no entanto, preveem que no futuro esta faixa de consumo vai cair para 75%, o que nos faz presumir que o consumo brasileiro vai diminuir, porém isso não tem se mostrado de verdade. De acordo com o trabalho base para este texto, a justificativa para esta nova taxa de consumo é:

” A produção pecuária de bovinos de corte evidencia aumento produtivo ano a ano e tende a se intensificar até 2040. Apesar de grande abertura comercial à exportação, o consumidor brasileiro mostra aumento no consumo per capita de produtos cárneos provenientes de bovinos. Estima-se que até 2040 haverá crescimento expressivo no consumo de carne bovina pelo aumento do poder aquisitivo da população. Fatores que podem ser entraves a esse crescimento seriam a linha de alimentação que prevê hábitos de consumo mais saudáveis, associados à eliminação da carne vermelha do cardápio, e a atitude ativista para os direitos dos animais”

Este fator é tão verdade que, órgãos federais estimam que até 2040 haverá um aumento considerável no consumo de carne, mesmo com alguns fatores que são, por eles, considerados entraves, como: linhas de alimentação mais saudável, que diminuem ou eliminam o consumo de carne vermelha e movimentos a favor dos direitos dos animais (movimento vegetariano e vegano).

Com relação às exportações, haverá um aumento na assinatura de acordos comerciais favoráveis com mercados exigentes que possuem alto consumo per capita de carne, um bom exemplo é a Ásia.

Outro fator importante tanto nos fatores comerciais internos quanto nos externos, é o crescimento expressivo nos meios de conexões digitais, ampliando o sistema de e-commerce, permitindo uma venda prática e rápida.

O movimento, apesar de alguns empecilhos, é promissor e acredita-se que até 2040, o mercado de carne bovina utilizará plenamente as conectividades para divulgar e conectar diretamente com o consumidor final. Empresas líderes já vêm investindo uma considerável quantia para que este e-commerce se torne cada vez mais real, tanto para o consumidor intermediário quanto para o consumidor final.

Mercado externo

O crescimento do consumo externo de carne bovina ainda é de difícil previsão, mas é possível acreditar que no futuro esta exportação caminhe a passos mais acelerados que os atuais. O que já consolida o Brasil como um dos maiores fornecedores de carne bovina para o mundo.

Mas já que a previsão é difícil, como podemos afirmar com tamanha certeza esta aceleração?

De 2008 a 2018, o Brasil aumentou sua taxa de exportação em 83%, com um aumento de 110% na arrecadação em dólares. Em 2018, foram exportadas cerca de 234 mil toneladas equivalente carcaça e miúdos, e o maior importador é Hong Kong, consumindo cerca de 66% deste montante. Por isso, é provável um aumento na exportação até 2040, principalmente com o aumento do consumo mundial dos produtos e subprodutos da bovinocultura.

Além disso, a exportação de animais vivos vem crescendo exponencialmente, sendo este tipo de exportação 35% mais rentável que a venda no mercado interno. Os maiores consumidores na exportação de animais vivos são atualmente, e acredita-se que continuarão sendo, os países árabes, Venezuela, Turquia e Austrália.

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Conclusão

Alguns fatores, como mercado interno e a questão de preços, têm previsão significativamente promissora para 2040. Com relação à exportação, ainda não se pode ter uma previsão certeira. No entanto, é possível ter nuances de uma possibilidade de aceleração e aumento nas exportações de carne bovina brasileira. Ainda que muito incertas.

O Brasil vem e continuará se destacando perante a bovinocultura mundial e já é garantida a presença do país no ranking de maiores produtores e fornecedores de carne, no mercado interno e externo, para as próximas décadas. Os resultados para 2040 são promissores e trarão consequências positivas para a agricultura e economia do país.

>> Leia mais entrevistas em: “Cria: 5 principais entraves”. Nesta entrevista, Rodrigo Paniago, da Boviplan Consultoria Agropecuária nos responde as principais dúvidas sobre a fase de cria e comenta seus principais entraves.

>> Leia mais entrevistas em: “Recria: 5 principais entraves”. Neste texto, Marco Balsalobre responde quais são os principais entraves desta fase e porque ela é tão negligenciada.

>> Leia mais entrevistas em: “Engorda: 7 principais entraves”. Neste texto, Rogério Fernandes Domingues fala um pouco mais sobre os principais entraves na engorda e como isso pode ser prejudicial ao produtor.

>> Quer saber mais sobre Mercado Futuro? Leia o artigo “Mercado Futuro do Boi Gordo e Commodities: 7 cuidados básicos” do Alberto Pessina.

>> Leia mais em: “Por que devo saber o meu custo?”. Onde Alberto Pessina responde as principais dúvidas sobre gestão de custos.

>> Leia mais entrevistas em: “Margem Bruta e Eficiência Comercial”. Onde Alberto Pessina explica sobre Margem Bruta e Eficiência Comercial.

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