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O futuro da Cadeia Produtiva da Carne Bovina brasileira: Bovinocultura de corte

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Bovinocultura de Corte. Foto: Adriano Garcia.
Bovinocultura de Corte. Foto: Adriano Garcia.

Introdução

A pecuária brasileira sempre foi taxada de atrasada, resistente a inovações e carente em gestão de negócios. No entanto, este fato vem mudando rapidamente nos últimos anos. Hoje, já é possível verificar grandes mudanças na visão dos pecuaristas. Cabe dizer que estas grandes mudanças foram devido à fatores favoráveis, como: condições climáticas, mão de obra abundante, tecnologia adaptada às condições do país etc.

Contudo, para as tendências futuras, novos desafios vêm sendo traçados e precisam ser superados. Um aumento dos custos, a valorização das terras e uma forte pressão socioambiental são alguns dos desafios que precisamos ter atenção para continuarmos com projeções futuras positivas.

Neste texto, vamos abordar sobre as tendências para o futuro na cadeia produtiva dentro da bovinocultura de corte. Sobre as tendências para 2040, já escrevemos o artigo sobre Insumos e utilizamos como base o Relatório do CiCarne/Embrapa “O Futuro da Cadeia Produtiva de Carne Bovina Brasileira: Uma Visão Para 2040”.

Uso de terras

O uso de terras para a pecuária vem diminuindo gradativamente desde 2012, deste tempo para cá, a pecuária perdeu 5% de sua área, enquanto a agricultura ganhou 6%. Esta mudança continuará crescente até o ano de 2040, onde espera-se, que a quantidade de terras para agricultura esteja em equilíbrio com a quantidade de terras voltadas para a pecuária.

Não existe um movimento histórico que tenha induzido uma queda no tamanho das áreas a serem utilizadas pela pecuária. Esse fato vem acontecendo rapidamente e prevê-se que em 2040, a área destinada para este fim será bem menor que nos dias atuais.

A maior tecnificação da pecuária e expansão da agricultura são os maiores fatores para este acontecimento. Hoje, a pecuária não necessita mais de grandes áreas para uma produção adequada e a agricultura segue em expansão com seu mercado aquecido. Além disso, há também a relação lavoura-pecuária, que vem sendo uma tendência dos últimos anos, principalmente nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Outro fator bastante expressivo, é que a diminuição da área de pastagens traz maior rentabilidade ao produtor. Isso se dá pelo fato de, quando o produtor aumenta sua gama de opções, tecnificando a pecuária, reduzindo o espaço necessário e utilizando este espaço para uma agricultura ou então fazendo um consórcio agricultura-pecuária (iLP) ou floresta-agricultura-pecuária (iLPF), ele passa a ter mais opções diversificando mercados, assim fica menos refém de variações de commodities. Saiba mais sobre iLP e iLPF aqui.

Mais recentemente, tem se falado sobre a queda das demarcações de terras indígenas. De acordo com a proposta da atual gestão brasileira, o objetivo é criar uma parceria entre produtores rurais e grupos indígenas para cultivo e criação de gado em terras já demarcadas, além de liberar a exploração de minérios e madeiras de forma legal nas áreas demarcadas como indígenas.

No entanto, fundações culturais, ambientais e governamentais com a INA (Indigenistas Associados) e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) são contra esta proposta, argumentando que:

“Sem disfarce […] a abertura da modalidade de terras públicas que são as terras indígenas à exploração econômica por particulares não indígenas, em flagrante violação à noção de usufruto exclusivo por parte dos detentores da posse (os indígenas)”.

A fundação completa seu argumento com: “(As PECs) são claramente, contrárias aos preceitos constitucionais que fundamentam os direitos que tais propostas visam suprimir – o usufruto exclusivo dos povos indígenas aos seus territórios”.

De uma forma geral, estas ações demandam normas políticas, portanto é incerto dizer se esta ação será feita por este governo, por outro no futuro ou se, de fato, se concretizará.

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Gestão

Ainda hoje, os pecuaristas são conhecidos como gestores pouco desenvolvidos. Ou seja, comenta-se que boa parte destes ainda se limitam a fazer anotações em papéis soltos. De fato, esta afirmação generaliza de maneira errônea a categoria, mas em alguns casos ela pode ser considerada.

Com a tecnologia e maiores exigências com relação à qualidade da carne, sanidade e outros assuntos, uma melhor gestão passou a se tornar vital para a pecuária.

Cursos sobre gestão e plataformas que ajudam o produtor a prever quando será a melhor época para a compra e venda vem se tornando cada vez mais parte do dia a dia do pecuarista moderno. Com a pressão do mercado e as exigências da indústria por produtos cada vez de maior qualidade, além da disponibilidade de cursos, tutorias e plataformas, é provável que em um futuro próximo o produtor passe a, cada vez mais, tratar sua produção como uma empresa. Prevendo-se que em 2040, uma grande maioria já siga este pensamento.

Embora o Brasil seja o maior produtor pecuário do mundo, cerca de 221,9 milhões de cabeças produzidas no ano de 2019 (segundo o relatório anual do perfil pecuário do Brasil), ainda temos muito o que crescer, principalmente em termos de produtividade e rentabilidade. Para isso, é necessário que haja uma melhora na gestão.

Quando se fala de melhoria na gestão, alguns fatores como melhoria na infraestrutura da logística, investimentos crescentes, redução de custos, redução de doenças e eficiência no uso dos recursos ambientais são essenciais. Para o futuro, prevê-se que, as fazendas de pecuária tenham um alto nível de gestão e isso não ocorrerá por acaso. Além de toda tecnologia envolvida, o aumento no custo de mão de obra a campo e o aumento da competitividade de mercado vão ser fatores bastante importantes para que isso se torne uma realidade ainda mais papável.

Não podemos esquecer também, que pecuaristas mais jovens estão entrando no mercado e com eles muita tecnologia e mente mais aberta para realizar modificações na forma de criar gado. Apesar de sabermos que existe uma questão dentro da discussão sucessão familiar, referente à falta de interesse dos filhos em continuar com os negócios da família. Já falamos sobre este assunto com um especialista aqui. Ainda existe um outro grupo de jovens dispostos a investir no setor e interessados em melhorias no sistema, perfil gerencial e no setor em geral.

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Estrutura produtiva

O êxodo rural é um problema atual bastante presente, principalmente na pecuária. De 2006 a 2017, houve uma queda de 9,24% no número de pessoas e até 2040, esse número pode ser ainda maior.

Esta questão deve-se não somente pela saída de pessoas da zona rural, mas também pela migração de produtores pecuários para a agricultura. A constante expansão territorial da agricultura, seus ciclos mais curtos e um giro comercial mais rápido, são excelentes estímulos para o redirecionamento do produtor para esta área. Pretende-se, portanto, que a maior tecnificação e melhoria na qualidade da carne e, consequentemente, melhoria na renda para o produtor no longo prazo, sejam estímulos para a permanência na área.

Outro fator que pode vir a ser alterado para os próximos anos, é o fato do Centro Oeste deixar de ser o maior produtor de gado de corte e passar esta posição para a região Norte-Nordeste.

Desde 2013, o Mato Grosso teve um aumento de 30% no número de abates anuais, mantendo-se na primeira posição entre os anos de 2014 e 2018. Apesar disso, nos últimos anos, das 10 cidades mais produtivas, apenas uma delas está localizada no MT, tendo a grande maioria situada no Pará. O aumento da produção bovina no Pará e o crescimento da importância dos estados integrantes do MATOPIBA, faz com que a manutenção da posição de liderança do Centro Oeste na produção de bovinos de corte, seja discutível para o futuro.

Quando se fala em semiconfinamento, confinamento e confinamento terceirizado para o futuro da pecuária, cada um vai mostrar uma previsão mais ou menos positiva. Quanto ao semiconfinamento, ainda que a engorda a pasto seja a principal técnica utilizada, os produtores já estão se preocupando com uma dieta mais completa para os seus rebanhos, aderindo cada vez mais ao semiconfinamento.

Esta técnica traz algumas vantagens, a não necessidade do desprendimento de um capital tão alto para infraestrutura, o aumento da eficiência de produtividade (cabeça/hectare/ano) que permite uma engorda mais rápida, liberando o espaço a campo, além do lucro final por trazer um animal melhor acabado. Estes fatores estimulam o interesse do produtor, apesar da baixa procura por enquanto. Para o futuro, prevê-se maior aderência dos pecuaristas a técnica.

Para o confinamento, a previsão é um pouco menos promissora. É possível prever que esta técnica terá maior uso no futuro, já que o pecuarista está se modernizando e tecnificando, porém é imprevisível o quão maior será este aumento. O fator que torna esta previsão não muito exata é a disparidade entre os valores de venda e compra de insumos entre as regiões e entre os anos.

Dentre os fatores que podem estimular o aumento do confinamento no futuro estão: racionalização do uso de terras, necessidade de ciclos mais curtos, demanda da indústria por animais melhor acabados.

Quando se fala em confinamento terceirizado a visão do produtor muda um pouco, porém ainda possui alguns entraves. Aqueles conhecidos como boiteis, tem um crescimento dúbio. Se por um lado, comparando com o confinamento tradicional não há a necessidade de investimentos em infraestrutura, o que facilita para o pecuarista, a oscilação no preço dos grãos pode afetar bastante o preço das diárias.

Um pecuarista tecnificado e prevenido que consegue prever quando ocorrerá a melhor época para venda e compra de insumos, acaba não sofrendo com este impasse, podendo escolher tranquilamente entre o uso de boiteis ou o investimento em infraestrutura para confinamentos. Dependendo do seu objetivo e do seu capital.

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Meio Ambiente

A relação sociedade meio-ambiente vem mudando muito nos últimos 10 anos.

Além da necessidade visível de ter uma relação equilibrada com o ecossistema ao nosso redor, os consumidores se tornaram mais exigentes e com isso, há uma demanda presente e futura para produtos ecologicamente amigáveis e corretos.

Dentro da pecuária, este aumento de demanda não é diferente. Para isso, muitos fatores estão sendo alterados para o futuro. Dentre estes, encontramos a geração de energia própria, que apesar de apresentar alguns entraves, parece bastante promissora.

O maior uso efetivo de fontes de energias renováveis como solar e eólica, além de fontes de energia biorrenováveis a partir de sistemas agroalimentares já é uma realidade para alguns produtores. Ainda não é previsto que metade dos pecuaristas esteja utilizando deste método em 2040, porém é consenso que este número será muito maior que o atual. Além de ser uma fonte de energia muito mais barata e em alguns casos, com retorno ao bolso do produtor. O uso de energias renováveis serve como norteador para que a produção agropecuária do Brasil se torne cada vez mais consciente.

O aumento na produtividade pecuária também tem um impacto ambiental positivo. Esta frase é bastante polêmica, mas olhando de uma forma mais técnica e levando em consideração os novos conhecimentos, a adoção dos sistemas iLP e iLPF, o melhor aporte nutricional dos bovinos e a recuperação de áreas degradadas com a intensificação da produtividade, tem sim efeito positivo quando se trata de meio ambiente. Além disso, pesquisas estão sendo feitas buscando diminuir a emissão de gases de efeito estufa pela pecuária com controle da fermentação ruminal, aditivos e probióticos.

Um outro fator importante para a melhor relação da pecuária com o meio ambiente é a redução no consumo total de água. Apesar de estudos apontarem que o consumo de água vai ter um crescimento de 24% nos próximos 20 anos, especialistas apontam que no âmbito da pecuária esta porcentagem vai ter um decréscimo importante. O motivo para esta afirmação é que pesquisas voltadas para o melhor uso da água para a área estão a todo vapor e prevê-se que até 2040 haverá uma considerável redução no seu uso.

Comercialização de Animais

A modernização dentro do sistema de comercialização de animais é sem dúvida um fator bastante presente nas melhorias futuras para o setor. A especialização do comércio do setor é um avanço por exemplo.

Como já dito antes, o uso de tecnologias, cursos e plataformas para decidir a melhor época para vender seu gado vem ganhando espaço na mesa do produtor. Tecnologias como estas facilitam o momento de decisão e, consequentemente, a gestão. Assim, sobra mais tempo para o produtor se preocupar com outros fatores vitais da fazenda, como a qualidade da carne até a finalização adequada dos bois.

Saber comercializar é essencial para o pecuarista moderno e antecipa-se que em 2040, o pecuarista terá uma compra e venda mais transparente e com maior noção do mercado.

Por fim, os estudos mostram que o movimento de modernização da pecuária de corte brasileira está irreversível e apesar de alguns desafios se mostrarem ao longo do caminho, para que o país mantenha (ou até mesmo amplie sua posição de liderança), os movimentos que levam a este fato já estão e vão continuar ocorrendo nos próximos 20 anos.

O futuro, de fato, é incerto, mas é visível o esforço da categoria para que, cada vez mais, a pecuária brasileira esteja melhor e mais eficaz.

>> Leia mais entrevistas em: “Cria: 5 principais entraves”. Nesta entrevista, Rodrigo Paniago, da Boviplan Consultoria Agropecuária nos responde as principais dúvidas sobre a fase de cria e comenta seus principais entraves.

>> Leia mais entrevistas em: “Recria: 5 principais entraves”. Neste texto, Marco Balsalobre responde quais são os principais entraves desta fase e porque ela é tão negligenciada.

>> Leia mais entrevistas em: “Engorda: 7 principais entraves”. Neste texto, Rogério Fernandes Domingues fala um pouco mais sobre os principais entraves na engorda e como isso pode ser prejudicial ao produtor.

>> Quer saber mais sobre Mercado Futuro? Leia o artigo “Mercado Futuro do Boi Gordo e Commodities: 7 cuidados básicos” do Alberto Pessina.

>> Leia mais em: “Por que devo saber o meu custo?”. Onde Alberto Pessina responde as principais dúvidas sobre gestão de custos.

>> Leia mais entrevistas em: “Margem Bruta e Eficiência Comercial”. Onde Alberto Pessina explica sobre Margem Bruta e Eficiência Comercial.

>> Leia mais entrevistas em: “Como melhorar os resultados da empresa rural?”. Onde Alberto Pessina explica que precisamos analisar uma série de fatores que influenciam na produtividade e rentabilidade do negócio para atingir bons resultados. E é fundamental se ter uma boa gestão das atividades da propriedade rural.

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