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Práticas corretivas para a Cultura da Soja

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Soja

Introdução

O Brasil é o maior produtor mundial de soja, sendo que a produção total do grão na safra 2019/2020 foi de aproximadamente 124,845 milhões de toneladas em uma área pouco menor que 37 milhões de hectare (CONAB, 2020). Esses dados dão a dimensão da importância da cultura da soja, não somente para o agronegócio brasileiro, mas para toda a economia do país.

Dessa forma, para se obter maiores produtividades é fundamental conhecer as principais práticas corretivas para a cultura da soja, sendo elas a calagem, gessagem, fosfatagem e adubação corretiva de potássio.

Tabela 1. Extração e exportação média de macronutrientes da cultura da soja. Fonte: Embrapa, 2008.
Tabela 1. Extração e exportação média de macronutrientes da cultura da soja. Fonte: Embrapa, 2008.

Calagem

É a prática corretiva mais conhecida e realizada no manejo químico do solo, uma vez que solos tropicais normalmente são ácidos. Ela consiste na adição de calcário no solo, buscando, principalmente, o aumento do pH e, consequentemente, a redução da acidez.

Os benefícios da calagem são induzidos pela:

  • Redução na absorção de Al3+, Mn2+ e Fe2+;
  • Fornecimento de Ca e Mg;
  • Aumento da disponibilidade de P (menor fixação), K (menor lixiviação), S (aumento da mineralização da M.O.) e Mo (molibdênio – menor adsorção em óxidos de Fe e Al);
  • Aumento na atividade de microrganismos;
    • Mineralização da M.O.;
    • Fixação biológica do N.

Por conta desses benefícios, essa prática é tão importante para o bom desenvolvimento das culturas. Dessa forma, para se obter sucesso em sua realização, deve-se levar em consideração 4 pilares: resposta da soja ao uso do calcário, critério de calagem, tipo de calcário e forma de aplicação.

Resposta da soja ao uso do calcário

Pesquisas conduzidas na soja por Castro & Oliveira Jr. (dados não publicados) no Sudoeste Goiano, indicam resposta linear, até saturação por bases de 60% (V%).

Figura 1. Resposta de milho e soja à calagem. Fonte: Castro & Oliveira Jr. (dados não publicados).
Figura 1. Resposta de milho e soja à calagem. Fonte: Castro & Oliveira Jr. (dados não publicados).

Critérios de calagem

Com os dados sobre a resposta da cultura da soja ao uso de calcário, é preciso definir como será recomendada essa prática. A seguir tem-se dois critérios de recomendação: a saturação por bases e os teores de Ca e Mg para áreas de abertura ou com plantio direto estabilizado.

Saturação por bases: Áreas de abertura

Figura 2. Critério de saturação por bases em áreas de abertura. Fonte: Raij et al., (1996)., adaptado por Vitti e Mazza (2002).
Figura 2. Critério de saturação por bases em áreas de abertura. Fonte: Raij et al., (1996)., adaptado por Vitti e Mazza (2002).

Saturação por bases: Áreas de manutenção

Figura 3. Critério de saturação por bases em áreas de plantio direto estabilizado. Fonte: Raij et al., (1996).
Figura 3. Critério de saturação por bases em áreas de plantio direto estabilizado. Fonte: Raij et al., (1996).

Teores de Ca e Mg

Figura 4. Critério dos teores de Ca e Mg em áreas de abertura e de manutenção. Fonte: Adaptado de Zancanaro, et al. 2019-2020.
Figura 4. Critério dos teores de Ca e Mg em áreas de abertura e de manutenção. Fonte: Adaptado de Zancanaro, et al. 2019-2020.

          Neste método deve-se atentar:

  • Áreas de abertura: Ca e Mg (20-40cm)
  • Áreas de manutenção: Ca e Mg (0-20cm)

Em relação aos dois critérios mostrados anteriormente, em solos com baixa CTC o método do Ca + Mg é mais efetivo. Dessa forma, sugere-se que sejam aplicados os dois critérios e que se utilize o que demonstrar a maior dose de calcário.

Tipo de calcário

Em relação ao tipo de calcário, é necessário se atentar à relação Ca/Mg, sendo que o calcário calcítico deve ser utilizado apenas quando esta relação estiver baixa. Em qualquer outra situação recomenda-se utilizar o calcário “Dolomítico” (MgO > 12%), devido aos seguintes fatores:

  • O raio iônico do Mg é maior do que do Ca e do K, resultando em inibição competitiva, afetando a absorção de Mg;
  • O K na forma de KCl, e o Ca na forma de carbonato, são mais solúveis do que o Mg na forma de carbonato;
  • O Mg é maior transportador de compostos orgânicos das folhas para os grãos (CAKMAK et al, 1994).
Figura 5. Interação K x Mg x Ca e fluxo de compostos orgânicos. Fonte: Cakmak et al., (1994) apud Vitti & Sgarbiero (2020).
Figura 5. Interação K x Mg x Ca e fluxo de compostos orgânicos. Fonte: Cakmak et al., (1994) apud Vitti & Sgarbiero (2020).

Modo de Aplicação

O modo de aplicação é muito importante e deve levar em consideração dois pontos principais: área de estabelecimento de sistema (abertura) e área de plantio direto estabilizado.

  • Estabelecimento de sistema: sem limite de dosagem e incorporação profunda.
  • Plantio direto estabilizado: dose de até 2,5 t ha-1 por vez e sem incorporação.
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Gessagem

A gessagem é a segunda prática corretiva mais utilizada e normalmente o que definirá sua escolha é a distância das lavouras até as fontes de gesso (valor do frete). O gesso, em função de seu comportamento, se apresenta 30% na superfície (Ca2+ + SO42-) e 70% com mobilidade no subsolo na forma da carga zero (CaSO40), causando efeitos benéficos para as raízes. Normalmente, é utilizado visando dois objetivos:

  • Condicionador de subsuperfície;
  • Efeito fertilizante.
Figura 6. Comportamento do gesso no solo. Fonte: Pavan et al.(1987) e Souza & Ritchey (1986).
Figura 6. Comportamento do gesso no solo. Fonte: Pavan et al.(1987) e Souza & Ritchey (1986).

O gesso é capaz de melhorar o ambiente para o sistema radicular das plantas porque:

  1. Aumenta o teor de Ca em profundidade;
  2. Reduz a saturação por alumínio (m), pelo aumento da participação de Ca na CTC efetiva do solo;
  3. Reduz a absorção por Al pelas raízes, em decorrência da formação do par iônico AlSO4+ (não tóxico, pois não é absorvido pelas raízes).
Figura 7. Efeito do gesso no sistema radicular das plantas. Fonte: Pavan et al., (1987) e Souza & Ritchey (1986).
Figura 7. Efeito do gesso no sistema radicular das plantas. Fonte: Pavan et al., (1987) e Souza & Ritchey (1986).

Quanto aos critérios de recomendação do gesso, os mesmos são baseados nas análises de solo na profundidade de 20 – 40cm quando:

  • Ca < 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
  • Al > 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
  • Saturação por alumínio (m%) > 30;
  • Saturação por bases (V%) < 30.

A seguir tem-se as principais formas de se recomendar gesso.

Método da porcentagem de argila

Tabela 2. Recomendação de gesso baseado no teor de argila. Fonte: SOUZA et al. (1996).
Tabela 2. Recomendação de gesso baseado no teor de argila. Fonte: SOUZA et al. (1996).
Método da porcentagem de argila.
Método da porcentagem de argila.

Sendo:

NG = Necessidade de gesso

Método da elevação da saturação por Ca na CTC efetiva (Caires & Guimarães, 2016)

NG (t ha-1) = [(0,6 x CTCe) – Ca] x 6,4

Sendo:

NG = Necessidade de gesso

CTCe =  CTC efetiva

Ca =  teor de Ca em cmolc dm-3

Método da elevação da saturação por bases a 50% (VITTI et al, 2006)

Método da elevação da saturação por bases a 50% (VITTI et al, 2006).
Método da elevação da saturação por bases a 50% (VITTI et al, 2006).

Em solos que não necessitam de gessagem como condicionador de subsuperfície, sugere-se a aplicação de gesso como fonte de enxofre conforme a tabela a seguir se S < 15 mg.dm-3 (0 – 20 cm) (soja e feijão) ou (20 – 40 cm) (milho, arroz, algodão e cana-de-açúcar):

S (mg dm-3)Gesso (kg ha-1)S (kg ha-1)
0-51000150
6-10750115
11-1550075
> 1500
Tabela 3. Uso do gesso como fonte de enxofre. Fonte: VITTI, G. C. (s.d.).
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Fosfatagem

A fosfatagem é a prática corretiva utilizada no pré plantio, em área total, sem incorporação, ou com grade de nivelamento, em áreas com teores de fósforo do solo (0-20cm) abaixo do nível crítico, ou seja, 20 mg dm-3 P resina.

O objetivo da fosfatagem é, em termos, “pagar” a fixação de fósforo do solo, pois no ano de aplicação do adubo fosfatado, somente 20% (solos argilosos) e 30% (solos arenosos) fica disponível para a planta (VITTI, s.d.).

Os benefícios da fosfatagem são (VITTI, s.d.):

  • Maior volume de P em contato com o solo (> fixação);
  • Maior volume de solo explorado pelas raízes;
  • Maior absorção de água;
  • Maior absorção de nutrientes;
  • Maior convivência com pragas de solo.

A fosfatagem é recomendada conforme a fórmula a seguir e utilizando a tabela 3. A dose de P2O5 (kg ha-1) a ser aplicada é baseada nos teores de P2O5 total das fontes.

P2O5 (kg ha-1) = [teor desejado de P – teor atual] x CTP

Sendo:

CTP = Capacidade tampão do fósforo

Tabela 4. Nível crítico e capacidade tampão de fósforo (CTP). Fonte: Adaptado de Souza et al. (2016).
Tabela 4. Nível crítico e capacidade tampão de fósforo (CTP). Fonte: Adaptado de Souza et al. (2016).
¹Para obtenção do nível crítico de fósforo no sistema irrigado (90% do potencial produtivo) multiplicar por 1,4 os valores de nível crítico do sistema de sequeiro.
²Dose de P2O5 para elevar o teor de P no solo em 1 mg dm-3, com base em amostra da camada de 0 a 20 cm.

Com relação às fontes de P2O5 a serem utilizadas para fosfatagem, recomenda-se fontes com solubilidade em CNA + água ou em HCi a 2%, conforme tabela 5 e 6.

Tabela 5. Fontes de P2O5 para fosfatagem. Fonte: Vitti, G.C. & Luz, P.H. (s.d.).
Tabela 5. Fontes de P2O5 para fosfatagem. Fonte: Vitti, G.C. & Luz, P.H. (s.d.).
Tabela 6. Fontes de P2O5 para fosfatagem. Fonte: Vitti, G.C. & Luz, P.H. (s.d.).
Tabela 6. Fontes de P2O5 para fosfatagem. Fonte: Vitti, G.C. & Luz, P.H. (s.d.).

Adubação Corretiva de Potássio

A adubação corretiva com potássio, aplicada em área total antes do cultivo da soja se baseia em 2 (dois) critérios (VITTI, s.d.):

  • Elevação da saturação por potássio na CTC potencial (K% CTC) de 3,0 a 5,0;
  • Elevação do teor de potássio ao nível crítico de 0,2 cmolc.dm-3 ou 2,0 mmolc.dm-3 ou 80 mg.dm-3. Esse 2º critério se aplica, principalmente, em solos arenosos, pois muitas vezes, com K% CTC adequado, o nível crítico pode estar abaixo dos valores citados.

A seguir tem-se como é calculada a dose baseando em cada critério para adubação corretiva de potássio (VITTI, s.d.):

Adubação corretiva de Potássio.
Adubação corretiva de Potássio.

Quando os teores de K do solo (0 – 20cm) estiverem expressos em mmolc.dm-3, o fator de transformação para doses de KCl (kg ha-1) é de 160.

Para saber mais sobre as práticas corretivas realizadas para a soja  entre em contato com o Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão – GAPE da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ-USP) que atua na área de nutrição mineral de plantas, adubos e adubação.

Logo GAPE

Site: www.gape-esalq.com.br Telefone: (19) 3417-2138. e-mail: [email protected] Instagram: @gape.esalq

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Referências

BORKERT, Clovis M.; PAVAN, Marcos A.; LANTMANN, Aureo F. Considerações sobre o uso do gesso na agricultura. Embrapa Soja-Comunicado Técnico (INFOTECA-E), 1987.

BRASIL. Conab. Conab (org.). Acompanhamento da safra brasileira grãos. 7. ed. Brasília, 2020. 33 p.

CAIRES, E. F.; GUIMARÃES, A. M. (2018). A Novel Phosphogypsum Application Recommendation Method under Continuous No-Till Management in Brazil. Agronomy Journal, Madison, v. 110, p. 1987-1995, 2018.

CAKMAK, Ismail; HENGELER, Christine; MARSCHNER, Horst. Partitioning of shoot and root dry matter and carbohydrates in bean plants suffering from phosphorus, potassium and magnesium deficiency. Journal of Experimental Botany, v. 45, n. 9, p. 1245-1250, 1994.

FURTINI NETO, Antônio Augusto et al. Fertilidade do solo. 2001. 261 f. Monografia (Especialização) – Curso de Lato Sensu, Universidade Federal de Lavras, Lavras.

RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J. A.; HIROCE, R.; FURLANI, M. C. (Ed.). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. ed. Campinas : Instituto Agronômico, 1996. 285 p. (IAC. Boletim Técnico, 100).

SOUSA, D. M. G. de; RITCHEY, K. D. Uso do gesso no solo de Cerrado. In: SEMINÁRIO SOBRE O USO DO FOSFOGESSO NA AGRICULTURA, 1., 1985, Brasília, DF. Anais… São Paulo: IBRAFOS; Brasília, DF: EMBRAPA, 1986. p. 119-144.

SOUSA, D.M.G.; LOBATO, E. & REIN, T.A. Uso do gesso agrícola nos solos dos Cerrados. Planaltina, EMBRAPA-CPAC, 1996. 20p. (Circular Técnica 32) 

SOUSA, Djalma Martinhão Gomes de et al (ed.). Manejo da Adubação Fosfatada para Culturas Anuais no Cerrado. Planaltina: Embrapa, 2016. 10 p.

VITTI, G. C.; MAZZA, J. A. Planejamento, estratégias de manejo e nutrição da cultura de cana-de-açúcar. Piracicaba: Potafos, 2002.

VITTI, Godofredo César. Adubação de culturas de interesse econômico: Soja – Café – Milho – Sorgo. Piracicaba: Esalq, . 150 p.

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